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Sismos, tsunamis e cheias

Onde estão os mapas de risco? No limite, este tipo de informação ajuda-nos a escolher o concelho e o local onde viver. Ou, senhores autarcas, ficamo-nos pelo “acudam-nos” quando elas acontecem?

Edição de 21.09.2017 | Opinião

Já aqui escrevi sobre o tema dos riscos naturais, mas as recentes ocorrências motivam-me a voltar ao assunto. Obviamente que incluo os incêndios. Os riscos naturais rodeiam-nos por todos os lados e não se pense que é lá longe, nas Caraíbas ou no México, é aqui à nossa porta. Imaginem que na Florida (Estados Unidos da América), depois do tufão, veio uma vaga de calor que também já fez vítimas. Por muito que a ciência tenha avançado, as incertezas continuam a ser muito maiores que as certezas, designadamente previsões, gestão, controlo, etc. Sabemos que ocorrências catastróficas já aconteceram e vão voltar a acontecer em todos os locais, regiões e países, pobres e ricos. Também temos a certeza que os meios de ação disponíveis (humanos e materiais), em caso de ocorrência, são sempre mais escassos que o necessário. Tudo isto são certezas. A grande incerteza é saber quando e onde? O que fazer? Avaliar e assumir a perigosidade/risco; prevenir e, em caso de ocorrência, ação rápida e eficaz de forma articulada por parte de todos os agentes de proteção civil.
É aqui que me vêm à memória os incêndios. Sabemos que, muito para além dos estudos e relatórios que um dia se conhecerão, há em Portugal um enorme défice de “ação rápida e eficaz de forma articulada por parte de todos os agentes de proteção civil”. Nesta matéria, o conhecimento local é essencial, pois se não houver eficaz articulação deste saber, o resultado é aquele a que assistimos; isto é, em caso de ocorrência, o sucesso da intervenção depende em grande medida da ação local dos agentes de proteção. O conhecimento local é essencial. Exige-se uma ação continuada e permanente, considerando a informação histórica, a atuação em pontos críticos e a definição de ações de emergência (gestão do risco e prevenção). É demasiado simples para não se fazer e os argumentos financeiros não contam; ordenamento do território e formação de todos constituem a melhor, mais eficaz e económica receita.
Em tempo de eleição dos governos locais, a competitividade territorial é um tema a que os portugueses deveriam estar atentos. Onde estão os mapas de risco? No limite, este tipo de informação ajuda-nos a escolher o concelho e o local onde viver. Ou, senhores autarcas, ficamo-nos pelo “acudam-nos” quando elas acontecem?
Carlos A. Cupeto
Universidade de Évora

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