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Ainda está por fazer a travessia do Vale do Sorraia e falta cumprir a regionalização

Ainda está por fazer a travessia do Vale do Sorraia e falta cumprir a regionalização

Francisco Oliveira nascido a 11/11/64, Presidente da Câmara de Coruche
Edição de 16.11.2017 | Aniversário

Se voltasse a ter trinta anos e soubesse o que sabe hoje o que faria diferente?

Acho que não faria nada de muito diferente, excepto dar mais atenção à família que é o meu porto de abrigo. O importante é vivermos no tempo próprio e sentir-nos bem com as decisões e atitudes que tomamos. Gosto muito do que faço e realizo-me nas funções que desempenho actualmente.

Viveu bem a sua juventude?

Cada um viveu a juventude à sua maneira em função do grupo de amigos e das possibilidades dos pais. Nesse sentido posso dizer que vivi bem a minha juventude. Sou filho único, os meus pais sempre me acompanharam e me transmitiram valores importantes que ainda hoje me servem de referência e sempre fiz o que achei que devia fazer, sem grande oposição deles. Gostava de ter tido um irmão ou irmã com quem pudesse ter partilhado muita coisa mas tive muitos e bons amigos que, de certa forma, compensaram isso.

Quais foram os acontecimentos e as decisões mais importantes da sua vida pessoal nos últimos trinta anos?

Tive dois momentos marcantes. O falecimento do meu pai na sequência de um acidente de viação há 13 anos, que foi um choque tremendo para mim e para a minha mãe, pois éramos muito próximos e amigos e nada fazia prever o que aconteceu; e o nascimento do meu filho. Tem hoje 14 anos e é um jovem extraordinário, muito atento, muito responsável, muito sensível e preparado a todos os níveis. É o filho que sempre quis ter.

O que não aconteceu na região nos últimos trinta anos e deveria ter acontecido?

O desenvolvimento da região foi notável quer a nível económico, quer de acesso aos cuidados básicos de saúde, à educação, à justiça, à cultura. Melhoraram-se as acessibilidades, o que permitiu aumentar o potencial de atractividade do distrito que só por si tem uma localização extraordinária para potenciais investidores e há uma maior equidade entre rendimentos mas faltou cumprir a regionalização.

Dos grandes investimentos feitos em termos públicos quais destaca?

A Ponte Salgueiro Maia fez toda a diferença para a população de Coruche. Basta pensarmos, por exemplo, no tempo que demorávamos a chegar ao Hospital de Santarém. O mesmo posso dizer da A23 porque todos nos lembramos que chegar ao norte do distrito era muito moroso. Lembro-me sempre do que era viver no interior antes das auto-estradas e das vias rápidas e antes de existir o ensino politécnico na região mas não posso deixar de dizer que está mais que na hora de a tutela olhar de uma vez por todas para o sul do distrito como um todo e que ainda está por fazer a travessia do Vale do Sorraia.

Há quantos anos conhece
O MIRANTE? Que relação tem com o jornal e que alterações lhe faria para gostar mais dele?

Sou um leitor assíduo do Jornal O MIRANTE. Olhando para o seu trabalho conseguimos desenhar a região e visualizar os principais acontecimentos ocorridos na mesma. Este é o nosso jornal; o jornal da região. Porque
O Mirante tem um pouco de cada um de nós, de cada ribatejano. Soube adaptar-se à evolução dos tempos, continuando fiel à matriz de dar voz aos concelhos do distrito e conseguiu criar as parcerias necessárias (Já não consigo imaginar o Expresso sem O MIRANTE) para o fazer ainda com maior eficácia evoluindo para o online.

Onde residia há trinta anos? Como era a terra há trinta anos? O que é que gostava que voltasse a ser como era?

Vivia na minha freguesia de nascimento, a Fajarda, que passados trinta anos está muito diferente porque foram feitas infra-estruturas rodoviárias e foi feito o abastecimento de água e implantado o saneamento básico na maior parte da freguesia. Tudo tem o seu tempo próprio e não podemos viver agarrados ao passado mas há trinta anos atrás vivíamos com menos preocupações, principalmente dos perigos que nos ameaçam e aos nossos filhos na actualidade. Havia também mais tempo para o verdadeiro convívio social e pessoal, sem a internet a gerar dependências. Claro que não podemos viver agarrados ao passado, como se não existisse nada melhor nem outras opções de vida. É importante acompanhar o desenvolvimento a todos os níveis. Afinal, hoje somos cidadãos do mundo.

Como seria Portugal fora da União Europeia?

Apesar de todos os problemas e ameaças, sou um europeísta convicto e acredito que se Portugal não tem aderido à CEE em 1986 estaríamos hoje com níveis de atraso ainda maiores em relação aos restantes países da Europa. Foi a adesão que contribuiu para o desenvolvimento económico e social que tivemos nos últimos trinta anos. Sem os fundos estruturais não teríamos uma das mais elevadas taxas de esperança média de vida, nem a maioria das crianças teria acesso ao ensino pré-escolar. Os estudantes não teriam acesso ao Erasmus nem teríamos a possibilidade de circular livremente pela Europa. Não são só rosas, é verdade, mas tudo visto e ponderado não consigo imaginar Portugal fora da União Europeia.

Ainda está por fazer a travessia do Vale do Sorraia e falta cumprir a regionalização

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