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Uma mulher do norte que escolheu Vila Franca de Xira para trabalhar

Uma mulher do norte que escolheu Vila Franca de Xira para trabalhar

Filipa Almeida gere a comunicação e as iniciativas sociais do Hospital Vila Franca de Xira

Edição de 13.09.2017 | Entrevista

Tem 29 anos, nasceu em Braga, viveu no Porto quase toda a vida e há quatro anos desceu para Lisboa. Filipa Almeida é a assessora de comunicação do Hospital Vila Franca de Xira e responsável pelas mais variadas iniciativas de contacto com a comunidade. Adepta de viagens, passou uma semana sozinha em Nova Iorque, fez Erasmus em Roma e ainda quer visitar mais cidades e países. Encara a pressão da profissão como um desafio e não pensa regressar ao Porto, porque quer continuar a progredir na carreira e não voltar para a zona de conforto, de onde nunca teve medo de sair.

Como chegou a Vila Franca de Xira? Na altura, a directora da Comunicação e Sustentabilidade da José de Mello Saúde (JMS) desafiou-me a coordenar esta área no novo Hospital Vila Franca de Xira e eu nem hesitei! Estou cá há quatro anos.

Não teve medo de deixar a casa e a família no Porto e vir para cá sozinha? Não, na altura achei mesmo que era o certo a fazer. Adorei o facto de terem pensado em mim para esta função. E vir sozinha não me assustou. Um mês antes desta proposta tinha estado em Nova Iorque, porque um dia decidi que queria experimentar viajar sozinha e marquei o voo para a cidade que já há algum tempo queria conhecer. Descobri que uma pessoa nunca está mesmo sozinha. Conheci imensa gente e isso abriu-me os horizontes e fez-me pensar na minha vida e no que queria dela.

E depois houve a conversa especial que foi o momento de viragem... Sim, um dia acabei a falar com um senhor que já correu o mundo e que me estava a explicar os prós e contras dos vários países onde já tinha vivido. E o engraçado foi que chegámos ao fim da conversa comigo a dizer: “Demos a volta ao mundo e, por incrível que pareça, gostava de viver em Lisboa”. Cerca de um mês após o meu regresso surgiu o convite para vir e aceitei.

Quais são as principais diferenças entre o Porto e Vila Franca de Xira? Diria as pessoas, que são efectivamente diferentes no trato. No Porto apanhamos um táxi e ao fim de poucos minutos já estamos a conversar com os taxistas ou com os empregados de mesa nos restaurantes. Estranhei quando vim para cá porque aqui, regra geral, as pessoas que não nos conhecem só falam o estritamente necessário connosco.

Já pensou em viver em Vila Franca de Xira? Sim, mas optei por continuar em Lisboa. Sou muito “turista”, gosto de conhecer a cidade onde estou e em Lisboa passeio a pé, vou a museus e visito os pontos turísticos (e os menos turísticos) todos. Aqui em Vila Franca de Xira não tenho os meus amigos e a oferta cultural é menor que em Lisboa.

Se a convidassem a voltar para o Porto aceitaria? Para as mesmas funções? Seria regredir em termos de carreira. Gosto das minhas funções no Hospital Vila Franca de Xira, estou responsável por várias áreas e isso faz-me sentir muito grata. E a equipa é muito jovem e dá-se toda bem, temos um ambiente de trabalho muito bom. Aqui também sinto uma maior proximidade com a população e gosto das iniciativas e projectos que desenvolvo, por isso penso que voltar para o sector privado no Porto não seria evoluir. Devemos olhar para a frente e procurar sempre evoluir.

Qual foi o momento mais gratificante que viveu no Hospital Vila Franca de Xira? Essa pergunta é difícil… Já foram tantos! O que me tem realizado mais é o impacto na comunidade, sobretudo iniciativas de solidariedade e responsabilidade social. Ver o produto final de iniciativas que têm um impacto positivo nas pessoas, que planeámos, nos envolvemos e empenhamos ao máximo para a sua concretização… é fantástico.

Sente que o seu trabalho muda a vida das pessoas? Na vertente da responsabilidade social, sobretudo. Desenvolvemos iniciativas dirigidas à comunidade, campanhas de sensibilização e educação para a saúde e apoiamos projectos que têm impacto na vida das crianças, adultos e idosos a que se dirigem.

Alguma vez esteve numa situação no hospital em que não se imaginava? Não diria não imaginar mas já assisti a três partos, no âmbito de reportagens, e foi emocionante. E esta entrevista, por exemplo! Não é suposto ser eu a dar a cara, é suposto estar sempre no backstage e serem os outros a dar a cara.

