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Doces da terra continuam a reinar na Feira Nacional de Doçaria de Abrantes

Doces da terra continuam a reinar na Feira Nacional de Doçaria de Abrantes

Palha de Abrantes, tigeladas e mulatos foram algumas das guloseimas ao dispor dos visitantes na iniciativa que já vai na 16ª edição.

Edição de 02.11.2017 | Economia

Manuel Correia, 70 anos, marcou presença como expositor na 16ª edição da Feira Nacional de Doçaria Tradicional, que decorreu no fim de semana em Abrantes, onde deu a provar as iguarias criadas pela sua arte de pasteleiro. Começou a trabalhar aos onze anos numa pastelaria de Santarém, de onde é natural. O gosto pela confecção de bolos e doces levou-o até Abrantes, onde aos dezasseis anos começou a trabalhar na pastelaria “Camy”. Aí aprendeu parte dos segredos da confecção da tão apreciada palha de Abrantes, das tigeladas, dos mulatos e outras iguarias da zona que o acompanharam até hoje.
Em 1981, Manuel Correia inaugurou a pastelaria “Tágide”, no Rossio ao Sul do Tejo, e o sucesso foi garantido pelas receitas dos doces típicos de Abrantes. Chegou a ter oito empregados, mas actualmente ele e o filho Fernando Correia dão conta do recado. Garante que vai continuar de portas abertas seguindo a tradição dos doces que sempre fez e que as pessoas continuam a procurar na sua pastelaria. O filho tem outras ideias, diz Manuel, dá formação de pastelaria e quer confeccionar doces gourmet. “Mas essa é a vida dele, eu vou continuar a fazer os doces tradicionais que as pessoas gostam de consumir quando vão à minha pastelaria”, afirma.
Manuel Correia diz que é muito raro as pessoas irem à sua pastelaria e não levarem uma caixa de palha de Abrantes, mas nas feiras também se vendem muito bem as tigeladas e os mulatos. A profissão de pasteleiro é um desafio e uma satisfação. Recorda o dia em que confeccionou cerca de duzentas tigeladas para um casamento. Quando estavam prontas a embalar lembrou-se que se tinha esquecido de adicionar o açúcar. Não havia tempo para fazer outra fornada e desenrascou-se fazendo uma calda forte com água e açúcar, pela qual passou depois as tigeladas. Não revelou o segredo e entregou as tigeladas. O resultado não podia ser melhor. “Todos disseram que nunca tinham comido tigeladas tão boas”, conta Manuel bem disposto. Mas garante que nunca mais repetiu a receita, preferindo a segurança da receita tradicional.
A pastelaria “Palha de Abrantes”, em Abrantes, faz jus ao nome. O proprietário Pedro António destaca o doce típico de Abrantes como o mais procurado, não só na pastelaria, mas também nas feiras onde marca presença. A Feira Nacional de Doçaria Tradicional na sua cidade, destaca Pedro, é uma óptima oportunidade para fazer negócio e mostrar produtos novos, como os bolinhos de farinha de amêndoa. A pastelaria abriu portas em 1964 e desde então o sucesso das vendas assenta sobretudo na palha de Abrantes, nas tigeladas, nas broas fervidas.
A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, considera que a Feira Nacional de Doçaria Tradicional assume particular importância “para estimular a identidade e economia local, tendo por base os produtos endógenos do concelho”. A autarca, que confessa ser particular apreciadora da palha de Abrantes, “consumida como uma iguaria rara”, sustenta que este tipo de certames é muito importante para projectar o concelho fora de portas e acrescentar valor à economia familiar e local.

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