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“Os mercados semanais podem ter os dias contados”

“Os mercados semanais podem ter os dias contados”

António Ribeiro, tem 62 anos, é natural de Tomar e vendedor ambulante há 30 anos

Edição de 21.09.2017 | Economia

Os mercados semanais de Tomar, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos e Santana contam todas as semanas com a presença de António Ribeiro a vender camisas e gravatas para todos os gostos. Em Tomar também vende melão e melancia à beira da estrada, no Verão, para diversificar o negócio e facturar “mais uns trocos”, que as despesas são certas e cada vez maiores.
A vida de vendedor ambulante não é fácil, diz António, levanta-se todos os dias às cinco horas da manhã e chega aos mercados ainda antes do nascer do dia. As condições não são as melhores, há pouca luz, os sanitários deixam muito a desejar e os clientes compram cada vez menos, porque o dinheiro é escasso e a concorrência dos centros comerciais é cada vez mais intensa.
“Os mercados semanais vão acabar quando a geração mais velha já não puder trabalhar”, perspectiva António Ribeiro. Os mais jovens não querem agarrar a profissão de vendedor ambulante, que o digam os quatro filhos de António, que emigraram para a Suíça em busca de melhores condições de vida.
António Ribeiro ainda tentou a profissão de carpinteiro quando era mais jovem, mas o gosto pelo relacionamento directo com as pessoas e a liberdade de poder trabalhar por sua conta ditaram a vida de vendedor ambulante que só vai deixar quando se reformar.
Os mercados que faz vão chegando para tirar o rendimento de que precisa para viver com a mulher em casa própria, no concelho de Tomar, e usufruir como pode dos poucos momentos de descanso que consegue roubar à azáfama do dia a dia. Antes de aparecer o euro, refere António, as pessoas compravam mais, agora compram cada vez menos e há dias em que não chega a estrear-se nas vendas. Mas também há mercados em que factura bem. Tem clientes de todas as idades e extractos sociais, porque os seus artigos são de fabrico nacional, com garantia de qualidade. A margem de lucro pode chegar aos 20%, o que ainda vai dando para pagar os impostos e as licenças de venda.

Os ossos do ofício
A segurança nos mercados onde vende é ajustada, diz António a
O MIRANTE. Talvez por isso nunca tenha sido assaltado, apesar de, sobretudo no Inverno, achar que devia haver melhor iluminação nos recintos e mais e melhor estacionamento. As visitas da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) não o preocupam, porque procura cumprir a lei. Mas há colegas feirantes que são multados por excesso de peso nas carrinhas de transporte dos produtos que vendem em montantes que podem ir dos 500 aos 1.250 euros. Um problema para quem vive com pouca margem de lucro nas vendas.
“São os ossos do ofício”, diz António, que tem um ponto de venda de fruta junto à estrada que liga Santa Cita a Tomar e que por causa de ter posto cimento no chão, para ter melhores condições de higiene, foi multado pela Câmara de Tomar em 600 euros e vai ter de remover o cimento por ser considerada obra sem licença. António garante que a intenção de ter melhores condições de higiene no ponto de venda era a pensar nos clientes, mas se a Câmara de Tomar entende que a terra batida basta, então vai cumprir as ordens da autarquia.
António Ribeiro refere que a questão do lixo que se produz nos mercados o preocupa, por isso faz questão de recolher todos os materiais que sobram na sua banca e leva para reciclagem. As pessoas deviam ter mais atenção a esta questão, defende, já que os serviços das autarquias por vezes não conseguem recolher em tempo útil todo o desperdício dos mercados o que torna os espaços pouco atractivos e se todos colaborarem a situação pode ser melhor para todos.

“Os mercados semanais podem ter os dias contados”

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