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“Nunca é tarde para aprender e para investirmos mais em nós”

“Nunca é tarde para aprender e para investirmos mais em nós”

Maria do Céu Fialho, 52 anos, é responsável pela Biblioteca Pública Fernando Gomes na Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira. Foi estudando e adquirindo conhecimentos ao longo da vida e hoje tem a felicidade de poder dizer que faz o que gosta.

Edição de 23.11.2017 | Identidade Profissional

Ambiciosa e sempre à procura de mais e melhor para si, Maria do Céu Fialho é uma alentejana a viver e trabalhar em Castanheira do Ribatejo, no meio dos livros da única biblioteca da freguesia. Foi em Évora que nasceu, a 17 de Janeiro de 1965, e onde estudou até ao 11º ano. Não chegou a concluir o ensino secundário por opção própria e um ano depois de sair da escola, com 20 anos, casou. O marido, Lino Fialho, veio trabalhar para a Atral Cipan, na Vala do Carregado, nesse ano e Maria do Céu mudou-se com ele e passaram a viver em Castanheira do Ribatejo.
Passou os dois anos seguintes como doméstica até se tornar colega do marido. Esteve na Atral Cipan três meses, a fazer as férias de outra funcionária, antes de voltar a ficar desempregada. Regressou mais tarde à empresa, por ter deixado uma boa impressão. “Os meus patrões disseram-me que tinham gostado do meu trabalho, perguntaram-me se ainda estava disponível para voltar e eu nem hesitei”, confessa Maria do Céu.
A segunda passagem pela empresa durou cerca de um ano, altura em que saiu, de livre vontade, para trabalhar como administrativa numa empresa da área da imagiologia em Lisboa. Também ali não se sentiu realizada e no final de 1990 voltou às raízes, ao Alentejo, e trabalhou como auxiliar de acção educativa no único jardim-de-infância da sua terra natal, São Bartolomeu do Outeiro. Passaram-se seis anos instáveis: “Não foram tempos nada fáceis e foi nessa fase que procurei uma alternativa que me permitisse maior estabilidade profissional e, ao mesmo tempo, estar mais próxima do meu marido e do meu filho”. Foi o filho, João Miguel, na altura com sete anos e hoje com 32, quem mais pesou na sua decisão e a fez trocar a escola no Alentejo pela dos Cotovios, onde ele estudava e onde pôde acompanhar o dia-a-dia dele.
No entanto, o seu espírito curioso queria mais e Maria do Céu decidiu terminar o secundário através do programa Unidades Capitalizáveis, em que estudava durante o dia em casa e tinha aulas em regime pós-laboral para tirar dúvidas com os professores. “Sou muito ambiciosa por adquirir conhecimento e, por isso, consegui ser uma das únicas quatro pessoas, numa turma de 24, a concluir o 12º ano dessa forma. Foi uma grande vitória para mim porque é preciso uma enorme capacidade de organização para conseguir estudar desta forma”, conta Maria do Céu.

Orgulho no diploma
Da escola dos Cotovios passou para outra na Castanheira do Ribatejo, onde acabaria por ficar responsável pela biblioteca e onde despertaria o “bichinho” para esta função que a levou a tirar mais tarde o curso de Técnico Bibliotecário, Arquivista e Documentalista. “Não há coincidências. Quando as coisas nos acontecem é porque estavam destinadas”, confessa. Foi assim que em 2005 entrou para a Biblioteca Pública Fernando Gomes, já como responsável, e hoje ainda lá está.
Ainda insatisfeita, sempre à procura de mais e melhor, Maria do Céu ingressou em 2009 na licenciatura de Ciências da Informação e Documentação da Universidade Aberta, mais uma vez num regime de aprendizagem complexo desenvolvido através da Internet. “Propus-me a meta de terminar não em três mas em quatro anos e consegui. O dia em que recebi o diploma foi o de maior alívio e orgulho da minha vida”, admite Maria do Céu, de sorriso de orelha a orelha: “Chorei por me sentir tão bem comigo mesma e digo a toda a gente que nunca é tarde para aprendermos mais e investirmos mais em nós!”.

“Nunca é tarde para aprender e para investirmos mais em nós”

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