Já alcançou tanto em tão pouco tempo. Que objectivos ainda tem em carteira? Do ponto de vista profissional, penso que ainda tenho um longo caminho a percorrer. Em termos pessoais, quero viajar mais! Sempre que puder, sozinha ou acompanhada, para me pôr à prova e continuar a ser surpreendida. Também gostava de voltar ao voluntariado e quero um dia casar e ser mãe. Mas há quatro anos nunca pensei estar em Vila Franca de Xira, por isso não consigo prever como serão os próximos quatro. Estou certa que quero continuar a abraçar desafios e pôr-me à prova. Acredito que quando nos empenhamos e damos o nosso melhor as oportunidades acabam por surgir.

“Gosto de sair da minha zona de conforto porque ajuda a abrir a mente a novos horizontes”

A Filipa é uma comunicadora nata. Era esta a profissão com que sonhava em criança? Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande dizia sempre “bailarina!” (risos). Dancei durante 13 anos. Comecei no ballet, na pré-primária, e fui mudando de estilos. No primeiro ano da faculdade, do curso Ciências da Comunicação, tive de deixar a dança porque estava num grupo em que os ensaios eram exigentes, por vezes diários e várias horas. As prioridades já eram outras. Tinha de me focar nos estudos, nos exames, e acabei por deixar a dança. Escolhi uma profissão que hoje me traz muito mais realização que dançar.

O percurso escolar foi muito constante? Não, saltei muito de escola em escola. Fiz a 1ª e 2ª classe num colégio, que os meus pais julgaram que não era exigente o suficiente porque os professores queriam que eu saltasse um ano. Fiz a 3ª e 4ª classe noutro, depois no 5º ano mudei-me para Lisboa, no 6º ano voltei para o Porto e entre o 7º e o 12º ano estive no Colégio do Rosário. Fui quase sempre a delegada de turma e era muito exigente com as notas.

Formou-se logo de início um espírito de liderança... Nesse sentido pode dizer-se que sim. Também acho que o facto de ter passado por tantas escolas me conferiu esta facilidade de me integrar em qualquer sítio e de me relacionar com quem conheço de novo.

Por isso foi fácil seguir comunicação? Sim, na hora de escolher a área percebi que Ciências não seria o melhor caminho para mim e segui Humanidades. Gosto muito de conhecer pessoas novas e diferentes, que me façam olhar para o mundo de outra perspetiva. Essa é, provavelmente, uma das características que me faz adorar viajar. Gosto de sair da minha zona de conforto, porque efectivamente ajuda a abrir a mente a novos horizontes.

Tirou Ciências da Comunicação na Universidade do Porto. Chegou a ter outra opção? Sim, ainda pensei seguir Direito. Atraía-me a ideia de estar em tribunal a defender alguém, mas depois percebi que o que queria era uma comunicação diferente. Depois da licenciatura tirei o mestrado em Publicidade e Relações Públicas na Universidade do Minho, que me acrescentou componentes face à licenciatura que agora são importantes para o meu dia-a-dia.

O que é que a levou a querer fazer Erasmus? Querer conhecer outras realidades. Gostei muito da experiência e aprendi muito. As aulas eram todas dadas em italiano, os exames eram todos orais, apanhei professores mais e menos exigentes mas voltei a saber falar italiano fluente e com uma cultura diferente da que tinha à ida. Muitas pessoas têm a ideia errada de que em Erasmus não se estuda e há mesmo países onde se vai só pela diversão, mas em Itália estudei tanto ou mais que em Portugal.

Pensa que o Erasmus foi importante na hora de conseguir um emprego? Sim, todas as experiências por que passamos ajudam a construir a pessoa que somos. Após Erasmus fui voluntária da Erasmus Student Network (ESN) no Porto, onde organizei viagens, eventos culturais e de convívio para os Erasmus e quando entrei no mundo empresarial, num estágio na Central de Informação, uma agência de comunicação do Porto, fui com uma maior segurança porque já tinha organizado uma série de eventos, negociado com fornecedores, etc...

Depois começou oficialmente a carreira na José de Mello Saúde (JMS). Sim, aos 22 anos integrei a direcção de comunicação e sustentabilidade do Hospital CUF Porto e Instituto CUF Porto. Na altura em que entrei, o hospital estava a dar os primeiros passos e a marca CUF ainda não tinha a notoriedade no Porto que sempre teve em Lisboa. Foi muito interessante acompanhar o projecto a crescer e vê-lo a tornar-se num dos, se não o, hospital de eleição dos portuenses.

E era difícil gerir o tempo com tanta responsabilidade e tão pouca idade? Não. Aceitei o desafio que me deram e encarei-o da melhor forma. Senti-me orgulhosa por aos 23 anos confiarem em mim para estar responsável pela comunicação de unidades de saúde de um grupo como a JMS. Contudo, reportava à Direcção de Comunicação e Sustentabilidade do Grupo que me apoiou sempre que necessário.

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