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Industriais de curtumes apelam à população que denuncie infracções ambientais

Industriais de curtumes apelam à população que denuncie infracções ambientais

Em causa os maus cheiros que se têm verificado em Alcanena cuja origem não está apurada. Representantes da indústria não querem que se confunda a parte com o todo. Assembleia municipal extraordinária debateu o tema e várias vozes apontaram o deficiente funcionamento da ETAR da vila como possível causa.

Edição de 16.11.2017 | Sociedade

Gabriela Rosa, da APIC - Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes, e Alcino Martinho, director do CTIC - Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, manifestaram preocupação com a situação ambiental que se vive em Alcanena - nomeadamente em relação aos maus cheiros cujas origens estão por determinar com absoluta certeza - e apelaram à população para que denuncie eventuais situações de atentados ambientais de que tenha conhecimento.
Esse apelo foi expresso na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Alcanena dedicada aos problemas ambientais, que decorreu na noite de 10 de Novembro com a presença de várias entidades ligadas à questão, com forte presença de industriais de curtumes e população.
Na mesma noite, o Movimento pela Saúde de Alcanena propôs que o município disponibilize um espaço no seu sítio na Internet onde a população possa dar conta de ocorrências de âmbito ambiental para proporcionar um rápido conhecimento por parte das entidades competentes e para activar a Autoridade de Saúde de acordo com as suas competências.
Pedro Caetano, um dos líderes do Movimento pela Saúde de Alcanena, leu uma declaração com algumas propostas aos órgãos decisores, defendendo a articulação entre os serviços tutelados pelos ministérios da Saúde, do Ambiente e da Administração Interna, que garanta o tratamento de resíduos e o cumprimento por parte dos utilizadores do sistema de Alcanena.

ETAR sob suspeita
A presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, lembrou que algum investimento tem sido feito ao longo dos últimos anos na área do tratamento de efluentes, como a requalificação da rede de colectores. “Não podemos dizer que estamos pior. Estaríamos pior se não tivessem havido estes investimentos”, disse a autarca, enumerando as já anunciadas medidas para combater os maus cheiros, como análises ao ar, auditoria à ETAR e ao aterro, análise ao pré-tratamento de águas das unidades industriais e o Observatório Ambiental.
O presidente do conselho de administração da AUSTRA - Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, Joaquim Inácio, referiu que nasceu, vive e trabalha em Alcanena, tal como a sua família, e por isso tem todo o interesse em que a situação dos maus cheiros se resolva.
Questionado pelo presidente da assembleia municipal, Silvestre Pereira, sobre a origem dos maus cheiros, Joaquim Inácio disse que “não estava seguro” de que o mau odor tenha origem na ETAR, motivo que levou a AUSTRA a encomendar um estudo à Universidade de Aveiro, que está a decorrer, para ajudar a compreender a situação.
Também Carlos Castro, representante da APA - Agência Portuguesa do Ambiente, sublinhou as obras na ETAR de Alcanena que permitiram um salto qualitativo na melhoria do ambiente, mas acrescentou que é preciso continuar a melhorar o seu desempenho.
O Major Pedro Reis, a representar o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR, explicou que a par das muitas queixas que recebe e situações de incumprimento, os indícios apontam para a ETAR como fonte dos maus cheiros.

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