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Afectos abafaram a política na última reunião de câmara do mandato em Santarém

Afectos abafaram a política na última reunião de câmara do mandato em Santarém

Crónica sobre as despedidas anunciadas num executivo que talvez sejam só um até breve

Edição de 21.09.2017 | Política

O vereador do PS Ricardo Segurado, que tem tido uma presença intermitente nas reuniões de câmara de Santarém desde que assumiu novas responsabilidades profissionais em Lisboa (foi nomeado para o cargo de secretário técnico da autoridade de gestão do Programa Operacional Mar 2020, em Agosto de 2016), fez questão de estar na última reunião ordinária do executivo antes das eleições autárquicas para se despedir dos colegas de vereação e debitar elogios por tudo o que mexia.
Desde a comunicação social aos membros do executivo, com sublinhado para velhas amizades que tem nas outras forças políticas – Inês Barroso (PSD) foi sua treinadora de basquetebol; Francisco Madeira Lopes (CDU) acompanhou-o à guitarra quando Segurado tentou entregar a sua voz ao fado; e o presidente Ricardo Gonçalves é amigo desde os tempos da escola - e para os camaradas de partido Otília Torres, Sérgio Cardoso e Paula Canavarro, que tal como ele não integram as listas do PS à câmara nestas eleições.
“Não há nada como fazer política com os nossos amigos. E o PS e o PSD são os partidos onde é mais difícil ter ao nosso lado aqueles que nós queremos. Eu sou um felizardo por sair tendo ao lado estas pessoas. Dificilmente encontraria pessoas melhores”, disse Segurado. Fora daquela sala, desconfiamos, alguém ficou com as orelhas a arder.
Ricardo Segurado abriu a Caixa de Pandora e a partir daí já se sabia o que nos esperava - ao pouco público, funcionários e ao único jornalista presente. A torrente de afectos soltou-se sobre a vetusta sala de sessões e o vereador Francisco Madeira Lopes (CDU) até falou de pé - como fizera na primeira reunião de câmara do mandato e como estava habituado a fazer quando foi deputado na Assembleia da República - para agradecer a todos e realçar o “espírito elevado de debate” e o facto de, por norma, a demagogia não ter imperado nas reuniões. Na sua óptica, houve uma “oposição séria e responsável” que denunciou negócios ruinosos como o modelo de concessão do estacionamento tarifado na cidade.
Susana Pita Soares (PSD) sai “muitíssimo mais rica e mais forte”, apesar do abalo sentido por não ser opção nas listas do seu partido após quatro anos como vice-presidente da câmara. E garantiu, antes de deixar palavras de agradecimento aos funcionários da autarquia e aos colegas de executivo, que não se vai demitir das suas obrigações enquanto cidadã em prol do desenvolvimento do concelho. Ou seja, vai andar por aí…
“Já começo a sentir saudades”, confessou o vereador Luís Farinha (PSD), após estes quatro anos que não vão ter sequela, pelo menos para já. “Foi um prazer partilhar convosco estes últimos quatro anos”, disse dirigindo-se aos colegas, agradecendo o convite que Ricardo Gonçalves lhe fez para integrar a sua lista e desempenhar funções executivas.
E até Inês Barroso (PSD), que é candidata e tem muitas probabilidades de ser novamente vereadora no próximo mandato, quis deixar palavras de apreço por todos, com realce para a população do concelho, pela generosidade com que a receberam e ajudaram.
As últimas palavras ficaram a cargo do presidente que lamentou não ter visto a oposição aceitar os pelouros que lhe quis dar no início do mandato. “Acho que poderíamos ter ido mais além”, referiu.

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