uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Fizeram-se vários hospitais em vez de um hospital a sério só para satisfazer os orgulhos dos autarcas

Fizeram-se vários hospitais em vez de um hospital a sério só para satisfazer os orgulhos dos autarcas

José Veiga Maltez nascido a 07/10/1956, médico e Presidente da Câmara da Golegã
Edição de 16.11.2017 | Aniversário

Onde residia há trinta anos? Como era a terra há trinta anos? O que é que gostava que voltasse a ser como era?

Já na Golegã. Era uma terra que vivia da glória do passado!! Uma década depois tentei, como presidente de câmara, usar esse passado, não como “passadista” já que não o sou, para servir de estímulo para o presente e de referência para o futuro, usando a nossa história, a nossa memória e a nossa identidade cultural, como base do progresso e desenvolvimento, numa simbiose de tradição com a modernidade.

Portugal aderiu à CEE (actual União Europeia) há pouco mais de trinta anos (1 de Janeiro de 1986). Como acha que seria actualmente o país se essa adesão não tivesse acontecido?

Acho que seria bastante diferente já que chegou o progresso e o desenvolvimento desejados com essa adesão, que certamente seriam mais tardios e morosos.

A ponte Salgueiro Maia foi inaugurada em Junho de 2000, a A23 foi concluída em 2003, a extinção das lixeiras a céu aberto foi há menos de vinte anos, os novos hospitais de Tomar e Torres Novas foram inaugurados no início do século, os Institutos Politécnicos de Santarém e Tomar têm pouco mais de trinta anos...lembra-se de algum destes acontecimentos e do que pensou na altura?

Recordo-me muito bem destes acontecimentos. E o que pensei na altura? Entre outros, o erro de se terem construído vários hospitais, como o de Torres Novas, de Tomar e de Abrantes, ao invés de se ter construído um bom, eficaz e operante hospital, que servisse todas as valências médicas e cirúrgicas, localizado no epicentro na nossa região, como um hospital central, que servisse as populações daquelas cidades e de todas as vilas que as circundam. A descentralização actual dos recursos e os custos de acesso e mobilidade mostraram a falta de visão política. No fundo, limitaram-se a satisfazer os desejos e os orgulhos dos autarcas respectivos e não a satisfação dos verdadeiros direitos merecidos por todas as populações, merecedoras de um serviço de saúde mais apto, mais capaz, pela oferta qualificativa, que teria ao ser centralizado!

Há quantos anos conhece
O MIRANTE? Que relação tem com o jornal e que alterações lhe faria para gostar mais dele?

Uma relação saudável! Alteração? Talvez não! Um aditamento. Um Canal TV diário e regular para a nossa região, à semelhança, sem ser semelhante, do Canal do Correio da Manhã, entre outros.

Se voltasse a ter trinta anos e soubesse o que sabe hoje o que faria diferente em termos pessoais e/ou profissionais?

O eterno “Se”!! Na maioria dos casos, quer a nível pessoal, quer a nível profissional, manteria as mesmas decisões e soluções que encontrei. É que como Rudyar Kipling no seu “Se”, tento ser capaz de sonhar, sem que o sonho me domine, de confiar em mim, quando os outros de mim duvidam, de tentar bem enfrentar o triunfo e os dissabores, de conservar o meu senso, quando os outros o perdem e de tentar não decepcionar aqueles que contam comigo. Sobretudo, continuaria, se voltasse a ter 30 anos, a ser igual a mim próprio.

Viveu bem a sua juventude ou desaproveitou-a? Porquê?

Acho que vivi bem a minha juventude. Aproveitei-a como pude, aliás, é uma fase da minha vida, que me deu grande prazer descrever e de relatar pelas vivências que tive, no meu livro “Entre a Razão e o Coração – Dilema de um Médico Autarca”.

Lembra-se de alguma decisão pessoal importante que tenha tomado ou sido obrigado a tomar por altura dos trinta anos ou nos últimos trinta anos? Qual foi e que efeitos teve na sua vida?

Lembro-me e bem! A circunstância de não ter pensado na carreira hospitalar, em Lisboa, e optado pela carreira de clínica geral, então em Torres Novas para regressar e me fixar na Golegã, terra das minhas origens!

Fizeram-se vários hospitais em vez de um hospital a sério só para satisfazer os orgulhos dos autarcas

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...