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Pertencer à União Europeia não é a causa dos nossos males como alguns nos querem fazer crer

Pertencer à União Europeia não é a causa dos nossos males como alguns nos querem fazer crer

Domingos Martinho nascido a 24/03/1954, director do ISLA Santarém
Edição de 16.11.2017 | Aniversário

Como foi a sua juventude?

Vivi a minha juventude com o espectro da guerra colonial sempre presente. E isso marcou muito a forma como a minha geração viveu essa altura da vida. A ideia de ter uma vida pela frente em que todos os sonhos eram possíveis perdia sentido quando assistíamos ao que se passava com os nossos amigos e vizinhos alguns anos mais velhos do que nós e que iam para a guerra. Alguns não voltavam e outros voltavam com problemas para o resto das suas vidas.

E se voltasse a ter trinta anos?

Se voltasse a ter trinta anos, julgo que não alterava nada do que fiz. Nessa altura, tal como agora, voltaria a sentir saudades do futuro!

Qual foi a decisão mais importante que tomou por volta dos trinta anos?

A decisão mais importante que tomei foi ter voltado a estudar já com 35 anos. Candidatei-me aos então chamados exames “ad hoc” para ingressar no ensino superior, e entrei no ISLA que tinha acabado de abrir em Santarém, onde fiz a licenciatura em Informática de Gestão. Esta decisão deu-me oportunidades de realização profissional que de outra forma nunca teria tido.

O que é que falta fazer na região?

Já deveríamos ter sido capazes de afirmar a região, enquanto comunidade com identidade cultural e histórica, quer a nível nacional quer a nível internacional. Já perdemos muito tempo mas ainda é possível. Vamos a isso?

Lembra-se do que pensou quando foram feitas as grandes obras como pontes, auto-estradas, etc...

Perante alguns investimentos públicos feitos no início do século lembro-me de ter pensado que ainda iriam abrir um hospital ou uma escola do ensino superior na minha terra, que é Reguengo do Alviela e que agora tem 24 habitantes e há 30 anos tinha cerca de 200. Falando a sério, pensei que éramos um país do oito ou do oitenta. Estávamos a passar do centralismo em que era “Lisboa e o resto paisagem” para um regionalismo de “capelinha”, pequenino, de vistas curtas, para satisfazer clientelas que, como agora se está a ver, só nos podia trazer a este resultado.

Desde quando conhece O MIRANTE?

Conheço o Mirante desde sempre. O Mirante é o amigo com quem tomo café pelo menos uma vez por semana e que me conta as grandezas e misérias da minha terra.

Onde vivia há trinta anos? Como era a terra nessa altura?

Há trinta anos residia em Santarém. O centro histórico já estava a ficar deserto logo que chegava a noite mas ainda assim tinha (mais) vida.

E se não tivéssemos aderido à então CEE?

Se não tivéssemos aderido à CEE, hoje União Europeia, seríamos um país diferente para pior. Pertencer a este grande espaço de liberdade e de progresso não é a causa dos nossos males como alguns nos querem fazer crer.

Pertencer à União Europeia não é a causa dos nossos males como alguns nos querem fazer crer

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