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Vitória de Santarém é o terceiro clube do país com mais atletas federados de futsal

Vitória de Santarém é o terceiro clube do país com mais atletas federados de futsal

Clube comemorou 12º aniversário em Agosto e espera pela atribuição de nova sede para continuar a crescer.

Edição de 21.09.2017 | Desporto

Apesar de ser um clube jovem – completou 12 anos em Agosto – o Vitória Clube de Santarém é já o terceiro clube do país com maior número de atletas federados na modalidade de futsal, o que lhe dá responsabilidades acrescidas. “Este crescimento deve-se a muito trabalho e empenho dos dirigentes do Vitória e dos seus atletas. Consideramo-nos uma família e isso ajuda muito no nosso sucesso. Com pouco conseguimos fazer muito”, afirma o presidente do clube, António Pardelhas, a O MIRANTE.
António Pardelhas, de 61 anos, é o sócio número 1 do Vitória Clube de Santarém (VCS) e um adepto fervoroso. O clube começou a dar os primeiros passos em 1995, no Alto do Bexiga. O seu filho mais velho, Sérgio Fernandes, na altura com 14 anos, jogava futebol na rua onde morava com outros amigos. Um dia desafiaram o actual presidente para criarem um clube. Como não tinham idade suficiente para o fazer, pediram ajuda a António Pardelhas, que aceitou o desafio. No entanto, com burocracias e falta de tempo as coisas foram sendo adiadas até que no dia 11 de Agosto de 2005 o Vitória foi finalmente criado.
Começaram com 14 atletas e na última época inscreveram 174 atletas nos vários escalões. Na época que agora começou pretendem continuar a crescer. O VCS é um clube de futsal com equipas de petizes, benjamins, traquinas, infantis, iniciados, juvenis e juniores. Têm também duas equipas femininas. Este ano decidiram fazer uma pausa na equipa de seniores e optaram por criar uma equipa de sub23. “Queremos dar continuidade à formação dos jogadores. Os atletas que acabaram a sua formação enquanto juniores têm a possibilidade de continuar a ser atletas do Vitória Clube de Santarém em sub23”, refere.
O dirigente explica porque optaram por não continuar com a equipa de seniores. “Decidimos fazer esta pausa na equipa sénior, que não sabemos até quando será, porque o clube estava a ir por um caminho em que poderia afundar-se financeiramente. Não tínhamos estrutura nem capacidade para termos uma equipa sénior nos moldes em que tínhamos. Vinham jogadores de Lisboa, o que implicava muitos custos, e o Vitória Clube de Santarém corria o risco de não sobreviver a gastos tão elevados. Por isso optamos por fazer esta reformulação e apostarmos na formação”, sublinha, acrescentando que vão manter ainda duas equipas de veteranos no clube.
O presidente do VCS diz que o mais difícil no clube é lidar com a falta de dinheiro mas, sobretudo, arranjar pessoas, voluntárias, com espírito associativo, para ajudar. Há muitas deslocações que têm que pagar do próprio bolso e o associativismo requer muitas horas. “Nem todas as pessoas estão disponíveis para despender tantas horas do seu dia para o clube por isso somos quase sempre os mesmos a trabalhar para o Vitória, que é a nossa paixão”, admite.

Apoio dos pais é fundamental
O orçamento do clube para esta temporada é de cerca de 40 mil euros. O apoio anual de cerca de nove mil euros da Câmara de Santarém não é suficiente para as despesas do clube. Por isso, estão à procura de patrocinadores que possam apoiar o VCS.
“Este ano estamos a prever mais dificuldades porque vamos ter mais gastos. Vamos disputar a Taça Nacional de Futsal, o que nos vai obrigar a mais deslocações por todo o país, o que inclui mais despesas. Felizmente, os pais dos atletas também nos têm ajudado e muitas deslocações são pagas dos seus bolsos. Só assim, com este ambiente familiar e estrutura de apoio é que conseguimos crescer tanto em tão poucos anos”, sublinha.
Anualmente, realizam o Vitória Futsal Cup e no próximo ano existe a hipótese de trazer uma equipa do extremo oriente que já demonstrou interesse em participar, avançando-se assim para a internacionalização do torneio.
António Pardelhas considera que fora do concelho de Santarém o VCS tem prestígio e é “muito” respeitado pelos seus adversários. “O facto de sermos o terceiro maior clube do país em número de atletas é uma mais valia e ajudamos ao desenvolvimento do nosso concelho. Quando vamos jogar fora do concelho temos sempre em mente que vamos representar o nosso clube mas também a nossa terra. Levamos o nome de Santarém pelo país todo e isso acaba sempre por ter algum retorno até para a própria cidade”.

Nova sede é um passo importante para o desenvolvimento do clube

O Vitória Clube de Santarém tem cerca de meio milhar de sócios mas apenas cerca de uma centena paga a quota de 12 euros por ano. Este ano pretendem criar uma equipa feminina de voleibol e uma secção de xadrez. Para isso vai contribuir a nova sede garantida pela câmara municipal, nas instalações onde até este ano funcionou o Jardim de Infância do Sacapeito. O protocolo para cedência foi aprovado na última reunião de câmara e António Pardelhas agradeceu “todo o apoio e colaboração” da autarquia. “Hoje será um dos dias mais felizes da vida do Vitória”, afirmou perante o executivo camarário.
Actualmente, o clube dispõe de uma pequena sede num edifício junto aos paços do concelho que divide com o Rugby Clube de Santarém. O dirigente diz que uma nova sede vai ajudar ao crescimento do clube. “A sede permitiria agilizar processos para o desenvolvimento da nossa actividade. Aqui não podemos receber ninguém e temos pouco espaço para os documentos. Um espaço mais amplo seria perfeito para podermos crescer”, sublinha.
António Pardelhas é presidente do clube desde 2016 e diz que só pretende fazer um mandato. No entanto, questionado sobre a falta de interessados no associativismo, responde que não vai deixar o clube se não houver quem queira pegar nele. “Este clube foi uma paixão do meu filho e dos amigos e acabou também por ser a minha paixão. Tirando as horas que tenho que dormir, as restantes dedico-as quase todas ao Vitória. Mas é verdade que o associativismo carece de muita disponibilidade e muito espírito de sacrifício. E acarreta custos adicionais que saem do nosso bolso”, confessa.
Os diversos escalões do VCS treinam em vários locais na cidade de Santarém nomeadamente na Nave Municipal, Pavilhão Municipal, Escola Prática de Cavalaria, Escola Alexandre Herculano e Escola D. João II. O presidente do VCS afirma que esta situação deve-se ao facto de existirem falta de infraestruturas desportivas em Santarém. “O executivo municipal faz o melhor que pode mas não existem espaços suficientes para tantas equipas de tantos clubes. Deveria ser feito um esforço maior para criar novas infraestruturas de modo a que todos os atletas tenham as melhores condições de treino”, referiu.

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