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Descoberta de material de guerra roubado caiu como uma bomba na Chamusca
Conversa. População foi apanhada de surpresa

Descoberta de material de guerra roubado caiu como uma bomba na Chamusca

Na vila não se tem falado de outra coisa na última semana, após ser anunciada a descoberta dos artigos roubados dos paióis de Tancos. “Ao menos isto traz animação a este fim do mundo”, diz um popular.

Edição de 25.10.2017 | Sociedade

O caso do aparecimento na Chamusca do material de guerra roubado dos paióis de Tancos é estranho e proporciona-se a brincadeiras. A bomba rebentou no mesmo dia em que a ex-ministra da Administração Interna se demitiu e o material foi imediatamente retirado durante a madrugada pela Polícia Judiciária Militar sem avisar a Unidade Nacional de Contra-Terrorismo da Judiciária civil que tinha a investigação nas suas mãos. Ingredientes suficientes para piadas explosivas e conversas de café que têm durado nos últimos dias na vila, que nunca tinha visto tantos jornalistas à procura do local do achado, num terreno ermo a curta distância do Campo Militar de Santa Margarida.
Na terra, toda a gente foi apanhada de surpresa e nem autarcas nem as autoridades locais, como a GNR, sabiam pormenores sobre o que se passou na madrugada daquela quarta-feira, 18 de Outubro, quando o material foi resgatado. “Na Chamusca não se fala de outra coisa, é verdade”, dizia Dina Costa, proprietária de um café junto à zona industrial da Chamusca, enquanto ia ouvindo a conversa e as teorias avançadas pelos vários clientes sentados na esplanada do estabelecimento. Um dos clientes, António José Neves, ainda não acredita como foi possível roubarem material de guerra do interior de um quartel. “Há tropa a mais e os quartéis estão tão mal guardados?” questiona.
Dentro da vila, o movimento é pouco, passa um carro de vez em quando. Natália Bento está sentada numa escadaria junto ao quartel dos bombeiros da vila e conta a O MIRANTE que “agora toda a gente brinca com esta situação”. A funcionária da câmara municipal não gosta de ver o nome da sua terra nos noticiários por más razões. “Vem dar mau nome à terra”, diz ao mesmo tempo que afirma que “o ladrão não deve ser da Chamusca”.
Quem não se importa com o mau nome da terra é Luís Godinho, que está sentado no banco do jardim no centro da vila. “Nesta terra não se passa nada. Ao longo dos meus 73 anos tenho vindo a ver a Chamusca morrer. Ao menos isto traz animação a este fim do mundo”. António Cagarrinha, sentado a seu lado, também fala do assunto. “Ouvi falar que apareceram as armas mas não ouvi mais nada. Ouço os comentadores a falarem na televisão mas não sei em quem acreditar. Acho isto tudo muito estranho. O roubo foi feito com facilidade a mais”, teoriza o reformado.

Material guardado nos paióis de Santa Margarida
A Polícia Judiciária Militar (PJM) informou em comunicado que, no âmbito de investigações de combate ao tráfico e comércio ilícito de material de guerra, “recuperou na madrugada de 18 de Outubro, na região da Chamusca, com a colaboração do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé, o material de guerra furtado dos Paióis Nacionais de Tancos”. De acordo com o comunicado, “o material recuperado já se encontra nos Paióis de Santa Margarida, à guarda do Exército, onde está a ser realizada a peritagem para identificação mais detalhada”.
Recorde-se que, em 29 de Junho, o Exército revelou a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois ‘paiolins’, tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros. Entre o material de guerra furtado dos Paióis Nacionais de Tancos estavam “granadas foguete anticarro”, granadas de gás lacrimogéneo e explosivos.
O Exército decidiu encerrar os paióis nacionais de Tancos, optando por concentrar o material nas instalações de Santa Margarida e admitindo armazenar algum material nos paióis dos outros ramos, em caso de necessidade.

Humor na redes sociais

“Armamento de Tancos encontrado na Chamusca mas Azeredo Lopes não o recebe de volta porque segundo ele nunca existiu” - Inimigo Público
“Habitantes da Chamusca roubam material de Tancos para declararem a sua independência” - Tiago Teixiera no Twitter
“O armamento de Tancos era para armar o soviete da Chamusca?” ​- ​João no ​T​witter
“Madonna descobriu as armas de Tancos enquanto procurava uma casa na Chamusca” ​- ​Imprensa Falsa no Twitter
“Nova teoria da conspiração: As armas de Tancos nunca desapareceram.Estavam guardadas para atenuar eventuais problemas no Governo”​ -​VP no Twitter
“O Daesh devolveu as armas de Tancos, este país consegue destruir-se sozinho”​ -​ kamponez no Twitter

Caso é motivo de chacota

A aparecimento do material de guerra roubado em Tancos tem aguçado o humor dos habitantes da vila. Nas redes sociais já são partilhadas piadas e fotomontagens com tanques na entrada de toiros.

Descoberta de material de guerra roubado caiu como uma bomba na Chamusca

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