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Projecto pioneiro em Samora Correia para crianças com necessidades educativas especiais
Sistema Snoezelen ainda está a dar os primeiros passos em Portugal

Projecto pioneiro em Samora Correia para crianças com necessidades educativas especiais

A Escola Básica Professor João Fernandes Pratas passou a dispor de uma sala terapêutica Snoezelen que oferece estímulos sensoriais a alunos com autismo, défices de atenção e cognitivos e outras patologias.

Edição de 08.11.2017 | Sociedade

A Escola Básica Professor João Fernandes Pratas, do Agrupamento de Escolas de Samora Correia, já está dotada de uma Sala Snoezelen, um sistema terapêutico que usa luzes, sons, cores, texturas e aromas para estimular os sentidos e provocar prazer, ajudar a relaxar e aprofundar as capacidades dos jovens com necessidades educativas especiais, que nesse agrupamento são cerca de 150.
A ideia de criar a sala partiu de três elementos do corpo docente da escola: o psicólogo Vítor Martinho e as professoras Catarina Ferreira e Carla Silva. O equipamento custou mais de três mil euros e a REN (Rede Eléctrica Nacional), principal patrocinadora, comparticipou com 2.500 euros. O restante foi coberto pelos fundos que o agrupamento angariou o ano passado na festa do final de ano, com a Feira Ribatejana.
A sala ainda não está completa. De entre os quatro equipamentos essenciais, já conta com as fibras ópticas, a coluna de água e o projector, mas falta a cama de água, que custa 2.700 euros e que os professores esperam adquirir com o apoio do município, de outros patrocinadores e com os fundos da Feira Ribatejana deste ano. A Caixa Agrícola já avançou com 200 euros para a cama, que será instalada na sala maior para onde passará o sistema Snoezelen, já que a sala onde está agora, uma antiga arrecadação, é provisória.

Um espaço que também ajuda quem sofre de ansiedade
A Sala Snoezelen foi inaugurada no dia 31 de Outubro mas na semana anterior já serviu para ajudar uma aluna de 12 anos a superar uma crise de ansiedade. “Encontrei-a a meio do ataque e levei-a para a sala, sentei-a no ‘puff’ com as fibras ópticas à volta dela, desliguei as luzes, deixei apenas as fibras e a coluna de água ligadas e ela acalmou-se muito depressa”, conta Vítor Martinho.
A sala pode ser usada por dois jovens de cada vez, acompanhados por um técnico, mas no caso das crianças autistas será usada individualmente. “Na formação que recebi, e transmiti aos colegas que vão estar a dar apoio comigo, aprendi que temos de dosear os estímulos consoante as patologias. Para uma criança autista entrar na sala e ter tudo aceso ao mesmo tempo ou estarem lá mais crianças pode ser prejudicial”, explicou Vítor Martinho.
O sistema Snoezelen ainda está a dar os primeiros passos em Portugal e é muito raro nas escolas. A da Escola João Fernandes Pratas é a primeira da rede pública do concelho de Benavente. Só há outra no Centro de Recuperação Infantil de Benavente (CRIB), onde também tem sido benéfica para os jovens da instituição.

Sistema inventado na Holanda

O sistema terapêutico Snoezelen foi inventado na Holanda nos anos 70. Em Portugal já existem algumas salas, a maioria em instituições privadas e muito poucas em escolas da rede pública. Os estímulos não fazem bem apenas às crianças, havendo por isso salas destas em lares e instituições para idosos ou adultos com patologias especiais.

Projecto pioneiro em Samora Correia para crianças com necessidades educativas especiais

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