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Seca

O autarca que plante um metro quadrado de relva deve ser penalizado. Fontes, rega de relvados, lavagens de ruas, lavagens de automóveis etc., têm que ser liminarmente proibidas. Tem que se dizer aos cidadãos que vai haver limitações ao consumo já pois cada dia que passa é tarde.

Edição de 29.11.2017 | Opinião

Os mais fieis leitores de O MIRANTE que, de quando em vez, passam os olhos pelo que escrevo sabem que já aqui publiquei prosa sobre a água umas dezenas de vezes. Não pensei escrever sobre a seca, pois todos o estão a fazer. Todavia, o “feche a torneira enquanto lava os dentes” entra-me pela casa adentro pela mão de especialistas e não consigo ficar quieto. Haja pachorra!
No dia em que escrevo, todas as primeiras páginas dos diários nacionais trazem a seca como tema. Tarde piaram. Digo que “a seca é tão natural como a sua sede”, é pura verdade. O que não é natural, e é estúpido, é tratar da seca agora, quando o país está em seca há muitos, muitos meses – do mesmo modo que não foi natural “tratar” da floresta quando o país estava a arder. A seca não se resolve agora. Agora é emergência. E, como tal, tem que se agir seriamente. Tem que se dizer, de vez, aos agricultores que a sua atividade, como todas, tem risco, e que têm de ser eles a assumir esse risco. Os eufóricos do turismo, designadamente as Finanças pelos impostos que cobram, têm de saber que sol agora é mau tempo. Tem que se explicar aos governos locais que a água é um bem escasso e como tal, ainda por cima tratada, nesta fase, só para utilizações essenciais. Já aqui escrevi que o autarca que plante um metro quadrado de relva deve ser penalizado. Fontes, rega de relvados, lavagens de ruas, lavagens de automóveis etc., têm que ser liminarmente proibidas. Tem que se dizer aos cidadãos que vai haver limitações ao consumo já pois cada dia que passa é tarde. Tem que se assumir que vamos ter situações climáticas extremas cada vez mais frequentes e que Portugal é um país perigoso nesta matéria; bem sei que isto não dá jeito a muitos, designadamente à gente do turismo e aos politiqueiros. Esta também é a hora de chamar os ecologistas de meia tigela à razão: se não fossem as barragens, o Tejo e o Douro, entre outros rios, já estavam secos. Também temos que saber todos, e trabalhar agora para minimizar a coisa, que a seguir vamos ter cheias. A maioria das medidas da estratégia nacional de adaptação às alterações climáticas, que depois se refletem nos planos regionais, são ridículas e não servem para nada, tal como o “Dia Europeu sem Carros” é uma enorme palermice. Na cidade onde vivo está em preparação uma campanha de sensibilização da população para a importância da água e da sua poupança e as crianças das 20 eco-escolas do concelho vão ouvir falar disso. Mas enquanto a água correr nas torneiras praticamente de borla ninguém se sensibiliza. Querem apostar?
Carlos Cupeto – Universidade de Évora

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