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“O ritmo de vida hoje é tão acelerado que por vezes esquecemos o que andamos aqui a fazer”

“O ritmo de vida hoje é tão acelerado que por vezes esquecemos o que andamos aqui a fazer”

Cláudia Rodrigues Coutinho vai em breve assumir mais um desafio na sua vida: ser vereadora na Câmara de Santarém.

Edição de 12.10.2017 | Três Dimensões

Cláudia Rodrigues Coutinho, 40 anos, passou pelo Gabinete de Estudos do extinto Governo Civil de Santarém, pela equipa de apoio ao presidente da Câmara de Santarém, ajudou a gerir empresas do ramo privado. Deixou a vida stressante e acelerada que tinha e acompanhou o marido quando este foi trabalhar para Angola, dedicando-se nos últimos anos à educação dos filhos. Sol de pouca dura. Em breve, vai assumir as funções de vereadora na Câmara de Santarém, para as quais foi eleita em 1 de Outubro. Um novo desafio numa vida onde estes não têm faltado.

Gosto sempre de assinar com Cláudia Rodrigues Coutinho. Não consigo dizer o meu nome sem dizer Rodrigues, porque é aquilo que fui até chegar ao casamento. Claro que uso o nome Coutinho com todo o carinho e orgulho mas não sabia que se tinha de escolher na hora. Tive de decidir ali. Como não tinha muitos argumentos para não colocar o nome, assim ficou. Obviamente que não me arrependo.

Nasci em Alpiarça e foi nessa vila que vivi até sair para estudar na universidade. Fui para tirar uma licenciatura em Economia que não concluí por vários motivos. Integrei o Gabinete de Estudos Regionais do Governo Civil de Santarém, dirigido pelo Dr. Renato Campos, com quem aprendi imenso e que me marcou muito na minha vida. Acho que iniciei com o pé direito o meu percurso profissional.

Quando saí do Governo Civil fui trabalhar para uma empresa privada, também em Santarém. Estive lá durante cinco anos. As empresas onde trabalhei foram sempre empresas de amigos e quando comecei tinha algum receio. Por vezes somos grandes amigos e nem sempre somos bons colegas de trabalho. Enganei-me redondamente e correu tudo bem. Fizemos um óptimo trabalho até porque tínhamos uma grande relação de confiança.

Quando as pessoas me perguntam o que faço não consigo dizer assim directamente. Considero que sou boa em recursos humanos e quando assim é a pessoa é boa em tudo. Podemos perceber um bocadinho de economia e outras áreas mas se não soubermos lidar com as pessoas... Oitenta por cento das nossas capacidades têm de ser nessa área. Entender as pessoas, potenciá-las e metê-las a trabalhar. É isso que sei fazer melhor.

As pessoas vivem numa constante ambição, seja pelo dinheiro ou pelo poder. Não faz mal ser ambicioso mas não pode ser uma ambição vazia. O ritmo de vida hoje é tão acelerado e queremos tudo tão rapidamente que por vezes esquecemo-nos do que andamos aqui a fazer, esquecemo-nos dos outros que estão à nossa frente. As pessoas esquecem-se do essencial, não gozam, não aproveitam.

Já recomecei do zero duas vezes. Bem sei que não é fácil e eu pude fazê-lo por questões económicas. Olhei para mim e entendi que tinha uma vida completamente sem sentido. Andei assim durante dez anos. Completamente sem sentido e já fazia as coisas só porque tinha de fazer e já não estava a conseguir ter a serenidade suficiente. Obviamente que tinha uma estrutura financeira mas também digo que o dinheiro não é o mais importante.

Agora estou em casa e tomo conta dos meus filhos. As pessoas perguntam-me o que eu faço e devem pensar que não faço nada. Hoje em dia as pessoas pensam que o mais fácil é ficar em casa. É tão difícil como outro trabalho qualquer e é mais intenso porque são 24 horas.

Tive uma infância feliz em Alpiarça. Só me vem uma palavra à cabeça para a descrever, que é liberdade. Liberdade de poder andar a brincar na rua, de andar a fazer traquinices como tocar à campainha dos vizinhos, estar na rua até as mães nos chamarem, de subir às laranjeiras...

Angola surgiu por acaso em 2015. Eu e o meu marido sempre tivemos esse desejo de viver fora de Portugal. Surgiu o convite do 1º de Agosto e o Carlos foi primeiro e depois fui eu. Quando pisei aquele chão mexeu comigo. É um país difícil, com muita pobreza que vimos nas ruas. As pessoas vivem em condições que não estamos habituados a ver. Mas também não podemos ir para Luanda a achar que vamos ver o mundo a que estamos habituados.

Inicialmente vê-se o mau. Só o mau. A seguir vem o bom, como por exemplo a resiliência das pessoas, a coragem e a alegria. Isso foi uma lição de vida que me fez acordar. As crianças vivem felizes com o que têm. Inventam brinquedos. No início quando olhava para eles ficava chocada mas hoje só me apetece sorrir e brincar com eles.

“O ritmo de vida hoje é tão acelerado que por vezes esquecemos o que andamos aqui a fazer”

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