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Doente acamada impedida de ir a junta médica por falta de ambulâncias
Maria da Glória dorme no sofá desde que foi enviada para casa porque o marido não a consegue transportar para a cama

Doente acamada impedida de ir a junta médica por falta de ambulâncias

Nenhuma das seis corporações de bombeiros nem a Cruz Vermelha tinham meios disponíveis para auxiliar a paciente, moradora em Santarém.

Edição de 08.11.2017 | Sociedade

Uma doente acamada, residente em Santarém, ficou impedida de comparecer a uma junta médica da Segurança Social porque num raio de cerca de trinta quilómetros não existiam ambulâncias disponíveis para a transportar, nem nos bombeiros nem na Cruz Vermelha Portuguesa. Maria da Glória, 59 anos, tinha pedido a reforma por invalidez e ficou assim impedida da avaliação para lhe ser atribuída a pensão porque as entidades que fazem o transporte de doentes não têm capacidade de resposta para tanta procura, chegando a ser necessário requisitar o serviço com mais de um mês de antecedência. O que neste caso era impossível porque a doente foi avisada da consulta na Segurança Social de Santarém três dias antes.
António Pedro, marido da doente, contactou sete entidades, seis corporações de bombeiros de vários concelhos e a Cruz Vermelha de Santarém mas nenhuma conseguiu garantir o serviço de transporte, que não demorava muito mais de uma hora, na manhã de sexta-feira, 3 de Novembro. Foi a própria Segurança Social que disse ao marido da doente para contactar os bombeiros no sentido de esta ser transportada aos serviços para avaliação da sua incapacidade. Perante o impedimento, a solução agora pode passar por ser a equipa da junta médica a deslocar-se à residência, na periferia da cidade, perto da Escola Superior Agrária.
“Contactei os Bombeiros Voluntários de Santarém, que me disseram logo que não podiam fazer o serviço. Contactei os Municipais que me disseram que esses serviços eram com os Voluntários porque eles só faziam emergências. Telefonei para as corporações de Pernes, Almeirim, Alpiarça e Alcanena que também não tinham disponibilidade de meios. Só os Bombeiros de Alcanede, concelho de Santarém, tinham uma vaga mas era num horário depois da hora da marcação da junta médica”. António Pedro apresentou uma carta a explicar a situação à Segurança Social que adiou a avalição para outra oportunidade.
Maria da Glória Silva dorme no sofá desde que foi enviada para casa porque o marido, de 76 anos, não tem forças para a movimentar. “Não posso com ela. É um corpo morto. Já caiu uma vez quando tentei pô-la na cama e tive que chamar os bombeiros. Agora tem de dormir no sofá porque não consigo levá-la para a cama”, desabafa António Pedro.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Santarém, Rui Carvalho, explica a
O MIRANTE que a marcação de transportes tem de ser feita pelo menos com cinco dias de antecedência para se conseguir vaga, atendendo ao elevado número de serviços. Rui Carvalho acrescenta ainda que naquela corporação “os meios humanos e veículos estavam esgotados para aquele dia”.

Doente acamada impedida de ir a junta médica por falta de ambulâncias

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