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Dina Vacas dá nova vida a livros antigos e estragados

Dina Vacas dá nova vida a livros antigos e estragados

É em feiras e mostras nacionais e através da página do Facebook que a artesã de Vila Franca de Xira mostra os livros que restaura e encaderna e os sacos que confecciona.

Edição de 25.10.2017 | Sociedade

Quando lhe chega às mãos um livro antigo e danificado, em vez de o deitar fora Dina Vacas dá-lhe nova vida restaurando-lhe a capa ou fazendo-lhe uma nova, colando e recuperando as folhas rasgadas ou colando à lombada as que se foram soltando. “Quando recebo um livro desmancho-o sempre, independentemente do quanto ele está estragado, e passo folha a folha para ver se estão rasgadas”, explica. Se estiverem, passa-as com uma folha própria para as colar, seca-as com o ferro de engomar e ficam como novas. Depois junta-as todas, põe-nas na prensa e cose-as. A seguir junta-lhes um pouco de tarlatana, semelhante a uma gaze, que vai ajudar a segurá-las à lombada. Quanto à capa, Dina também já reparou, quando possível, ou fê-la do princípio.
“Tento sempre usar o mesmo papel e a mesma cor, tudo igual à capa antiga. Faço tudo sozinha, excepto o douramento (gravação) das letras e símbolos na capa, aí peço ajuda a um amigo de Lisboa que é mesmo dourador”. Admite que tenta sempre restaurar as capas antigas, mas que opta quase sempre por as fazer de novo “porque quando alguém pede para restaurar um livro é porque lhe tem um sentimento especial e o quer manter por muito tempo, por isso tento que fique nas melhores condições”.
A artesã, de 66 anos, natural de Alhandra e residente em Vila Franca de Xira, foi professora de Educação Visual e Tecnológica do 2º e 3º ciclo do Ensino Básico. Começou em 1972 numa escola em Azambuja e de lá passou pela Póvoa de Santa Iria, Camarate, Alverca e Vila Franca de Xira, onde esteve quase 30 anos na Escola Vasco Moniz.
Há oito anos aposentou-se e passou a ter tempo para se dedicar aos livros: “Não consigo estar parada. Parei um ano depois de me aposentar e o meu marido dizia-me que ia dando em maluca e dando com ele em maluco também! Por isso pensei no que podia fazer para me entreter e como gosto muito de livros e de os recuperar, comecei a fazê-lo”.
No início Dina não pensava lucrar muito com o passatempo, porque os materiais que usa são caros e não faz mais que alguns restauros e encadernações por mês. Porém, aos poucos e poucos a arte foi-se tornando conhecida e agora além de ir a feiras como a Feira Internacional de Artesanato da FIL, no Parque das Nações, e o 37º Salão de Artesanato da Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, tem uma página no Facebook por onde lhe fazem encomendas que já ultrapassaram os limites do concelho de Vila Franca de Xira: “De Santarém a Lisboa, mais ninguém faz isto, só eu”, defende, orgulhosa, dizendo que já tem um volume de trabalho suficiente para ser rentável mas que quer mantê-lo como um passatempo e não como uma obrigação com horário fixo.
Dina também confecciona sacos de presente, cujas encomendas aumentam na época natalícia, e ainda é presidente da assembleia geral da Associação de Artesãos de Vila Franca de Xira, onde conheceu a amiga, presidente da associação, que lhe cedeu espaço no seu ateliê para poder dar largas à sua arte.

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