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A Rua do Grilo era a “Baixa” de Samora Correia e está em exposição

A Rua do Grilo era a “Baixa” de Samora Correia e está em exposição

Edição de 30.08.2017 | Sociedade

Tiraram-lhe o nome e deram-lhe outro mas não lhe tiraram a identidade. E ainda há muitos samorenses que se recusam a chamar-lhe Rua da Associação Comercial de Lisboa. Para eles, será sempre a Rua do Grilo. Era a mais emblemática, a mais viva, o centro do comércio, das festas, das cerimónias e da moda da freguesia ao longo das décadas do século XX.
A Rua do Grilo fazia a ligação entre a Avenida O Século e a Praça da República, que ainda é a praça mais importante de Samora Correia. “A praça está entre o Palácio do Infantado, onde antigamente estava instalada a Companhia das Lezírias, que detinha todas as propriedades de Samora e representava o poder político, e a Igreja Matriz, que é o poder religioso. Era a Praça mais importante, o centro de tudo, e a Rua do Grilo era a via que levava até lá e para fora de lá”, explicou Joaquim Salvador, responsável das exposições do Palácio do Infantado.
Era na Rua do Grilo que se encontrava tanto os bens do dia-a-dia da mercearia ou talho, como os bens especiais que só se compravam de vez em quando: um pano de lençol para bordar nas noites de Inverno, um veludo para um vestido ou um par de sapatos. Era lá que havia a mercearia fina do Larato, a loja do Zé Carteiro, a mercearia e taberna do Laranjeiro, os tecidos do Laurentino, a barbearia do João Barbeiro, a Relojoaria Manata ou a pensão da Miquelina.
Os proprietários tinham as casas nas traseiras dos edifícios das lojas, que tinham quase todos apenas o rés-do-chão, porque apenas os mais endinheirados podiam dar-se ao luxo de terem dois pisos. “E em 1755 já existia a Rua do Grilo, já é referida nas “Memórias Paroquiais”, conta Joaquim Salvador, que levou a cabo uma pesquisa exaustiva, com a ajuda de Cristina Gonçalves para montar a exposição.

O terramoto mudou o nome à rua
Foi após o Terramoto de Benavente, a 25 de Abril de 1909, que a Rua do Grilo se tornou a Rua da Associação Comercial de Lisboa. Escrevia o Diário de Notícias na edição do dia 25 de Abril desse ano: “Não há uma só propriedade que não esteja destruída ou fendida de alto a baixo. A população refugiou-se em barracas improvisadas nos lugares do arneiro e do calvário ou fugiu para as vinhas próximas”. Morreram sete pessoas em Samora Correia nesse dia, três delas na Rua do Grilo, e o número teria sido maior se o terramoto não se tivesse dado às 17h00 da tarde, hora a que a maioria das pessoas ainda estava a trabalhar fora de casa, no campo. E como foi a Associação Comercial de Lisboa que reconstruiu a rua, esta acabou por receber o nome em homenagem.

As “meninas da vila” e as “mulheres do campo”
“As senhoras que nasciam e viviam na Rua do Grilo eram consideradas as “meninas”, as bem-vestidas, bem-lavadas, que as “mulheres do campo” tentavam imitar. E essas meninas ditavam a moda: foi na Rua do Grilo que surgiram os primeiros pronto-a-vestir de Samora Correia”, recorda Joaquim Salvador. Uma ida às compras exigia algum primor na forma como as pessoas se apresentavam porque a Rua do Grilo era a mais urbana, a autêntica “Baixa de Samora Correia”.
Também era lá que os homens e mulheres se apresentavam para serem vistos e escolhidos pelos capatazes e rainhas (mulheres que coordenavam os ranchos na época) logo de manhã bem cedo. As mulheres sentavam-se no passeio de calçada e os homens esperavam de pé à esquina da Casa Assunção, mais tarde Casa Vidal, todos para serem escolhidos para irem trabalhar no campo.

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