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De mãe Natal em Vila Franca de Xira para as manhãs da Comercial

De mãe Natal em Vila Franca de Xira para as manhãs da Comercial

Vera Fernandes é uma voz conhecida do país e estudou na Secundária Alves Redol

Edição de 06.12.2017 | Cultura e Lazer

Foi em Vila Franca de Xira que Vera Fernandes começou a sua aventura na rádio. Guarda boas memórias da cidade e dos amigos que aí deixou. Todos os dias acorda às 5h10 para partilhar o estúdio com Nuno Markl, Vasco Palmeirim ou Pedro Ribeiro na Rádio Comercial. Garante que não é difícil trabalhar cercada de homens e que na vida nada aparece sem trabalho. Importante mesmo é “não seguir o rebanho”.

Uma das vozes que diariamente acorda os portugueses na Rádio Comercial tem raízes em Vila Franca de Xira e boas memórias daquela cidade. Vera Fernandes, 35 anos, partilha desde Agosto as manhãs daquela rádio com Pedro Ribeiro, Vasco Palmeirim, Nuno Markl, César Mourão e Ricardo Araújo Pereira. Para trás fica um passado ligado não apenas às rádios, locais e nacionais, como à própria cidade ribatejana.
Não esquece o trabalho num clube de vídeo ao pé da churrasqueira Brilha, as saídas à noite no cais e o bacalhau à brás de um restaurante da cidade. Estudou na Escola Secundária Alves Redol, em Vila Franca de Xira, e chegou a praticar patinagem artística na União Desportiva Vilafranquense.
“Foi no Vila Franca Centro que tive os meus primeiros trabalhos em part-time. Primeiro como mãe Natal a dar balões e depois, quando entrei para a faculdade, numa sapataria. Foi aí que comecei a pensar em estagiar numa rádio, só conseguia ouvir duas rádios locais, a Ateneu e a Lezíria”, recorda a O MIRANTE.
Quando começou nas rádios locais era a mãe que lhe emprestava o carro para ir fazer emissão. Foi na Rádio Ateneu que entrou como estagiária. “Comecei a ler o trânsito e fiz algumas peças de noticiário, mas rapidamente percebi que a parte do entretenimento era o que mais me cativava. Foi em Vila Franca de Xira que descobri a rádio, não como ouvinte mas como locutora. O destino fez muito bem o seu trabalho. Ao longo destes anos tive alguns momentos em que duvidei do percurso mas o destino mostrou-me que o caminho seria por aqui”, confessa.
No seu último ano de faculdade percebeu que a Media Capital Rádios tinha comprado a Rádio Cidade e decidiu enviar um CD com uma emissão sua. Ficou 13 anos na Cidade FM e no ano passado, depois de engravidar, passou para a Smooth FM. Quando regressou entrou nas tardes da M80 e ao fim de seis meses foi convidada para as manhãs da Comercial. “Este trabalho permite-me fazer uma das coisas que mais gosto, que é falar. Todos os dias são diferentes e só isto para me fazer sair da cama tão cedo [5h10]”, confessa.

“As manhãs são uma desgarrada”
Quando surgiu o convite para as manhãs da Comercial Vera pensou que seria loucura aceitar o desafio. “Quando o convite surgiu estava completamente embrulhada nas tardes da M80. Chamaram-me e disseram-me que me queriam nas manhãs. Disse-lhes que estavam loucos e que eu própria também estaria louca se aceitasse. Comecei em Agosto e tem sido engraçado olhar para tudo o que já aconteceu e que ainda está para acontecer”, conta.
Vera Fernandes não se sente intimidada e garante que não é difícil trabalhar só com homens. “As manhãs são uma espécie de desgarrada. Nunca sei por onde é que vamos, nunca sei onde é que aquilo vai parar mas vou, sempre, atrás deles. Eu prometi e estou a cumprir. Sempre que temos algum artista a tocar no estúdio fico emocionada. Ouvir a Ana Moura, Carminho, Raquel Tavares, o Diogo Piçarra, entre outros, ali, cheios de talento e a um metro de distância, deixa-me a tremer”, conta.
Desde que está naquele projecto, Vera admite que tem recebido “mensagens muito queridas” de amigos e colegas da região com quem já não está há anos. Aos jovens garante que o segredo para o sucesso se resume a trabalhar. Muito. “Primeiro é preciso descobrir o que realmente se gosta. Não é ir atrás do rebanho, é ir atrás daquilo que nos faz vibrar, da nossa cena. Depois é trabalhar, procurar e não desistir. O sucesso é uma consequência da paixão pelo trabalho, de muita dedicação e de ter sempre presente que o nosso momento vai chegar quando tiver que ser”, conclui.

Ameaças à imprensa e rádio estão “sempre presentes”

Numa era em que os jornais e a imprensa vivem sobre ataque de outros formatos mais comuns, como o digital e o streaming, Vera Fernandes admite que essa ameaça “está sempre presente” e que, no que toca às rádios, a adaptação está a ser feita. “Estamos a adaptar-nos muito bem ao que está a acontecer e ao que aí vem. Neste momento a nossa presença no digital está tão activa como a nossa presença no ar”, defende.

Gostar de ajudar o próximo

Vera Fernandes nasceu em Lisboa mas viveu com os pais durante vários anos no Carregado, concelho de Alenquer. No 10º ano trocou o Carregado por Vila Franca de Xira para estudar na Secundária Alves Redol. Entretanto mudou-se para Lisboa onde também já vivem os pais e onde constituiu família. Tem uma filha, Francisca, com 14 meses. Diz que não está “oficialmente casada” mas que “é como se estivesse” com o namorado, espanhol.
Ao contrário de outras pessoas, não quer que o tempo volte para trás. Gosta do que vê e tem saudades. Mas prefere olhar para o presente e usufruir de tudo o que conquistou. Diz que tem ainda tudo para viajar. Nova Iorque será sempre um destino a repetir mas soma-se a outras viagens de sonho: Japão, Argentina e Austrália, por exemplo. “As pessoas egoístas e mal-educadas tiram-me do sério”, revela.
Gostava de ter quatro filhos mas apenas se tivesse condições para lhes dar uma boa vida. Vai poucas vezes ao cinema e o último filme que viu foi o La La Land. “Sempre que posso ajudo alguém. às vezes faço coisas insignificantes mas que podem ajudar, nem que seja a melhorar a disposição de alguém”, conclui.

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