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Críticas e agradecimentos nas despedidas de autarcas do Cartaxo

Vereador Paulo Neves (PSD) foi incisivo na última reunião do mandato, criticando a gestão socialista em anteriores mandatos que levou a descalabro financeiro do município.

Edição de 11.10.2017 | Política

O vereador da oposição na Câmara do Cartaxo, Paulo Neves (PSD), despediu-se das lides políticas na última sessão camarária e afirmou que sai com o sentimento de dever não cumprido. “Entrei ainda no mandato do presidente Paulo Caldas [PS], altura em que a câmara já estava completamente destruída financeiramente. Nunca consegui que Paulo Caldas pensasse de uma maneira mais próxima de mim. Este segundo mandato foi para corrigir os erros do anterior mandato. Pagar a dívida astronómica do município era o único caminho a trilhar. O sentimento de dever não cumprido é por não ter conseguido ir mais longe do que queria”, afirmou, acrescentando que no próximo mandato vai haver “folga” para fazer mais coisas e fazer o concelho “renascer das cinzas”.
A última reunião do mandato durou apenas 45 minutos e serviu para os autarcas fazerem balanços e agradecimentos. O presidente da câmara, Pedro Magalhães Ribeiro (PS), que passou a ter maioria absoluta, elogiou a oposição, sobretudo os autarcas que vão deixar funções políticas, nomeadamente os vereadores Sónia Serra (PS), Paulo Neves (PSD), Vasco Cunha (PSD) e Paulo Varanda (movimento independente).
O vereador do movimento independente Nuno Nogueira, - agora eleito pela Coligação Nós Cidadãos, que integra o PSD – também agradeceu o apoio durante o mandato que agora termina e fez um balanço positivo dos últimos quatro anos. Fernando Amorim e Sónia Serra também fizeram os mesmos agradecimentos e balanço de final de mandato.
Vasco Cunha despediu-se das lides políticas e sublinhou que não estavam propriamente num funeral mas sim num final de ciclo. “Amanhã começa já outro ciclo político e é assim que devemos ver as coisas. Não podemos ficar tristes nem saudosistas. Fizemos o nosso trabalho o melhor que pudemos e soubemos fazer”, reforçou.

Muitas despedidas também na assembleia municipal
Também a última sessão da Assembleia Municipal do Cartaxo ficou marcada por despedidas. Luísa Pato, do PSD, referiu que lhe deu imenso prazer exercer funções autárquicas. E deixou algumas críticas na hora do adeus. “Deixo a política com um concelho pior do que estava quando comecei. Não perdi o sentido crítico que a política nos ensina e isso é um ensinamento muito bom”, afirmou.
O presidente da Junta de Freguesia de Valada, Manuel Fabiano, eleito do Movimento Pelo Cartaxo, discordou. “O concelho do Cartaxo está muito melhor do que estava há 30 anos. Além disso, a única coisa que posso afirmar é que o povo tem sempre razão e decide os destinos das freguesias e do concelho ao votar”, disse, agradecendo a todos a “paciência” que tiveram consigo e garantindo que é um adeus definitivo da política.
O seu colega de bancada, Hélder Anacleto, também aproveitou para dizer que termina o mandato com o sentido de dever cumprido. O autarca Pedro Reis (PSD) falou de sentimentos díspares na hora da despedida: “Por um lado, saio com a consciência tranquila de que tudo fiz para desempenhar da melhor forma as funções que me foram confiadas. Por outro lado, sinto o amargo do peso de ver um território que em 20 anos se degradou e se tornou pior para quem cá escolheu viver”.
Quem se despediu, mas com um até já, foi o eleito Pedro Barata (PSD) que, à semelhança dos seus colegas de bancada, considera que o concelho se tem vindo a degradar. “Apesar de terem sido feitas coisas boas, o balanço é muito negativo. As coisas boas que foram feitas, infelizmente, tiveram um custo muito elevado”, disse.

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