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Porta-voz desculpa-se que não sabia estar a prejudicar imagem da Águas do Ribatejo

Autarcas abordaram posições públicas do funcionário depois de vários meses de passividade

Edição de 29.11.2017 | Sociedade

O porta-voz da Águas do Ribatejo, que foi motivo de discussão na última assembleia-geral da empresa intermunicipal, porque vários autarcas consideram que o seu comportamento põe em causa a imagem da empresa, diz que não tem conhecimento de qualquer abordagem deste assunto na reunião. Isto apesar de a situação ter sido confirmada pelo presidente do conselho de administração da empresa de capitais unicamente públicos, Francisco Oliveira, que também é presidente da Câmara de Coruche. Nelson Lopes desculpa-se, alegando que não sabia que estava a causar desconforto nos autarcas dos municípios donos da empresa, devido às suas posições a criticar o presidente de Benavente e até há pouco tempo vice-presidente da empresa.
Nelson Lopes foi questionado por O MIRANTE, após o jornal saber que o assunto tinha ficado registado na assembleia com todos os accionistas. O visado mandou a resposta por e-mail com conhecimento para todos os autarcas e para o director-geral da empresa, que até agora não tinha feito o que quer que fosse para controlar os comentários públicos do funcionário que dirige. Nessa resposta, o porta-voz e responsável pela comunicação, refere que nunca foi abordado por qualquer desconforto de qualquer autarca, acrescentando que “os assuntos internos da Águas do Ribatejo são tratados em sede própria e nunca na praça pública”.
O funcionário salienta que a empresa é a base do sustento da sua família, dizendo não admitir “que quem quer que seja coloque em causa” o seu profissionalismo, lealdade e honra “movido por qualquer tipo de interesse”. O comportamento de Nelson Lopes só foi abordado na última assembleia-geral da empresa, porque alguns autarcas levantaram a questão perante a passividade a que se assistia para controlar a situação, que se passava há meses. E até mesmo há um ano, quando o funcionário pôs em causa a decisão de Carlos Coutinho ter pedido a reforma, que lhe é permitida por lei.
O MIRANTE sabe que alguns autarcas estão agora na expectativa sobre o que vai acontecer nos próximos dias.

Os casos de Nelson Lopes
Na assembleia geral da Águas do Ribatejo, constituída pelos presidentes das câmaras de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas, foram abordadas sobretudo duas situações que mais incomodaram alguns autarcas. Uma tem a ver com o facto de, antes das eleições, Nelson Lopes, candidato do PSD à Junta de Samora Correia, ter colocado na internet um vídeo a criticar umas obras numa rua da freguesia. Os trabalhos eram da responsabilidade da Águas do Ribatejo e ainda não estavam concluídos devido a alguns imprevistos, que eram do conhecimento do funcionário e candidato, segundo relataram alguns autarcas. O presidente de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), desabafou perante colegas autarcas que se sentia atacado há algum tempo.
A outra questão tem a ver com um incêndio ocorrido num lar de idosos, no início do ano, em Salvaterra de Magos, localidade onde está instalada a sede da empresa. Alguns autarcas, ouvidos por O MIRANTE, não gostaram de ter visto Nelson Lopes no local e a colaborar com órgãos de comunicação social. Tanto Carlos Coutinho, que deixou a vice-presidência da empresa para a sua vereadora Catarina do Vale, como o presidente, Francisco Oliveira, confirmam que tanto o vídeo sobre as obras, publicado na internet, como a questão do incêndio, estão reportadas internamente. O vídeo, tal como outras intervenções de Nelson Lopes, não são agora encontradas na internet.

A carta aberta a bater em Carlos Coutinho

Nelson Lopes, assinando como eleitor do concelho de Benavente, enviou para o presidente da Câmara de Benavente e para a comunicação social, disponibilizando-se para prestar mais esclarecimentos, uma carta aberta com o título “Presidente da Câmara Municipal de Benavente aposentou-se com pensão de luxo aos 45 anos”, que fazia acompanhar de uma fotografia do autarca e que dizia o seguinte:

“Fiquei sem pinga de sangue ao receber a notícia. Não acreditei confesso. Esperei pela acta da reunião da Câmara de 17 de Outubro para esclarecer as dúvidas. É verdade o senhor presidente da CMB, Carlos Coutinho, aposentou-se em 2010, aos 45 anos, com uma reforma simpática que é 5 vezes mais que a da sua e da minha mãe que trabalharam no duro durante mais de 50 anos. A pensão do presidente Coutinho é adquirida ao abrigo de 12 anos que esteve como vereador auferindo nesse período um salário que era mais do dobro do que tinha antes de entrar na política. Era bancário na Caixa Agrícola, onde manteve sempre a garantia do posto de trabalho que se extinguiu com acordo e a devida compensação.
A aposentação é um direito e está tudo dentro da lei, mas será ético e moral? Será que os comunistas genuínos aceitam estas benesses do sistema? Questiona-me se eu não aproveitava esta oportunidade? Não, porque sou homem de princípios e valores de que não abdico. Se fosse igual ao senhor, não teria arrojo de escrever o que está a ler.
Recordo que, como sabe, o presidente António José Ganhão tinha o mesmo direito à pensão, mas com 34 anos de serviço público como presidente optou pela pensão de professor, com sacrifício do seu rendimento familiar, mas de consciência tranquila porque serviu sem se servir. Exemplo de honestidade e espírito de missão que não me canso de referenciar.

Estranho ainda que o senhor presidente Carlos Coutinho continue a apresentar-se como bancário no exercício de funções de autarca. Na realidade, o senhor presidente Coutinho é um aposentado que só opta pelo Salário de presidente porque é ainda mais generoso e os princípios defendidos pelo PCP ficam suspensos quando toca ao benefício pessoal. Quando sair da câmara, muito mais rico do que entrou, vai ter uma pensão que é mais do dobro da que teria como bancário.
Recorda-se de me ter dito que eu não valia nada. Agora entendo o seu conceito de valor e estou muito mais tranquilo. Uma última palavra para a proteção que tem da comunicação social, que gosta tanto destas notícias, mas desta vez ignorou esta informação de relevante interesse público porque os eleitores e os contribuintes têm o direito de saber onde são gastos os seus impostos e o direito de conhecer a personalidade e as características de quem os governa.
Senhor presidente Carlos Coutinho, não lhe ficaria mal um pedido de desculpas aos munícipes que tal como eu lhe confiaram a gestão do concelho por considerarmos que era um homem de valores e um bom aluno do mestre Ganhão. Não nos desiluda mais…”

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