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Morte de Belmiro de Azevedo encarada com indiferença por alguns empregados

Morte de Belmiro de Azevedo encarada com indiferença por alguns empregados

Trabalhadores dos Continente no concelho de Vila Franca de Xira não deram grande importância à notícia.

Edição de 06.12.2017 | Economia

A morte do fundador e maior accionista da Sonae, Belmiro de Azevedo, responsável pela rede de hipermercados Continente, foi a notícia do dia na imprensa nacional mas para quem trabalha nesses estabelecimentos do concelho de Vila Franca de Xira o assunto foi pouco ou nada falado. O MIRANTE
visitou três lojas Continente do concelho, duas em Alverca e um em Vila Franca de Xira e percebeu que a morte do fundador não foi grande tema de conversa. A maioria dos trabalhadores pediu para não ser identificado com medo que isso prejudique o seu emprego. Mas nem por isso deixaram de dizer o que lhes ia na alma sobre a morte do homem que criou essa e outras marcas nacionais.
No Continente Bom Dia de Alverca, local onde um sindicato alertou na semana passada para o facto dos trabalhadores das caixas estarem a ser, alegadamente, proibidos de se sentarem, o sentimento perante a morte do empresário foi de indiferença.
“Foi um homem importante para o país, talvez, mas aqui não sentimos isso. É pena que ele não tivesse podido vir a alguns supermercados ver ao vivo como as coisas são feitas e como são tratados os seus trabalhadores”, criticou uma das funcionárias. No que toca à gestão deste Continente, ela é assegurada localmente, ao invés dos restantes hipermercados do grupo, acrescenta a funcionária. “Ninguém quer saber do Belmiro, temos outros problemas maiores aqui e em todo o lado, ganhar mais, por exemplo”, confessa outro trabalhador.
Na caixa do Continente de Alverca, junto à Nacional 10, outro funcionário mostra-se indiferente. “Os empresários sem as pessoas não são nada, por isso não me interessa muito, nunca o conheci”, conta outro operador de caixa daquele supermercado. Comentários semelhantes foram ouvidos em Vila Franca de Xira, com apenas um trabalhador a reconhecer “o grande trabalho” do empresário e a sua importância nacional. “Acaba por ser graças a ele que muita gente tem trabalho e isso tem algum valor. Pena é que seja trabalho muitas vezes precário e mal pago”, lamenta.
Belmiro de Azevedo morreu no dia 29 de Novembro aos 79 anos, num hospital do Porto, devido a complicações respiratórias.

AIP lamenta falecimento de Belmiro de Azevedo
A Associação Industrial Portuguesa (AIP), presidida pelo ribatejano José Eduardo Carvalho, já lamentou “profundamente” o falecimento de Belmiro de Azevedo, o dono da Sonae, que detém a marca Continente. Endereçando os pêsames à família, a AIP diz que o empresário “foi a maior referência do empresariado português após o 25 de Abril”.
A AIP diz ainda enaltecer “o contributo que deu ao país e à economia nacional pela solidez e diversificação do grupo que criou”. “A qualidade de gestão, a cultura da exigência e da responsabilidade, a inovação, a visão empreendedora, o risco e a frontalidade foram o maior legado do Eng.º Belmiro de Azevedo ao tecido empresarial português”, acrescenta a AIP em comunicado.

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