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Uma vida dedicada a ajudar os outros

Uma vida dedicada a ajudar os outros

Maria Virgínia Godinho, vice-presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Santarém, é uma apaixonada pelo serviço social e apologista de que todos devemos participar civicamente na comunidade. Aos 73 anos divide-se entre a instituição e a sua família.

Edição de 21.09.2017 | Identidade Profissional

Nascida e criada em Lisboa, Maria Virgínia Godinho, 73 anos, vice-presidente da Liga dos Amigos do Hospital de Santarém mostrou sempre um gosto especial pelo serviço social, tanto que ainda hoje acredita que nasceu para ajudar os outros. Apoio é o que nunca faltou à ‘alfacinha’ por parte dos pais, tendo-se licenciado em serviço social em 1966 pelo Instituto Superior de Serviço Social, em Lisboa.
Ainda esteve um ano pela capital a acompanhar os jovens do bairro de Santa Cruz de Benfica nos seus tempos livres, mas quis o destino que rumasse em 1967 a Lourenço Marques, actual Maputo, capital da antiga colónia portuguesa de Moçambique. “Fui para lá depois de o meu marido, que já estava lá a trabalhar, vir cá a Portugal casar comigo”, explica.
Entretanto, por terras africanas deu aulas de puericultura e higiene na Escola Comercial de Lourenço Marques e, em 1969, entrou na Provedoria da Assistência Pública. “Foi dos momentos mais marcantes da minha vida já que pude trabalhar directamente com a população e ajudar os outros. Dava aulas de puericultura às mães do bairro, onde ensinava a confeccionar as papas para dar aos filhos com os produtos locais, dava aulas de costura, consegui fazer um levantamento dos artistas da área para fazer exposições com as obras deles”, conta Maria Virgínia Godinho.
Ainda esteve um ano como assistente social no Hospital Miguel Lombarda, em Lourenço Marques, até se dar a revolução de 25 de Abril de 1974. Foi quando regressou juntamente com o marido para terras lusas e entrou no Hospital de Santarém, fundando o serviço social neste estabelecimento de saúde e, mais tarde, a Liga de Amigos do Hospital de Santarém.
“Comecei a ver que as carências sociais continuavam a não ser respondidas e considerei que a melhor opção seria a criação de uma Liga que apoiasse a população carenciada, ajudando através do transporte, medicamentos e próteses”, explica, dizendo que a associação nasceu em 1988 com 15 voluntários, mas que não ficou por ali e, em 2007, inaugurou as novas instalações junto ao estabelecimento de saúde.
Maria Virgínia Godinho não tem dúvidas que ainda há muito a fazer-se na área da assistência social, nomeadamente a nível das respostas aos que mais precisam, sobretudo a população idosa. “Com o casal a trabalhar a tempo inteiro, o idoso não tem as mesmas respostas a nível familiar que há uns anos atrás e é colocado num lar”, considera, afirmando que, se houvesse uma ajuda social firme a nível de ambulatório em que as famílias se sentissem apoiadas, as pessoas idosas poderiam manter-se em casa.

Alegrias e tristezas que marcam
Entre alegrias e tristezas, histórias é o que não falta à assistente social de 73 anos. Uma vez, conta, “houve um acidente na auto-estrada em que tanto o pai como o filho saíram ilesos, mas a mãe morreu. O senhor estava de rastos quando chegou ao hospital. Entretanto, conversei bastante com ele e fiquei a saber que não era bem aceite pela família da esposa e estava com algum receio da reacção que a família dela iria ter. Na altura ajudei-o muito”.
Outro caso foi “de uma criança de oito anos que morreu atropelada quando estava com o pai. Foi uma situação que me marcou, sobretudo porque era uma criança muito desejada pelo casal e o pai estava completamente desfeito”.
Mas há também histórias felizes. Um deles, revela, foi de um voluntário da Liga dos Amigos do Hospital de Santarém. “Um senhor que foi sem-abrigo e tinha muitos problemas de alcoolismo e consegui recuperá-lo totalmente. Hoje tem a sua vida organizada e é voluntário na nossa associação”.
E não foi o único na vida da assistente social. “Tive outro caso feliz de um ex-presidiário que foi encontrado caído numa berma de uma estrada e veio parar ao hospital. Entretanto, consegui saber quem era, porque ele não queria identificar-se, e fazer com que se reconciliasse com os pais depois de ter sido rejeitado por eles devido ao facto de ter matado acidentalmente o irmão”.

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