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“Sou apaixonado por motorizadas e participei três vezes no Portugal de Lés a Lés”

“Sou apaixonado por motorizadas e participei três vezes no Portugal de Lés a Lés”

Jorge da Silva, ex-maestro da Banda da Sociedade Filarmónica de Santo Estevão. Auto-define-se como um homem simples e um bom ribatejano. Jorge da Silva foi durante os últimos vinte e cinco anos maestro na Banda Filarmónica de Santo Estêvão, Benavente, onde começou como músico. Agora que tem mais tempo livre quer fazer algumas viagens que tem adiado e fazer mais desporto. No entanto ainda não está totalmente livre uma vez que continua como chefe coordenador do naipe de fagotes da Banda Sinfónica da PSP.

Edição de 29.11.2017 | Três Dimensões

Em pequeno ajudava os meus pais no campo, sempre por gosto e nunca por obrigação. Sempre gostei muito de tractores, de lavrar a terra, de tratar do milho e do arroz. Ainda hoje faço isso no meu tempo livre ou quando sou chamado para algum trabalho pontual pelo patrão do meu pai, na herdade onde ele e a minha mãe trabalharam a vida inteira.

A opção pela música teve a ver com a perspectiva de um melhor futuro. Aos quinze anos juntei-me à banda da Sociedade Filarmónica de Santo Estêvão (SFSE) para tocar saxofone, que continuei a tocar quando entrei para a Banda do Exército, dois anos mais tarde. Depois passei para o fagote mas como ninguém na banda estava capacitado para tocar nem ensinar, fui para o Conservatório Nacional aprender.

Tenho um enorme orgulho nos músicos que ensinei enquanto estive na Filarmónica. Enche-me o coração ver que alguns também já são maestros noutras bandas e orquestras e que até ganham prémios tanto em Portugal como no estrangeiro.

Não gosto das redes sociais e não tenho conta em nenhuma. Nem sequer no Facebook. Tenho três computadores em casa e é através da Internet que consumo as notícias, porque também não gosto muito de ver televisão.

Pratico BTT (Bicicleta Todo o Terreno), corro e cheguei a praticar ténis quando era mais novo. Tento manter-me em forma para combater as várias horas que a minha profissão me obriga a passar sentado. Até já cheguei a experimentar esqui, mas não gostei e também não gosto do frio.

Se tivesse vida e dinheiro para isso estava sempre onde fizesse Verão. Normalmente vou ao Algarve todos os anos e também gosto muito da Costa Alentejana mas o meu destino de sonho é Cabo Verde, onde quero ir daqui a pouco tempo. Também sou fascinado pela Holanda. Desde miúdo, quando via os Jogos Sem Fronteiras na televisão que adorava as paisagens daquele país.

Não perco uma festa em Santo Estêvão. No geral não sou muito festeiro nem gosto muito de ficar até tarde fora de casa mas como é na terra e estou entre família e amigos não perco uma. Também não sou grande adepto da tauromaquia mas quando há alguma largada em Santo Estêvão gosto de ver. Só não me desloco a lado nenhum para ir ver corridas.

No carro sintonizo a Antena 2 ou a Smooth FM para ouvir música clássica e jazz. Os meus compositores preferidos são Beethoven e Mozart, mas às vezes também gosto de passar para o lado do pop com os ABBA e os Scorpions. Tenho muita pena de os ter perdido quando eles vieram a Portugal.

Só vejo futebol quando joga a selecção mas sou capaz de passar tardes inteiras a ver a volta à França. Também gosto muito de ver jogos de ténis.

Já tive uma caravana mas o meu sonho é ter uma autocaravana. Assim posso ir onde me apetecer, seja em Portugal ou no estrangeiro. E não tenho que me preocupar a reservar hotéis. Mesmo assim, já percorri o sul de Espanha e o nosso país quase todo com a caravana.

Sou apaixonado por motorizadas e participei três vezes no Portugal de Lés a Lés. Tenho uma motorizada “Sachs” e com ela percorri as estradas mais alternativas do país, onde os carros normais não passam, e conheci sítios que as pessoas não chegam a ver quando vão de passeio. Em Santo Estêvão tenho um grupo de uns vinte amigos que também gostam de motorizadas clássicas. Organizamos passeios e convívios várias vezes ao ano.

Desde o princípio que decidi que só ficava na SFSE vinte e cinco anos. Foi uma meta que impus a mim próprio e agora saí de livre vontade e satisfeito. O desgaste físico e psicológico já começava a pesar porque ser maestro é muito mais trabalhoso do que pode parecer. São muitas horas a trabalhar em casa e a planear as músicas antes dos ensaios.

Olhando para trás não posso dizer que faria tudo igual. Se me fosse dada a oportunidade de passar outra vez pelas coisas se calhar havia algumas decisões que não tomava e outras que não tomei, a nível profissional e pessoal, que teria tomado. Mas sou feliz com a vida que escolhi.

“Sou apaixonado por motorizadas e participei três vezes no Portugal de Lés a Lés”

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