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Se tivesse trinta anos e soubesse o que sei hoje trabalhava mais para ser escritor

Se tivesse trinta anos e soubesse o que sei hoje trabalhava mais para ser escritor

Pedro Ferreira nascido a 02/01/1952, Presidente da Câmara de Torres Novas

Se voltasse a ter trinta anos o actual presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Pedro Paulo Ramos Ferreira, diz que apostaria mais na formação em áreas sociais, tema que o estimula permanentemente (é um dos fundadores do CRIT - Centro de Reabilitação e Integração Torrejano) e iniciaria “sem medos” um percurso como escritor de livros infanto-juvenis e na área das artes plásticas. Profissionalmente, tendo começado a trabalhar como inspector na área de Seguros, diz que faria exactamente o mesmo.

Edição de 16.11.2017 | Aniversário

Viveu bem a sua juventude?

Vivi-a muito bem. Toda ela foi integrada no escutismo, que é uma escola extraordinária onde o sentido da responsabilidade e da solidariedade se entrosam com momentos de aventura, de imensa alegria e de espírito de grupo. Fiz aí amizades para toda a vida. Ainda hoje, tantos anos depois, recordo com imensa saudade esses momentos e só deixei o escutismo para me dedicar à criação do CRIT.

Além disso, faço parte dos “sortudos” que durante a sua juventude testemunharam a chegada do homem à Lua, a revolução musical dos anos sessenta, com destaque para os Beatles, o 25 de Abril de 1974 (estava no Quartel General do Campo Militar de Santa Margarida nessa altura). Pessoalmente testemunhei também os anos dourados do meu Benfica com o Eusébio, o Coluna, o torrejano José Torres e muitos outros.

Lembra-se de alguma decisão pessoal importante que tenha tomado ou sido obrigado a tomar por altura dos trinta anos ou nos últimos trinta anos?

Talvez a decisão mais importante tenha sido rejeitar o convite feito pelo então primeiro Bispo da Diocese de Santarém para ser Chefe Regional do Corpo Nacional de Escutas, a fim de me dedicar a cem por cento à criação do CRIT- Centro de Reabilitação e Integração Torrejano, que me agarrou como Presidente da direcção durante 37 anos. Foi uma experiência maravilhosa.

O que não aconteceu na região nos últimos trinta anos e deveria ter acontecido?

A valorização da marca Ribatejo. O Médio Tejo e a Lezíria do Tejo, embora solidariamente unidos, não têm uma linha comum estratégica que consolide e promova uma província rica em património natural, cultural e com grande potencial socioeconómico.

A ponte Salgueiro Maia foi inaugurada em Junho de 2000, a A23 foi concluída em 2003, a extinção das lixeiras a céu aberto foi há menos de vinte anos, os novos hospitais de Tomar e Torres Novas foram inaugurados no início do século, os Institutos Politécnicos de Santarém e Tomar têm pouco mais de trinta anos...lembra-se de algum destes acontecimentos e do que pensou na altura?

Lembro-me obviamente de todos mas sobretudo da A23 que teve um significado especial para mim. Enquanto inspector de seguros, ao fazer a zona de Mação, tinha passado pela experiência da não existência de uma via rápida, essencial para o desenvolvimento dos concelhos do interior. De igual modo senti que era muito importante para Torres Novas como elo de ligação às via rápidas, ficando numa localização extraordinariamente privilegiada e que iria provocar um maior desenvolvimento económico, como aconteceu.

Quanto aos três hospitais do Médio Tejo continuo a pensar que foi um erro político que ainda hoje estamos a pagar. Devíamos ter apenas um único hospital na região, situado numa zona estrategicamente bem escolhida, onde se concentrasse todo o esforço financeiro, dotando-o dos melhores equipamentos e de bons técnicos onde se concentrassem todas as valências e especialidades médicas. Em suma, um hospital equivalente aos melhores do país.

Há quantos anos conhece
O MIRANTE? Que relação tem com o jornal e que alterações lhe faria para gostar mais dele?

Conheço O MIRANTE desde a sua fundação há trinta anos. Depois de um forte esforço O MIRANTE conseguiu ter uma abrangência regional. É um jornal com uma linha editorial onde a polémica suscita a procura mas onde todos, mesmo não gostando dele, gostam de nele constar, se numa linha positiva. Nos dias de hoje, na era da notícia e internet onde os olhos semicerram e se transformam ao jeito do ecrã e se perde o cheiro do papel pintado de letras e o sopro para mudar a folha, que alterações poderei sugerir? Sinceramente, acho que a busca de alterações constantes poderá originar muitos jornais iguais e aí já não haverá interesse em pegar em nenhum em especial.

Onde residia há trinta anos? Como era a terra há trinta anos? O que é que gostava que voltasse a ser como era?

Sempre residi em Torres Novas. Há trinta anos era mais pacata e sem os equipamentos culturais, educacionais e desportivos que tem hoje e que a referenciam a nível nacional mas sempre foi uma terra bonita. Pessoalmente gostaria que voltasse a ser uma referência internacional no sector da fiação e tecidos e da metalurgia, embora hoje outros sectores industriais se evidenciem e gerem emprego.

Portugal aderiu à CEE (actual União Europeia) há pouco mais de trinta anos (1 de Janeiro de 1986). Como acha que seria actualmente o país se essa adesão não tivesse acontecido?

A adesão à CEE gerou alguns sonhos e expectativas de uma igualdade socioeconómica comparativamente com os outros estados membros, que ainda está longe de acontecer. É imperioso que a União Europeia persista na busca da equidade dos seus povos, na segurança dos mesmos, em suma: no melhoramento contínuo de qualidade de vida. O saldo da entrada de Portugal na CEE até hoje continua a ser muito positivo, fruto também da conquista e cultivo da liberdade democrática que originou esta adesão.

Se tivesse trinta anos e soubesse o que sei hoje trabalhava mais para ser escritor

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