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Benavente despediu-se em peso do último dos “sardinheiros”

Benavente despediu-se em peso do último dos “sardinheiros”

O médico Joaquim Cândido Mendes de Almeida era um dos filhos mais acarinhados da vila. Faleceu aos 90 anos, depois de uma vida cheia ao serviço da comunidade.

Edição de 11.10.2017 | Sociedade

A Igreja da Misericórdia e o cemitério de Benavente assistiram no sábado, 7 de Outubro, à despedida emotiva de um dos filhos mais queridos da terra: Joaquim Cândido Mendes de Almeida faleceu de morte natural aos 90 anos. Foi médico, um dos fundadores da Comissão da Festa da Amizade e da Sardinha Assada, um homem de tradições, com muitos amigos e uma vida plena de trabalho em prol dos seus conterrâneos. Na hora da despedida, Benavente em peso deslocou-se à igreja e ao cemitério, e mais de 40 “sardinheiros”, entre os actuais e os de anos anteriores, vestiram-se a rigor para homenagearem o fundador e a família que ele deixou: a esposa, Maria Alice, o filho, José, a filha, Francisca, o genro, Henrique Neves, a neta, Maria Francisca, e uma bisneta, Carlota.
Joaquim Cândido nasceu em Benavente a 26 de Dezembro de 1926. Estudou no colégio até ao liceu, altura em que o tio, Manuel Lopes de Almeida, o levou para Coimbra, onde era director da Biblioteca da Universidade, para o ter por perto. Cândido estudou no Liceu Nacional D. João III e ingressou de seguida em Medicina. Nos tempos livres fazia parte do grupo do Teatro Gil Vicente.
Terminado o curso, regressou às origens e abriu o primeiro consultório em Benavente, ainda em casa dos pais, onde exercia as duas especialidades, Medicina Geral e Ginecologia. Pouco depois juntou-se ao Montepio, onde os benaventenses iam antes de existir o Centro de Saúde de Benavente, e também passou a exercer lá a profissão. “Para o consultório de casa adquiriu aquela que veio a ser uma das maiores mais-valias para o resto da vida dele: a primeira máquina de Raio-X do distrito de Santarém, nos anos 60”, conta o genro, Henrique Neves, acrescentando: “A novidade da máquina fazia com que viessem doentes de muito longe para serem vistos por ele”.
O médico atendia também noutro consultório em Santo Estêvão e, em 1961, alistou-se voluntariamente na Força Aérea como um dos primeiros médicos pára-quedistas portugueses. Chegou a integrar três comissões em África durante a Guerra Colonial e teve um consultório em Angola durante uma delas. Finda a guerra, regressa a Portugal e continua como médico nas bases aéreas de Tancos e do Montijo. Também se torna médico da Misericórdia de Benavente, onde mais tarde é eleito provedor.
“A qualquer hora do dia ou da noite, desde que o chamassem ele ia ajudar. Muitas vezes chegou a atender doentes a quem não cobrava porque sabia que não tinham possibilidades mas precisavam de ajuda”, recorda o genro Henrique.
O envolvimento com a terra e as suas gentes leva-o também a ser um dos fundadores da Comissão da Festa da Amizade e da Sardinha Assada, de cujos membros fundadores, conhecidos como “sardinheiros”, era o único ainda vivo.
O amor à tauromaquia levou-o a integrar a comissão que angariou fundos para a construção de uma praça de toiros em Benavente, que nunca foi concluída. Foi também médico do Grupo Desportivo de Benavente e padrinho do Grupo de Fadistas de Benavente.

Deixou de exercer após sofrer um AVC
Há cerca de vinte anos, Joaquim Cândido sofreu um AVC que lhe afectou a perna esquerda e a mobilidade, levando-o a deixar a Medicina. “Acredito que tenha sido por excesso de trabalho. Às 7h00 da manhã já ele tinha à porta de casa dezenas de pessoas para atender, só de manhã, porque de tarde ia para a Misericórdia e para os outros locais onde exercia. Foi demais para ele”, conta o genro.
Joaquim Cândido manteve-se, contudo, sempre presente no associativismo e em todas as iniciativas de Benavente. “Adorava receber os amigos e os sardinheiros em sua casa e no seu quintal, servia aqui almoços e contribuía sempre para a sua festa”, conta Henrique.
Foi em casa da filha e do genro, uma casa de praia em Vila Nova de Milfontes, que faleceu na sexta-feira, 6 de Outubro, aos 90 anos, depois de uma vida preenchida e plena de trabalho.

Benavente despediu-se em peso do último dos “sardinheiros”

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