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Fez a quarta classe na tropa e já escreveu quatro livros

Fez a quarta classe na tropa e já escreveu quatro livros

Manuel Simões é conhecido como o contador de histórias de Riachos. Aos 86 anos mantém-se um cidadão activo que também conduz visitas guiadas ao Museu Agrícola de Riachos e à Casa Memorial Humberto Delgado. Participante habitual em tertúlias, considera que o contacto social entre as pessoas é fundamental para construir uma sociedade lúcida e progressista.

Edição de 06.09.2017 | Cultura e Lazer

“Histórias da nossa gente” e “Riachos em verso e outros versos” são dois dos quatro livros já editados pelo riachense Manuel Simões que com 86 anos continua a manter a boa forma física e mental de cidadão activo na sociedade. As visitas guiadas ao Museu Agrícola de Riachos e à Casa Memorial Humberto Delgado, em Brogueira, concelho de Torres Novas, são conduzidas na maioria das vezes pelo octogenário que divide ainda o seu tempo pelas visitas ao centro de dia da vila para dizer poesia, contar histórias de improviso e conviver com os residentes, tocar órgão, ler, fazer horta e escrever.
“O segredo da minha juventude e boa saúde deve ser o facto de nunca ter desejado mal ao próximo, menina”, diz Manuel Simões à repórter de O MIRANTE com o olhar entendido de quem já viveu muito e tem muito para contar. É leitor assíduo de O MIRANTE porque o filho todas as semanas lhe leva umas quantas publicações, entre elas o jornal da região, para o manter informado do que se passa.
Manuel Simões começou a trabalhar na agricultura ainda criança, como era costume na época. Sempre se considerou uma pessoa curiosa e desejava aprender a ler para ter acesso ao conhecimento. A passagem pelo serviço militar obrigatório, onde terminou a quarta classe, abriu-lhe caminho para começar a ler tudo o que conseguia passar pelas malhas da censura do Estado Novo. A paixão pela escrita começou a despontar cedo e as histórias da sua terra e das gentes começaram a ganhar forma, editadas em quatro livros de autor.

A horta, a leitura e a escrita
Durante a sua vida profissional foi fogueiro de geradores em fábricas de Torres Novas. Recorda que em 1970 ganhava 80 escudos por dia, para o sustento da família. A vida não era fácil, mas conseguiu, com a ajuda da esposa, falecida há três anos, educar os três filhos, que já acrescentaram seis netos à família. É sobretudo para eles que continua a plantar todo o tipo de legumes na horta do quintal da sua casa, porque a actividade física, aliada à actividade mental que pratica com a leitura e a escrita, o mantém em boa forma.
Gosta de ler sobretudo os autores portugueses Eça de Queirós, Alves Redol e Aquilino Ribeiro. Agora está a ler “Os segredos do Lapedo”, de Paula Araújo. Confessa que quando não tem sono à noite, lê a História de Portugal editada pelo jornal Expresso. Acredita que o conhecimento do passado ajuda a compreender melhor o presente. Actualmente, diz Manuel, há em Portugal uma cultura do imediatismo com as novas tecnologias a travarem o contacto entre as pessoas. Garante que a internet é uma boa ferramenta de trabalho, mas o contacto social entre as pessoas é fundamental para construir uma sociedade lúcida e progressista, reforça. Riachense de alma e coração, diz ter muito gosto em participar nas tertúlias de poesia que acontecem no Núcleo de Arte de Riachos, na Market Place ou ainda em quaquer lugar onde seja possível o improviso.

Fez a quarta classe na tropa e já escreveu quatro livros

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