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Cooperativa dos enchidos da Sopa de Pedra de Almeirim entre a espada e a parede

Município expulsa Encherim da fábrica se não forem pagos 140 mil euros dentro de um mês

Edição de 29.11.2017 | Economia

O cerco à cooperativa que explora a fábrica de enchidos tradicionais da Sopa de Pedra de Almeirim está a apertar. A câmara, dona do centro de corte e fabrico de enchidos, decidiu aprovar a resolução provisória do contrato de concessão de exploração à Encherim, que passará a definitiva se a cooperativa não pagar os valores de rendas reclamadas pelo município. Esta tem um mês para pagar ou negociar o pagamento e se não o fizer neste prazo será despejada. A autarquia não está a fazer finca-pé na matéria mas também não está a dar muita margem de manobra, atendendo a que as expectativas de promoção e até de fabrico dos enchidos estão aquém do que era esperado.
Em causa estão cerca de 140 mil euros de desfasamento em relação ao que foi pago de rendas das instalações entre 2010 e 2015. A cooperativa, dirigida pelo talhante Carlos Galão, alega que terá sido acordado com o anterior presidente, Sousa Gomes, já falecido, uma renda que tinha em conta a produção de enchidos. Mas não há qualquer documento que o comprove, segundo a análise dos serviços jurídicos da câmara, que dizem ser válido o contrato inicial e único que estabelece uma renda calculada à taxa de seis por cento do valor do investimento efectuado pelo município. Além das rendas, o município reclama uma indemnização pela mora do pagamento.
O fim do contrato será do interesse da câmara, atendendo a que não tem sido promovido o desenvolvimento e implantação dos enchidos da terra, ao ponto de várias lojas do concelho, que começaram a vender os produtos da Encherim, já não os têm em destaque no estabelecimento ou já nem os vendem. Também alguns restaurantes da capital da Sopa de Pedra não usam enchidos da cooperativa. A situação é criticada pela CDU, dizendo que “a falta de qualidade da gestão associada ao reduzido número de cooperantes, levaram a que este projecto fracassasse e que a câmara se visse envolvida num investimento ruinoso”.
O MIRANTE sabe que há entidades que já manifestaram à câmara o interesse em explorar a fábrica com outra dinâmica.
Recorde-se que o município decidiu avançar para a construção deste centro fabril numa altura em que passaram a ser exigidas aos talhantes salas de desmancha e de enchimento, que estes não conseguiam realizar, não só pelos montantes envolvidos como, em muitos casos, pela falta de espaço. A fábrica, que custou um milhão de euros, ficou concluída em 2007. A exploração foi concessionada à cooperativa, por um período de 25 anos.

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