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A fé faz esquecer as dores e consola quem leva os andores na procissão de Santo Estêvão

A fé faz esquecer as dores e consola quem leva os andores na procissão de Santo Estêvão

Entre os que se oferecem para levarem os andores por fé, para pagarem promessas ou apenas por quererem participar na festa, as dores no corpo desvanecem com o sentimento de dever cumprido.

Edição de 30.08.2017 | Sociedade

Stela Martins carregou descalça, ao longo de quase um quilómetro, o andor de Nossa Senhora da Conceição na procissão de domingo, 27 de Agosto, em honra do padroeiro que dá nome à localidade de Santo Estêvão, no concelho de Benavente. Stela levou o andor no lugar da mãe, que tinha feito a promessa de o carregar se sobrevivesse ao cancro que lhe apareceu e ao qual acabou por não conseguir resistir. Ao seu lado caminha a sua amiga Cristina Domingues, também descalça.
Há nove anos que Stela se oferece para carregar qualquer santo que lhe queiram confiar e Cristina transportou há três anos o andor de Santo Estêvão, também para pagar uma promessa. O andor de Nossa Senhora da Conceição é um dos maiores e mais vistosos e não foi tarefa fácil carregá-lo. “Estas figuras são muito antigas, feitas numa louça diferente das de agora, por isso são muito pesadas. Lembro-me que quando levei o andor de Santo Estêvão o peso era uma coisa extraordinária”, recorda Cristina.
As duas amigas tiveram de parar em várias alturas durante a procissão para descansarem e adaptarem as ombreiras de esponja que as ajudavam a suportar o peso do andor de Nossa Senhora da Conceição aos ombros e costas. No final da procissão, Cristina dizia, sem a menor hesitação, que “com fé e com coragem a gente consegue tudo. E para o ano e sempre que for necessário cá estaremos”.
Quem também se oferece para levar os santos sempre que pode é Rosa Cavaco, que até já chegou a ser presidente da comissão que organiza as festas. Há 17 anos que vai a Fátima a pé e a sua devoção é tal que em Maio carrega sempre o andor de Nossa Senhora de Fátima na procissão da freguesia. Este domingo levou o andor do santo padroeiro porque tinha uma promessa de última hora para pagar: “Um amigo meu foi colhido por uma vaca durante as festas e fiz a promessa de que levaria o Santo Estêvão se ele ficasse bem. Ele bateu com uma fonte num lancil do passeio mas já está a recuperar, não foi tão mau como podia ter sido, agora é só recuperar e superar as dores”, conta.
Vera Martins, amiga de Rosa, era quem de início estava destinada a carregar o andor do santo padroeiro da freguesia, mas como soube da promessa que Rosa queria cumprir, deu-lhe o lugar e as duas foram-se revezando na tarefa durante o percurso. O gesto encheu o coração da amiga: “Agradeço-lhe muito o gesto, foi uma bênção que Nossa Senhora de Fátima me deu de ela me dar o lugar dela porque ficaria muito triste se não pudesse cumprir a promessa que fiz, porque já estavam os andores todos distribuídos na hora em que a fiz”.
Quando a comissão das festas de Santo Estêvão começou a pedir voluntários para levarem os vários andores, Vera ofereceu-se pela primeira vez e foi descalça, tal como Rosa. As duas defendem que não sentiram dores durante a caminhada “porque parecia que Nossa Senhora de Fátima e Santo Estêvão nos estavam a levar no ar com eles. Não nos doem os pés, as costas, os ombros, nada, porque viemos com muita fé. Quem é católico e tem fé não sente dor”. Na procissão do próximo ano as duas voltarão a oferecer-se para transportarem os andores e até para entrarem na comissão organizadora das festas, se precisarem delas.

O candidato que também já levou andores
Ricardo Oliveira, actual presidente da comissão de festas de Santo Estêvão e candidato do PSD à Câmara Municipal de Benavente, não esconde a sua fé. Já transportou os andores de Nossa Senhora de Fátima, tanto o mais leve como o mais pesado, e outros em várias ocasiões. “Há sempre um sacrifício associado porque o peso do andor causa dor mas ela faz-nos chegar mais perto da oração a Deus. Esse espírito de sacrifício tem de estar associado a alguma coisa que nos custe porque senão custar não se dá o devido valor”, explica.
Nas vezes em que transportou os andores, não o fez para pagar promessas mas por sentir o dever de oferecer esse sacrifício a Deus e adianta que mesmo ocupando o cargo de presidente das festas, se for chamado para transportar um dos santos o fará sem hesitar. Outra prova que vê da boa-fé dos moradores da aldeia foram os donativos para a festa: “Quando as pessoas dão em abundância é sinal de que estão satisfeitas. Graças a Deus este ano deram muito. A festa já está paga e ainda sobrou algum dinheiro. Tem estado muita gente nos vários dias da festa, tanto na parte religiosa como na taurina, o que mostra que correu tudo muito bem este ano”, sublinha Ricardo Oliveira.

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