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“Defendo que uma turma escolar deve funcionar como uma família”

“Defendo que uma turma escolar deve funcionar como uma família”

Fernando Manuel Falcão é professor de informática em Vila Franca de Xira

Edição de 30.08.2017 | Três Dimensões

Fernando Manuel Falcão nasceu a 12 de Novembro de 1966 em Coimbra, onde a mãe achou seguro trazê-lo ao mundo por já lá ter tido a sua irmã mais velha. Aos quatro anos de idade foi para Vila Franca de Xira. Este ano vai assumir, pela primeira vez, um cargo na direcção do Agrupamento de Escolas Reynaldo dos Santos onde está há vinte anos. Além de dar aulas de informática é responsável por toda a electrónica da escola.

Sou da família do matador de toiros José Falcão. Já fui mais aficionado, mas continuo a ver corridas de toiros. Gosto do toureio a pé e costumava ir mais às largadas do Colete Encarnado. Comecei a ir menos por falta de tempo. Respeito quem não gosta de tauromaquia mas evito falar do assunto quando estou ao pé dessas pessoas.

Nas férias de Verão trabalhava no posto de venda de combustíveis do meu avô. Era à entrada de Vila Franca de Xira e ainda o geri depois da morte dele. Defendo que os jovens deveriam tentar trabalhar pelo menos um mês nas férias escolares. Aprende-se a dar valor ao trabalho e ganham-se competências para um dia mais tarde, seja na agricultura ou em gestão.

Penso que nasci para ser professor. Tento incutir nos jovens um espírito de família. Para mim é mais importante que eles tenham bons valores humanos do que terem classificações máximas. Claro que se tiverem as duas coisas, tanto melhor. Quando dava aulas ao primeiro ciclo e chegava desanimado à escola, por qualquer motivo, os miúdos faziam sentir-me logo melhor com as suas manifestações de amizade. Era muito gratificante.

Junto o útil ao agradável, sendo o útil a gestão informática e o agradável dar aulas. Sou responsável pela gestão de todo o parque informático, sistemas electrónicos e comunicação do agrupamento. Conheço todos os alunos, mesmo aqueles a quem não dou aulas porque eles me procuram quando têm algum problema com os cartões de entrada, com o acesso à Internet ou com os computadores.

Há casos de sucesso que tive com alunos que são muito compensadores. Nunca me esqueço de uma aluna que chegou à Escola Reynaldo dos Santos com muitos problemas. Tinha chegado a agredir funcionários nas escolas por onde tinha passado mas ao fim de um ano estava a trabalhar comigo na secretária. Foi uma reviravolta enorme.

Os meus alunos dizem que eu critico quando algo está mal mas que não digo nada quando está excelente. Eles têm razão mas é a minha maneira de ver as coisas. Intrevir quando algo está mal e deixar seguir quando está tudo a correr bem.

Acho os “rankings” das escolas absurdos. A escola é para servir os alunos e não para estar em competição com outras. Nem todas as escolas têm as mesmas condições. O nosso papel é servir os alunos e ponto final.

Quando era novo joguei futebol no Vilafranquense. Também pratiquei hóquei e natação mas a pouco e pouco fui deixando o desporto. Actualmente gostava de praticar mais mas não tenho tempo livre.

Estou quase no emblema de ouro de sócio do Sporting. O meu avô fez-me sócio muito novo e ia com ele a muitos jogos. Ainda vou sempre que tenho disponibilidade. Considero-me um sportinguista que se dá bem com adeptos de outros clubes. Isso acontece aqui mesmo na escola. Eu respeito as opiniões de toda a gente.

Sei as músicas todas do Canal Panda por causa dos meus filhos gémeos que têm 3 anos. Quando vou no carro gosto mais de ouvir notícias do que música. Gosto de saber o que está a acontecer no mundo. A primeira coisa que faço quando acordo é ligar-me à Internet e ver as capas dos jornais nacionais e internacionais.

Sempre gostei de cinema e via filmes de todos os géneros mas agora são só filmes da Disney. Com a minha filha mais velha passei a ir ver muitos filmes de animação ao cinema e agora com os gémeos só vejo desenhos animados.

Fico sem palavras quando ouço a frase “É Deus no céu e Falcão na terra”. A primeira pessoa que me disse isso foi um miúdo a quem dei aulas no Centro de Emprego do IEFP. Esse rapaz marcou-me porque estava sozinho com dois irmãos a cargo dele e eu até lhe dava boleia para ele ir para casa porque me ficava em caminho. Ele dizia essa frase e agora os meus colegas da direcção também a dizem. Quando isso acontece emociono-me porque me lembro do rapaz e sinto que estou a fazer bem o meu trabalho.

“Defendo que uma turma escolar deve funcionar como uma família”

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