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Pagou-se para se deixar de produzir e criaram-se auto-estradas para receber as importações

Pagou-se para se deixar de produzir e criaram-se auto-estradas para receber as importações

Emídio Almeida nascido a 22/07/1961, CEO Tutivet, Human Power e Pentabizz

“Os miúdos aprendiam o que era o trabalho e iam para a escola já com a escola da vida. Cedo aprendiam a tratar dos animais ou a mexer num tractor. Aprendiam a negociar e a dar valor ao dinheiro. Hoje vão comprar pacotes de leite ao supermercado e pedem dinheiro aos pais para o telemóvel novo. Não fazem a mínima ideia de onde vêm as coisas, nem do seu valor. Não o digo com saudosismo mas creio que os jovens hoje têm muitas distracções e poucas responsabilidades. Isto potencia a imaturidade”.

Edição de 16.11.2017 | Aniversário

A minha juventude foi muito rica e não a trocaria por nada. Cresci no meio agrícola e tive a sorte de ter uns pais maravilhosos que me ensinaram valores fundamentais como a integridade, a honra, a ética, a humanidade, a lealdade, a justiça, a importância do trabalho, etc…

O exemplo é a coisa mais contagiosa que existe. E eu tive excelentes exemplos. Uma criança aprende a criar os seus próprios valores através dos exemplos que observa na família, na escola, etc. Nós criamos os nossos valores e depois eles criam-nos a nós. Porém, nós não somos o resultado daquilo que nos aconteceu mas sim o resultado daquilo que escolhemos ser. O que determina o nosso destino não são as nossas condições mas sim as nossas decisões.

A nível pessoal a decisão mais importante que tomei por volta dos trinta anos foi adoptar uma criança. Um filho altera radicalmente a nossa vida e é uma experiência maravilhosa. A nível profissional a grande decisão foi a de iniciar a minha actividade empresarial, tanto na clínica de campo, como inaugurando a minha primeira clínica veterinária.

Santarém é capital de distrito e o respeito pela sua riqueza histórica não teria sido beliscado se tivesse sido dada atenção ao seu desenvolvimento. O desenvolvimento a nível industrial, comercial e de serviços, teria alavancado, diria mesmo catapultado, o desenvolvimento de Santarém. Muitos investimentos teriam ficado neste concelho em vez de terem “escorregado” para outros lados. Santarém precisa de uma linha ferroviária à sua medida, por exemplo.

Os grandes investimentos em obras públicas no início do século melhoraram a qualidade de vida na região. Foram, naquela altura, acontecimentos com uma dimensão enorme. Hoje vemo-los como simples passos de um desenvolvimento absolutamente necessário e normal.

Conheço O MIRANTE há uns vinte anos e tenho com ele uma relação de admiração e de respeito. É um jornal que apresenta uma verticalidade e independência invejáveis. Também tem uma capacidade de “pensar fora da caixa” inovando e assumindo o risco, como o faz por exemplo com esta edição e envolvendo-se com organizações de renome como a Nersant e o BNI.

Há trinta anos eu residia, tal como hoje, nesta linda cidade de Santarém, na quinta onde cresci e onde sempre vivi. Fiz a minha licenciatura em Medicina Veterinária, em 1985, e comecei de imediato a trabalhar na extinta Ribacal – Cooperativa Leiteira do Ribatejo. Quando comecei a trabalhar não havia horários, nem fins-de-semana, nem feriados. Os partos, as cesarianas aconteciam a qualquer hora, maioritariamente à noite, e nessa altura não havia telemóveis. Muitas vezes ia fazer uma cesariana a Leiria, por exemplo, e quando chegava, tinha uma chamada para ir fazer outra na exploração ao lado.

Há trinta anos os agricultores, associados da Ribacal, com explorações maiores, davam emprego a muita gente. Os agricultores de menor dimensão, muitas vezes trabalhavam nalguma empresa durante a semana e a família, cônjuge e filhos tomava conta das vacas, vitelos, horta, etc…. Ao fim-de-semana era quando havia maior reboliço. Todos geravam riqueza.

Uns iluminados acharam que Portugal não tinha condições para fazer agricultura e que devia restringir-se ao turismo. Pagou-se para se deixar de produzir. Criaram-se muitas auto-estradas para receber as importações. Vi com muita tristeza centenas de explorações agrícolas a fechar, a ficar ao abandono.

Fora da União Europeia estaríamos num nível de desenvolvimento muito distanciados do resto da Europa. Mas, como já o disse antes, a história deve servir para interpretarmos o presente e projectarmos o futuro. Mais do que aquilo que nos aconteceu, ou porque aconteceu, devemos focar as nossas energias e galvanizarmo-nos em torno de uma visão futura, com objectivos bem definidos. O que nos falta é liderança e a liderança não é inata. Aprende-se. E nós não temos ensino de liderança em Portugal. E um país sem líderes está pré destinado ….

Pagou-se para se deixar de produzir e criaram-se auto-estradas para receber as importações

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