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Uma região com autonomia é um elemento essencial de coesão e de desenvolvimento

Uma região com autonomia é um elemento essencial de coesão e de desenvolvimento

 Mário Pereira nascido a 29/04/1969, Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça
Edição de 16.11.2017 | Aniversário

O que não aconteceu na região nos últimos trinta anos e deveria ter acontecido?

A regionalização, tal como no todo nacional. Falta esta dimensão administrativa do país, que está definida na Constituição desde 1976 e que, por força do centralismo reinante nos partidos que se têm revezado no governo, tem sido impedida, em prejuízo das regiões e das populações, a diversos níveis. Uma região administrativa com autonomia do Ribatejo ou que englobasse o Ribatejo seria um elemento essencial de coesão e de desenvolvimento.

Portugal aderiu à CEE (actual União Europeia) há pouco mais de trinta anos (1 de Janeiro de 1986). Como acha que seria actualmente o país se essa adesão não tivesse acontecido?

A entrada de Portugal na CEE esteve muito ligada a uma determinada perspectiva política, a uma definição de modelo de sociedade que fosse o oposto de caminho que estava a ser seguido, na sequência do enorme impacto da Revolução de Abril e de todas as conquistas do povo português. Portugal na CEE (UE) é o processo de integração no sistema capitalista, com o progressivo acentuar dos diferentes défices do nosso país (comercial, agrícola, alimentar, energético, etc.) e o aumento da dependência do exterior que, de crise em crise, de que o maior exemplo é a intervenção da “troika”, nos tornam um país submisso, com políticas determinadas pelos interesses estrangeiros.

A ponte Salgueiro Maia, a Ponte das Lezírias, a A23, a extinção das lixeiras a céu aberto, a construção do novos hospitais, foram alguns dos grandes investimentos públicos feitos na região nos últimos trinta anos. Lembra-se do que pensou na altura em que foram feitos?

Foram realizações muito importantes para o distrito de Santarém e para o Ribatejo. No que respeita ao impacto directo em termos pessoais, destaco a ponte Salgueiro Maia, que foi um importante elo de ligação entre os concelhos da região e entre o norte e o sul do país, com tudo o que isso implica de positivo.

Há quantos anos conhece
O MIRANTE? Que relação tem com o jornal e que alterações lhe faria para gostar mais dele?

Leio O MIRANTE desde que começou a aparecer por Alpiarça, no bar dos Águias, logo nos primeiros anos de existência, quando ainda era visto como o jornal da Chamusca. Desde essa altura o jornal deu importantes saltos qualitativos que o levaram a extravasar a nossa região, conquistando milhares de leitores. Quanto à sugestão de alterações, é coisa que não faço. É aspecto que deixo aos seus profissionais e à administração que, tal como até aqui, saberão encontrar as formas de levar um jornal e um jornalismo de qualidade a cada vez mais gente, ultrapassando os enormes desafios que se colocam à imprensa neste momento.

Se voltasse a ter trinta anos e soubesse o que sabe hoje o que faria diferente?

Há tantas coisas que eu faria de forma diferente se voltasse a ter 30 anos.Não sou como “o outro” que dizia que nunca tinha dúvidas e que raramente se enganava. Mas como não voltarei a ter 30 anos também não terei as oportunidades necessárias para fazer as coisas de forma diferente do que fiz e, por isso, nem vale a pena gastar muito tempo a pensar no assunto.

Viveu bem a sua juventude ou desaproveitou-a? Porquê?

Julgo ter aproveitado bem os meus tempos de adolescência e juventude, procurando aprender, divertindo-me, criando amizades para a vida, cometendo erros e fazendo algumas asneiras também, tudo isso aspectos que considero fundamentais para a formação da minha personalidade e do que sou como pessoa. Como diriam os meus avós: “foram tempos bons que não voltam mais”.

Onde residia há trinta anos? Como era a terra há trinta anos? O que é que gostava que voltasse a ser como era?

Há 30 anos, no memorável ano de 1987, vivia na terra mais bonita do mundo, porque é a minha, Alpiarça; tinha feito 18 anos, tinha acabado o 12º ano e jogava futebol no CD “Os Águias” de Alpiarça, entre várias outras coisas que fazia, sobretudo as coisas que cimentam as amizades para a vida. Embora tivesse sempre gostado da minha terra, com 18 anos há a natural vontade de conhecer outras realidades; foi o que aconteceu algum tempo após, com a entrada na Universidade; e depois, passados uns anos, o regresso às origens. A nostalgia da nossa infância e juventude leva-nos muitas vezes a desejar regressar ao passado, o que é impossível.

Lembra-se de alguma decisão pessoal importante que tenha tomado ou sido obrigado a tomar por altura dos trinta anos ou nos últimos trinta anos? Qual foi e que efeitos teve na sua vida?

Lembro. Refiro duas decisões muito importantes na minha vida: foi exactamente quando tinha 30 anos que eu e a minha mulher tomámos a decisão de aumentar a família, ou seja, de termos filhos; foi exactamente quando tinha 30 anos que também decidimos vir viver (no meu caso, de regressar) para Alpiarça, depois de cerca de 10 anos na bonita cidade de Braga.

Uma região com autonomia é um elemento essencial de coesão e de desenvolvimento

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