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Democratizado Serafim das Neves

Edição de 21.09.2017 | Emails do Outro Mundo

Ando louco por descobrir o que andaram a fazer os baldas que não foram votar nas eleições autárquicas de 29 de Setembro de 2013. Nesse dia não houve futebol e mesmo sem bola faltaram injustificadamente ao seu dever cívico mais de quatro milhões e meio de cidadãos a nível nacional e cerca de cento e oitenta e cinco mil no distrito de Santarém.
Eu sei que somos absentistas por natureza mas uma taxa de absentismo acima de quarenta e sete por cento deixa-me desconfiado. De certeza que se passou qualquer coisa muito interessante e ninguém me disse nada. Cambada de sacristas! E se calhar tu também estiveste envolvido na tramóia. Grande amigo que me saíste!
Este ano sei que não podes ir votar por razões mais que justificadas, uma vez que joga o Sporting e tens que estar completamente concentrado no jogo. Acontece-me o mesmo a mim. Tentar concentrar-me ao mesmo tempo em futebol e eleições, desconcentra-me por completo. Mas isso não esclarece a minha dúvida. O que se passou em 2013 para tão gigantesca rebaldaria abstencionista?
Conheço muita gente que, perante a perspectiva de ir trabalhar na segunda-feira, bloqueia por completo e já não consegue fazer nada no domingo. Terá sido isso que aconteceu a 29 de Setembro de 2013? E será que o síndroma alastrou nestes últimos quatro anos? Será que estamos perante um caso de saúde pública?
Numa altura em que andam a dar tanta coisa ao povo, o que lhes custava darem também um feriado em todas as segundas-feiras a seguir a dias de eleições? Será que ninguém se lembrou disso? Nem sequer o generoso camarada Carlos Matias, deputado do Bloco de Esquerda eleito por este círculo eleitoral, que defende sempre tudo e mais umas botas e está sempre, sempre ao lado do povo?
Mas atenção. O que eu defendo é um feriado mesmo a sério. Nada desses feriados travestidos de tolerâncias de ponto que costumam dar a autarquias, escolas e serviços públicos. O pessoal do sector privado também merece, caraças!
Em Ourém o presidente da câmara, Paulo Fonseca, esgotou os recursos e as tentativas para deixar de estar insolvente e está fora da lista de candidatos do PS à câmara. Os da oposição andam todos felizes da vida mas pode sair-lhes o tiro pela culatra.
Como a segunda na lista, a psicóloga Cília Seixo, é agora a candidata à câmara, quem sabe o que pode acontecer? É que ela, para além de não ser insolvente também nunca gastou dinheiro público mal gasto nem deu empregos aos amigos na câmara uma vez que é politicamente virgem. E sabendo nós o sucesso que lá no concelho teve uma outra virgem, chamada Maria, ao aparecer a uns pastores, sabe-se lá o que poderá acontecer com a aparição desta aos eleitores.
E uma vitória dela permitir-lhe-ia retribuir a amabilidade que o Paulo Fonseca teve ao convidá-la para segunda da lista, bastando para tal que ela o nomeasse chefe de gabinete, por exemplo.
Na Golegã, o marialvismo está vivo e recomenda-se. Aproveitando a última oportunidade que a Lei da Paridade lhe dá, o PS, partido que inventou a tal lei, apresenta nos três primeiros lugares da lista de candidatos à câmara, três homens. Daqui a quatro anos já não poderá fazer o mesmo mas fê-lo agora e isso conta muito num concelho que eu acredito ter inspirado aquele fado que diz: “Eu cá para mim/ Não há, ai não/ Maior prazer que o selim e a mulher.../Rédeas na mão, sorrir amar, trotar esquecer/ E digam lá se isto é descer!”.
E vê lá tu se a Comissão da Igualdade dos géneros ou lá o que é mandou retirar o CD do Vicente da Câmara do mercado ou se nomeou alguma comissão para rever a letra do fado. É o mandas. E até a coordenadora nacional do PS para as autárquicas deve andar a trautear os primeiros nomes da lista. E tem razões para isso. Como no caso da Golegã não há qualquer violação da lei de 2006, cuja última alteração ocorreu em Maio deste ano, só nos resta dizer como os nossos irmãos brasileiros: “Tá tudo legal!”.
Saudações eleitorais
Manuel Serra d’Aire

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