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Felizardo Manuel Serra d’Aire

Edição de 06.12.2017 | Emails do Outro Mundo

Gosto de políticos contra a corrente e um desses políticos é o presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, o comunista Mário Pereira, que, se preciso for, não tem problemas em mandar um vereador da oposição para um certo sítio que rima com alho. Com ele não há cá meias tintas nem concessões ao politicamente correcto. Como alguém disse em tempos, em política o que parece é. E Mário Pereira é assim e pelos vistos a maioria do povo de Alpiarça gosta. Pelo menos por enquanto...
E digo por enquanto porque quando os munícipes alpiarcenses, lá mais para a frente, começarem a sentir no bolso a factura do IMI de 2018, são capazes de não achar muita graça à brincadeira. É que Mário Pereira, ao contrário da maioria dos seus colegas autarcas, decidiu aumentar o IMI para a taxa máxima, quando em muitos outros concelhos a taxa vai baixando, devagarinho nalguns casos, mas vai baixando. O homem diz que precisa de dinheiro para ajudar a suportar as obras financiadas pela União Europeia. E eu acredito. Tal como acredito que, se houvesse eleições autárquicas para o ano, o IMI não aumentava agora. Vai uma apostinha?
Ando entusiasmado com a proliferação de pistas de gelo na região nesta época natalícia e já disse à minha Maria que este ano quero como presente um par de patins e um manual para aprender a equilibrar-me em cima daquela jigajoga. Obviamente, tive de lhe explicar primeiro, à minha Maria obviamente, que não queria que ela me pusesse os patins, não fosse ela interpretar-me deficientemente e aproveitar a oportunidade para me pôr a mexer.
Contudo (há sempre um contudo, um porém, um todavia nesta vida a beliscar a perfeição) gostava que os autarcas fossem mais além no seu atrevimento criativo e que, para lá das pistas de gelo, promovessem workshops de construção de iglôs, batidas ao urso polar, campanhas de adopção de focas e leões marinhos, protocolos de geminação com aldeias esquimós e outras actividades que nos remetessem para a Lapónia nesta época do ano, para lá do trivial Pai Natal e respectivas renas. Porque frio, felizmente, já vamos tendo que chegue.
Mas voltando às pistas de gelo, recordo que essa ideia peregrina teve uma primeira versão há uns anos, antes da crise e da troika, e este ressurgimento, a par das garridas e omnipresentes iluminações de Natal, das melosas músicas da época em tudo o que é sítio, das festas de passagem de ano, dos foguetórios e afins levou-me a reflectir que já vi este filme nalgum lado. E não foi assim há tanto tempo. Mal apanhamos uma folgazinha, é gastar à tripa-forra. E depois logo se vê...
Até os bancos, que durante uns tempos tiveram algum recato e vergonha na cara, já voltaram a atacar em força com a oferta de cartões de crédito e outras ferramentas que inventaram para nos endividarmos. A memória é curta, Manel, e só se vive uma vez. Por isso toca a aproveitar. Vamos lá mudar de carro, de casa, viajar e sei lá que mais. Até porque o Governo garante que a nossa economia cresce como nunca, a malta vai continuar a ganhar mais, entre outras boas notícias que me soam a canto de sereia. Daqui a uns tempos cá estaremos para ver...
Um bacalhau congelado do
Serafim das Neves

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