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Três anos depois vítimas de legionella em Vila Franca de Xira ainda aguardam “justiça”
Vítimas estão há três anos à espera que se faça justiça

Três anos depois vítimas de legionella em Vila Franca de Xira ainda aguardam “justiça”

Em Novembro de 2014 o concelho foi afectado por um surto que causou 12 mortes e infectou 375 pessoas com a bactéria. Associação de apoio às vítimas queixa-se da lentidão da justiça e pede contas ao Estado, que em muitos casos tem recusado apoio judiciário aos lesados.

Edição de 08.11.2017 | Sociedade

Três anos depois de um surto de ‘legionella’ ter afectado o concelho de Vila Franca de Xira as vítimas continuam a aguardar por uma “indemnização” e que os responsáveis sejam punidos pela justiça. Em Novembro de 2014 o concelho de Vila Franca de Xira foi afectado por um surto de ‘legionella’ que causou 12 mortes e infectou 375 pessoas com a bactéria. As vítimas mortais tinham entre 43 e 89 anos.
Em Março deste ano foi proferida uma acusação do Ministério Público (MP) que indiciou sete pessoas e duas empresas (a Adubos de Portugal e uma firma responsável pelo tratamento de água) pelos crimes de infracção de regras de conservação e ofensas à integridade física.
O MP sustenta que o surto de ‘legionella’ no concelho de Vila Franca de Xira foi causado pela “manifesta falta de cuidado” dos arguidos que não cumpriram “um conjunto de regras e técnicas na conservação/manutenção” de uma das torres de refrigeração da ADP. No entanto, o MP só conseguiu apurar nexo de causalidade em 73 das pessoas afectadas e em oito das 12 vítimas mortais.
Inconformada com esta acusação a associação de apoio às vítimas do surto de ‘legionella’ de Vila Franca de Xira decidiu requerer em Março a abertura de instrução do processo e avançar com uma acção popular contra o Estado, aguardando agora por uma decisão do tribunal. “Estamos naquela fase de respostas de pedidos de apoio judiciário e da notificação dos envolvidos”, disse à agência Lusa a advogada da associação, Ana Severino.
Muitas vítimas sem apoio judiciário
A advogada referiu que a maioria das vítimas de ‘legionella’ tem solicitado apoio judiciário mas em muitos casos “esse pedido tem vindo a ser recusado. “O processo não está parado mas está numa fase mais burocrática. Pelas minhas contas, lá para o Natal poderemos ter novidades”, perspectivou.
Por seu turno, o presidente da Associação de Apoio às Vítimas de ‘Legionella’ e também ele uma vítima, Joaquim Ramos, queixou-se da lentidão da Justiça e dos dramas sociais que resultaram do surto. “Muita gente ficou com sequelas graves para o resto da vida. Temos pessoas que ficaram a viver com grandes dificuldades financeiras e que acabaram por desistir de apresentar queixa por não terem dinheiro. Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para os ajudar”, contou.
O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS), também lamentou toda a demora na resolução do processo e instou o Governo a ter “um papel mais activo” no apoio às vítimas da ‘legionella’. “O Governo devia assumir já um apoio àqueles que mais necessitam pois foi um problema muito grave aquilo que aconteceu nas suas vidas. As coisas já deviam estar mais aclaradas”, defendeu o autarca.
Alberto Mesquita lamentou também que a Assembleia da República não tenha alterado ainda a lei que respeita às exigências de manutenção das empresas. “Em termos ambientais há que repensar bem este assunto”, apontou.
A agência Lusa contactou também fonte da administração da empresa Adubos de Portugal mas esta escusou-se a fazer comentários sobre este caso.

Três anos depois vítimas de legionella em Vila Franca de Xira ainda aguardam “justiça”

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