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Histórias que vale a pena contar no rescaldo das autárquicas

Histórias que vale a pena contar no rescaldo das autárquicas

O MIRANTE fez uma ampla cobertura das eleições autárquicas na região mas como o espaço no jornal é finito nem todas as matérias puderam entrar na edição dedicada a esse sufrágio que definiu quem vai governar os nossos municípios e freguesias nos próximos quatro anos. Aqui ficam algumas histórias que não perderam actualidade entretanto.

Edição de 11.10.2017 | Sociedade

Nas mesas de voto a camaradagem supera as rivalidades partidárias

Convivência salutar entre elementos de várias forças políticas numa assembleia de voto de Benavente

Nas mesas de voto na Escola Básica 2,3 de Benavente o ambiente entre os elementos responsáveis por orientarem o acto eleitoral não podia ter sido de maior camaradagem, reinando a boa-disposição entre os elementos das várias forças políticas. “O ambiente foi espectacular, damo-nos todos bem e nesta mesa não houve partidos, houve aqui um grupo de amigos!”, defendeu Francisco Neto, presidente da mesa de voto nº 4 e representante do CDS-PP.
Francisco já conhecia alguns dos outros elementos com quem partilhou a mesa e os dois estreantes foram integrados facilmente, tanto que, sem se puxar a brasa a nenhuma das sardinhas, Francisco só descobriu o partido dos outros representantes a meio do dia: “Falámos de política mas só para comentar aquilo que achávamos que estava bem ou mal no governo actual, não para defendermos as nossas cores, por isso demorei a perceber quem pertencia a qual”.
Célia Fernandes, candidata pelo PS e presidente da mesa nº 2, concorda: “O ambiente entre nós foi de grande cooperação, com o interesse de que corresse tudo bem e tentando resolver os problemas sempre em harmonia”.

Quando os membros das mesas de voto têm de ajudar os eleitores
Manuel Gutierrez, presidente da mesa nº1 e representante da CDU, já é presença habitual nas mesas de voto e não escondeu a satisfação por ver uma maior adesão do eleitorado em comparação com 2013. Manuel chegou, como antes, a ajudar alguns eleitores com dificuldades de visão ou outras complicações na hora de preencherem os boletins quando eles não iam acompanhados por ninguém.
“Conhecemo-nos todos uns aos outros cá em Benavente e quando é preciso ajudamos. Por exemplo, passou por aqui um senhor que ainda o ano passado estava bem e que entretanto teve um AVC e agora mal conseguia segurar na caneta e não conseguia preencher o voto, por isso teve de ser acompanhado pela mulher”.
Este ano, pela primeira vez e para ajudar a acelerar um pouco o processo de voto na mesa nº1, a mais concorrida e mais lenta da freguesia de Benavente devido à idade de muitos dos eleitores, foram disponibilizadas quatro cabines para se poder votar. Já a mesa de voto nº 5, onde estão inscritos os eleitores mais jovens, foi a menos concorrida, o que desiludiu Ana Luísa Raio, presidente da mesa nº 3 e representante do PSD: “Infelizmente os jovens têm aquela falta de consciência que na minha opinião é grave nos dias de hoje”. A jovem de 25 anos considera que a pouca adesão dos jovens se deve ao facto de estes não “verem um futuro em Benavente e acabam por perder um pouco o interesse neste dia que para mim sempre foi muito importante e que gostava que também fosse para eles”.

À margem

É difícil chegar a todo o lado

Os jornalistas de O MIRANTE fotografaram muitos autarcas no dia da votação e na hora de votar. Escolhemos os que ficavam no nosso caminho e mesmo assim falhamos alguns. Houve quem estranhasse a nossa ausência e tivesse lamentado não merecer as honras da reportagem fotográfica como foi o caso de Ricardo Oliveira, do PSD de Benavente, que manifestou a desilusão numa conversa com a jornalista de O MIRANTE.
Daqui a quatro anos prometemos correr ainda mais depressa nem que tenhamos que dormir também a correr.

Os jovens que não votam “são uns parvos”

Ana de Sousa Ganhão, 98 anos, faz questão de votar em todas as eleições que pode e defende que os mais jovens deviam fazer o mesmo.

Aos 98 anos, pequenina e com alguma dificuldade no andar, com a cara coberta de rugas que não lhe apagam a beleza, Ana de Sousa Ganhão fez-se acompanhar pelos dois filhos, Joaquim Ganhão, de 61 anos, e Maria Joaquina Ganhão, de 68, à Escola Básica 2,3 de Benavente no domingo, 1 de Outubro, para poder exercer o direito ao voto como tem feito em todas as eleições, e afirma sem rodeios: “Os jovens que não votam são uns parvos”.
“Os jovens querem tudo ali de mão beijada e não pode ser. O Governo já faz muita coisa que antes não podia fazer e mesmo assim eles não estão satisfeitos. Os jovens não querem saber e não vêm votar”, defende Ana.
Nascida, criada, casada e enviuvada na freguesia de Benavente, Ana olha para trás e reconhece que nestas eleições autárquicas houve mais gente que o normal. “Eu só saio de casa para ir à missa e vir votar e nos outros anos não havia tanta gente como desta vez”.
Quando o marido era vivo a família ia sempre que possível junta às urnas votar, sendo todos do mesmo partido. Agora Ana ainda vai acompanhada pelos filhos. O neto Paulo, de 18 anos, filho de Joaquim, votou este ano pela primeira vez e aproveitou para o fazer bem cedo, pouco depois das 08h30 da manhã. Paulo estuda em Alverca do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira, onde está a tirar o curso profissional de Electromecânica na Escola Secundária Gago Coutinho.

Histórias que vale a pena contar no rescaldo das autárquicas

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