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Despedida a funcionária suspeita de desviar dinheiro da Junta de Alhandra

Despedida a funcionária suspeita de desviar dinheiro da Junta de Alhandra

Processo disciplinar está concluído. Caso prossegue no Ministério Público e a junta de freguesia tem colaborado no envio da documentação requerida pelo procurador.

Edição de 21.09.2017 | Sociedade

A funcionária suspeita de ter desviado, nos últimos anos, perto de 20 mil euros dos cofres da Junta de Freguesia de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz foi despedida na sequência do processo disciplinar que lhe foi movido pela autarquia. A confirmação foi dada esta semana a O MIRANTE por fonte ligada ao caso.
O processo disciplinar está concluído e determinou que existem factos suficientes e graves para proceder ao despedimento da funcionária. O processo foi conduzido por um jurista da Câmara de Vila Franca de Xira, figura idónea e sem relacionamento com a Junta de Alhandra. A autarquia ainda não foi ressarcida do dinheiro que alegadamente terá sido desviado mas esse é um caso que ainda se encontra nas mãos do procurador do Ministério Público (MP) de Vila Franca de Xira.
O MIRANTE sabe que a justiça tem solicitado diversa documentação à junta e que esta tem colaborado. O processo disciplinar será também um dos documentos a fazer parte do processo movido pelo MP.
Em Janeiro último, durante uma assembleia de freguesia, o presidente da junta, Mário Cantiga (CDU), já tinha defendido “tolerância zero” para a funcionária em causa e garantiu que o executivo não iria abdicar de ser totalmente ressarcido das verbas desaparecidas.
Na altura o autarca referia que o seu executivo “sempre teve a coragem” de admitir publicamente o problema, ao contrário dos presidentes de outras juntas de freguesia onde existiram os mesmos problemas, sem se referir a quais. Mário Cantiga respondia a um morador de Alhandra nessa sessão que exigiu saber onde parava o dinheiro.
Em causa está, como noticiámos em Setembro de 2016, as suspeitas de que uma funcionária da junta com 36 anos de serviço terá desviado mais de 20 mil euros dos cofres da autarquia. O caso apanhou toda a gente de surpresa na junta de freguesia, já que a mulher era bastante estimada na comunidade. A funcionária era responsável pelo processamento dos vencimentos do pessoal da junta e era ela quem, alegadamente, dava as ordens de pagamento para os bancos com quem a junta trabalha.
Ao que O MIRANTE apurou na altura, a funcionária auferia na casa dos 1200 euros mensais e, alegadamente, ainda transferia um valor adicional próximo dos 450 euros para uma conta sua mas com descritivo em nome de um antigo funcionário. O esquema foi passando pelos diferentes filtros da junta ao longo dos anos, incluindo por quem tinha a responsabilidade de verificar a autenticidade dos pagamentos e a contabilidade.

Colega descobriu desconformidades nas contas
O alegado esquema foi descoberto no dia 16 de Setembro de 2016 quando a funcionária em causa se ausentou do serviço para ir a uma consulta. Uma colega ao aperceber-se das desconformidades foi analisando os processos até perceber que algo não estava bem. Quando a mulher voltou ao trabalho terá sido confrontada pelo executivo da junta com o sucedido mas terá negado o desvio do dinheiro. Mais tarde terá explicado que o caso era do conhecimento do anterior presidente da junta e que o mesmo serviria quase como um empréstimo de curto prazo. Por fim, terá também prometido devolver todo o dinheiro que tirou, ideia que não terá sido aceite pelo actual presidente do executivo, que expôs o caso à justiça.

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