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“Somos nós que cuidamos dos doentes mas ninguém cuida de nós”

“Somos nós que cuidamos dos doentes mas ninguém cuida de nós”

Enfermeiros manifestaram-se junto ao Hospital Distrital de Santarém a reclamar contra a elevada carga horária, a sobrecarga de serviço e a introdução da categoria de especialista na carreira, com respectivo aumento salarial.

Edição de 21.09.2017 | Sociedade

Cerca de duas centenas de pessoas juntaram-se na noite de 13 de Setembro em frente ao Hospital Distrital de Santarém numa vigília organizada pelos enfermeiros, naquele que foi o terceiro dia de greve desses profissionais. Entre as reivindicações está a criação da carreira de especialista, equidade na carga horária entre todos os profissionais e a falta de enfermeiros nos serviços.
“Só queremos mais dignidade no nosso trabalho”, admite Liane Lúcio, de 32 anos, enfermeira de Saúde Materna e Obstetrícia há dois anos no Hospital de Santarém, confirmando que os serviços de maternidade sentem bastante a falta de recursos humanos naquela unidade. Apesar disso, diz, “aqui nunca houve falta de cuidados mínimos, também porque nós fazemos das tripas coração para que os nossos utentes tenham toda a qualidade de cuidados que merecem”.
Uma situação que obriga a que ela e os seus colegas, muitas vezes, não tenham tempo para almoçar ou que andem numa roda-viva ao longo de todo o turno. “Primeiro estão eles”, confessa a profissional residente em Rio Maior.
“É uma situação grave o que se está a passar”, afirma Maria Teresa Figueiredo, 51 anos, enfermeira no serviço de Oncologia do Hospital de Santarém, enquanto coloca a sua vela no chão junto à entrada do estabelecimento de saúde. “Eu nem sei como tem sido possível manter os doentes tão bem cuidados porque as pessoas neste momento estão cansadas”, confessa a profissional com 29 anos de experiência, não entendendo por que razão a classe tem sido esquecida e desvalorizada todos estes anos. “Nós somos quem cuida dos doentes, por que é que ninguém cuida de nós?”, questiona.
A mesma opinião é partilhada por Sara Nascimento, 30 anos, e Rita Pimentel, 45 anos. Para as enfermeiras de Saúde Materna e Obstetrícia no Hospital de Santarém, o problema é que “cada vez mais tem aumentado o número de utentes, contrariamente ao número de enfermeiros que é cada vez menor”. Além disso, acrescenta Sara Nascimento, “têm aumentado as necessidades e as exigências da população, também porque as pessoas estão mais informadas e solicitam-nos muito mais. Até mesmo os familiares estão mais presentes e querem estar mais a par das situações e nós temos de dar resposta”.
Para Rosário Correia, enfermeira de Saúde Materna e Obstetrícia há dez anos no Hospital de Santarém, o problema está, sobretudo, a nível dos recursos humanos. E explica: “Aqui, por exemplo, no serviço de maternidade, o bloco de partos onde trabalho está assegurado apenas com especialistas de carreira o que nos traz um horário extremamente penoso e exausto. Eu, com 56 anos, estou a fazer três noites por semana para além dos outros turnos. Até quando vamos conseguir aguentar?”.

“Somos nós que cuidamos dos doentes mas ninguém cuida de nós”

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