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“Pensava que era o amor da minha vida até ao dia em que me apertou o pescoço”
Laura Macedo é vocalista da banda Xerife e voltou a encontrar o amor

“Pensava que era o amor da minha vida até ao dia em que me apertou o pescoço”

Laura Macedo, uma jovem de Coruche vocalista da banda Xerife, foi alvo de violência no namoro e decidiu contar a experiência. Não se vitimiza e diz que esses episódios negros abalaram-na mas não a derrubaram. A 25 de Novembro assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Edição de 23.11.2017 | Sociedade

A expressão popular “o amor é cego” aplica-se perfeitamente a Laura Macedo. A vocalista da banda Xerife, de Salvaterra de Magos, só descobriu o verdadeiro carácter do namorado por quem estava perdidamente apaixonada quando ele a maltratou fisicamente. “Pensava que era a pessoa certa, que ele era o amor da minha vida, até ao dia em que cheguei a casa e ele me apertou o pescoço. Aí, o meu mundo desabou. Foi como um murro no estômago”.
Foi com estas palavras que Laura abriu o coração a O MIRANTE dias antes de se assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a 25 de Novembro.“Decidi contar as minhas histórias para que as pessoas percebam que eu não sou uma vítima. Simplesmente foi um episódio negro na minha vida que me deitou abaixo mas não me derrubou”, admite a jovem de Coruche, de 33 anos.
Laura conta que não foi fácil superar o primeiro episódio de violência no namoro. “Ficamos com marcas para toda a vida mas tentei erguer-me”. O problema de quem sofre violência, diz, é que continua a acreditar no amor. “Depois vêm os arrependimentos e as desculpas e nós acreditamos que não vai acontecer novamente porque amamos e acreditamos profundamente que a outra pessoa nos ama. Mas é mentira. Essas pessoas não gostam de nós e não vão mudar. Temos de ser nós a mudar”, afirma.

Uma mudança para pior
Laura mudou mas não foi para melhor. Quando pensava que tinha encontrado finalmente a pessoa certa tudo se desmoronou novamente. “Namorei três anos com essa pessoa. Entretanto, as coisas não estavam a resultar e decidi terminar com a relação. Foi quando ele fez uma espera na casa da minha amiga, onde eu estava a dormir, e esfaqueou-a várias vezes”, conta, emocionada, dizendo que a amiga teve de ser operada de urgência.
Não se sabe se a tentativa de homicídio tinha como alvo a amiga ou ela mas o caso, que remonta a 2009, foi resolvido com uma pena de ofensa à integridade física. Apesar de terem sido 11 facadas o homem em causa não passou qualquer tempo na prisão. “Não percebo como podem acontecer coisas destas. Como a Justiça pode ser branda a este ponto de deixar os criminosos na rua e nós, vítimas, é que temos de andar com cuidado e com privação da liberdade”, lamenta.
Na altura, o sentimento de culpa consumiu-a mas a relação com a amiga, que conhece desde a primeira classe, nunca se alterou. Foi aí que a música teve um papel fundamental. “Ela ajudou-me a deitar tudo cá para fora e a virar a página”. De tal forma que, quando menos esperava, apareceu um novo amor. “Conheci o Marcelo Silva quando era vocalista de uma banda de Glória do Ribatejo, os Caroline, e ele foi lá gravar um ensaio. Depois, convidou-me para formar um projecto acústico, o Rock2Night, e aceitei. Mantivemo-nos amigos durante dois anos até que nos apaixonámos. Entretanto, começámos a namorar quando formámos a banda de covers, os FMI, ficámos noivos e agora casámo-nos”, ri-se.
E se a história parece pouco romântica, o pedido de casamento também não ficou atrás. “Um dia estávamos a conversar e reparámos que estar em união de facto é mais burocrático que estar casado. E decidimos casar. Agora o próximo passo é a lua-de-mel. É a parte melhor do casamento”, diz Laura com um sorriso.

Formada em jornalismo mas com a música no coração

A música entrou tarde na vida de Laura Macedo mas nunca mais a largou. Vocalista dos projectos musicais Xerife, FMI e Rock2Night a jovem coruchense revela que já em pequena sempre gostou de cantar mas nunca pensou que faria disso profissão. “Quando era miúda fazia as viagens de carro para o Algarve com os meus pais ou os avós sempre a cantar”, conta. Estudou até ao 12.º ano em Coruche, licenciou-se em jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, pós-graduou-se em televisão na Universidade Autónoma de Lisboa, estagiou na SIC e trabalhou no gabinete de comunicação da Câmara de Coruche.
A mudança deu-se aos 24 anos, quando uns amigos a convidaram para cantar numa banda, os Snow Flakes. A primeira actuação foi na Golegã e, a partir daí, o ‘bichinho’ pegou. “Entretanto, convidaram-me para fazer parte de uma banda da Glória do Ribatejo, os Caroline, e eu aceitei. Mais tarde, passei a fazer parte do projecto acústico Rock2Night, da banda de covers FMI e, mais recentemente, da banda de originais Xerife. “A banda Xerife era o meu sonho. Neste momento dedico-me a cem por cento a ela. De tal forma que já vamos para o lançamento do nosso terceiro EP, álbum composto por cinco músicas”, revela. “É um trabalho difícil mas muito compensador”, desabafa.

Próximo concerto em Marinhais

É na quinta-feira, 30 de Novembro, que a banda Xerife actua juntamente com a banda salvaterrense A Caixa, no Facebar, em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos. O início do concerto está marcado para as 23h00 e a entrada custa quatro euros.
Foi em 2014 que O MIRANTE fez uma reportagem com a banda Xerife. Na altura, estavam ansiosos pela apresentação da banda que se realizou no final de Outubro no bar Tokyo, em Lisboa. A banda, que nasceu em Abril desse ano, foi um sonho concretizado para o grupo já que sempre tiveram a ambição de criar uma banda de originais.

“Pensava que era o amor da minha vida até ao dia em que me apertou o pescoço”

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