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Um médico que não foi para engenharia devido aos cálculos matemáticos que fez

Um médico que não foi para engenharia devido aos cálculos matemáticos que fez

Eduardo Doutel Haghighi, especialista em medicina interna no Hospital Vila Franca de Xira

Edição de 04.10.2017 | Três Dimensões

Filho de pai iraniano e mãe portuguesa, Eduardo, 34 anos, é um apaixonado pela medicina que gosta de se colocar à prova todos os dias. Diz que a seriedade, coerência e curiosidade são os valores dos quais os médicos não podem abdicar. Recentemente venceu um prémio nacional da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ligado à geriatria e adora trabalhar no Hospital Vila Franca de Xira.

Adoro praticar desporto e sobretudo crossfit. Mas gosto também de praia para relaxar e umas festas ao pôr do sol. É preciso saber desligar a cabeça do trabalho. Também gosto de viajar e todos os anos tento fazer uma viagem que seja de sonho. A próxima, se tudo correr bem, será à Argentina.

Nasci em Teerão, capital do Irão, mas vim para Portugal com três meses. O meu pai é iraniano e a minha mãe portuguesa. Conheceram-se em França e decidiram viver aqui. Ainda não consegui ir visitar a cidade onde nasci mas essa viagem não está posta de parte.

Quando era pequeno tinha os sonhos típicos de uma criança, como vir a ser astronauta. O meu tempo a infância e juventude não se pode comparar com o tempo em que vivemos. Tínhamos outra forma de pensar e outra maturidade Havia uma relação menos virtual do que hoje em dia.

Uma pessoa que não seja naturalmente curiosa e estudiosa não dá para a profissão de médico. Um médico deve ter como valores principais a seriedade, coerência, curiosidade e gostar sempre de estudar. Sou médico especialista de medicina interna no Hospital Vila Franca de Xira e também o coordenador do Percurso Clínico do Idoso (PCI) nessa unidade de saúde. O médico tem de ser alguém em quem se possa confiar plenamente. Adoro o que faço e considero-me uma pessoa polivalente: Quando me dedico a algo é logo a duzentos por cento. Devo a minha situação actual aos meus pais, que me ensinaram os valores da educação e do rigor.

Fui um bom aluno e era quase sempre o mais certinho e o mais reservado. A dada altura duas profissões assaltaram-me a mente: engenharia, por influência do meu pai que também é engenheiro e medicina. Quando era pequeno a imagem do meu pediatra marcou-me e vi que era aquilo que queria ser. O meu pediatra era uma pessoa altamente credível. Quando entrávamos no consultório víamos uma aura à sua volta, era sábio, nunca errava no que falava. Isso marcou-me bastante e pensei em seguir as suas pisadas.

Ponderei muito bem que profissão ia escolher. Fiz um quadro com os prós e contras de cada opção, dei uma ponderação a ambas e matematicamente calculei a que ganhou. Isso foi excelente porque a pessoa em vez de ficar confusa até ao momento da decisão, está a usar os seus argumentos próprios de prós e contras, sabe o que é bom e mau em cada decisão e assume-a. A medicina saltou logo à frente de forma destacada.

Ainda vivo em Lisboa e a falta de tempo impede-me de conhecer melhor Vila Franca de Xira. Mas gosto imenso de trabalhar aqui. Recentemente a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa distinguiu-me com o prémio Nunes Correa Verdades de Faria, no âmbito do “progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas”. Gosto muito da geriatria, área em que, infelizmente, parece que o país ainda não se debruçou muito. Fui o mentor do Percurso Clínico do Idoso, uma iniciativa que visa melhorar a assistência aos doentes com mais de 65 anos, traduzindo-se num acompanhamento rápido, completo e eficaz dos idosos que necessitam de cuidados hospitalares. O objectivo é aumentar a autonomia e a independência dos idosos, melhorando a sua qualidade de vida e reduzindo as complicações decorrentes da duração do internamento.

Em paralelo com o Percurso Clínico do Idoso temos feito outros trabalhos a nível interno. Temos uma consulta multidisciplinar de geriatria que é única no país. Temos também um serviço de farmácia para evitar que os idosos tomem muita medicação ou em doses erradas. Vamos começar a recolher dados para demonstrar que estes idosos ficaram melhor com o PCI. Se correr bem poderá ser um projecto para ser implementado noutros hospitais do país. Espero no futuro poder continuar a desenvolver projectos na área dos idosos.

Um médico que não foi para engenharia devido aos cálculos matemáticos que fez

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