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Segurança Social paga cadeira de rodas de que Fernando Ferreira precisa

Segurança Social paga cadeira de rodas de que Fernando Ferreira precisa

Engenheiro residente em Almeirim, que sofre de esclerose múltipla, foi notificado da decisão esta quarta-feira.

Edição de 29.11.2017 | Sociedade

A Segurança Social vai custear na totalidade a aquisição da cadeira de rodas que Fernando Ferreira, 37 anos, necessita e a entrega desse equipamento será feita em breve. O MIRANTE teve conhecimento da decisão da Segurança Social durante o fecho desta edição e sabe que Fernando Ferreira foi notificado desta decisão durante o dia desta quarta-feira, 29 de Novembro.
O engenheiro agrário, que vive em Almeirim com a mulher e os dois filhos, sofre de esclerose múltipla desde os 19 anos e desloca-se numa cadeira de rodas emprestada que terá que devolver em Dezembro. Além disso, a actual cadeira não é a indicada para si porque é baixa demais para o seu tamanho, o que já lhe causou problemas de coluna e pulmonares por não estar sentado correctamente.
Fernando e a sua família não têm dinheiro para adquirir a cadeira de rodas prescrita pela médica, que custa mais de 30 mil euros. No último mês iniciou-se uma campanha de solidariedade para ajudar Fernando que conseguiu angariar cerca de 14 toneladas de tampinhas que foram entregues no início desta semana à Resitejo. A carrinha que faz a recolha de ‘monos’ da Câmara de Almeirim foi a casa do engenheiro agrícola buscar as tampas que estavam guardadas na garagem de sua casa, na zona norte em Almeirim. A iniciativa contou com a presença de alguns alunos do primeiro ciclo que aproveitaram para aprender como é feito o ciclo da reciclagem das tampinhas.

Exames para a Academia militar detectaram a doença
Recorde-se que aos 19 anos foi diagnosticada esclerose múltipla a Fernando, uma doença neurológica que afecta o sistema nervoso central e em que o doente vai perdendo as capacidades físicas e motoras. Os primeiros sintomas a surgir foram o cansaço extremo e perda de visões momentâneas mas os médicos consideraram que se deviam ao facto de estudar muito. Foi durante os exames que teve que fazer para ingressar na Academia Militar – que entretanto optou por não seguir – que os médicos detectaram “qualquer coisa” a nível cerebral e aconselharam-no a procurar um especialista.
Nessa altura, Fernando, natural do Bombarral [distrito de Leiria], ingressou na Escola Superior Agrária de Santarém. “No primeiro ano do curso comecei com sintomas mais graves. Tive o primeiro surto durante o sono, comecei com choques eléctricos pelo corpo todo, como se fosse epilepsia, e caí para o chão. Por sorte, a minha família estava comigo e socorreram-me. Estes surtos repetiram-se algumas vezes. Fiz vários exames, até que me mandaram para o Hospital Egas Moniz e com mais exames disseram-me que provavelmente eu teria esclerose múltipla”, contou em entrevista a O MIRANTE.
Fernando conta que receber aquele diagnóstico foi muito violento. Admite que entrou em fase de negação da doença e confessa que ainda hoje não a aceita. “Estou sempre a lutar contra ela. Não quero que ela me vença. Vivo um dia de cada vez. Acordo de manhã completamente exausto, muito cansado. A luta do meu dia é vencer o cansaço diário”, afirma.
Trabalhou sempre na área da agricultura, chegando a fazer cerca de 500 quilómetros por dia. Os seus dias sempre foram intensos apesar das limitações que a esclerose múltipla lhe foi impondo. A perda de mobilidade aumentou nos últimos dois anos e Fernando já só se desloca em cadeira de rodas.

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