uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
“Aprendi a colocar-me na pele do outro e a estender a mão a quem mais precisa”
Motivação. Isabel é um rosto conhecido da comunidade Vilafranquense

“Aprendi a colocar-me na pele do outro e a estender a mão a quem mais precisa”

Isabel Moura, 59 anos, trabalha no atendimento da Unidade de Saúde Familiar de Terras de Cira, em Vila Franca de Xira.

Edição de 13.12.2017 | Identidade Profissional

Os anos mais felizes da vida de Isabel Moura, 59 anos, foram passados atrás do guichê da recepção das Urgências do antigo Hospital de Vila Franca de Xira. Foi ali que, durante 11 anos, foi o primeiro contacto dos doentes e dos familiares que chegavam com eles às Urgências e precisavam da sua ajuda. “Foi uma grande escola de vida e tornou-me uma pessoa muito mais humana, ao ponto de conseguir pôr-me na pele dos outros, sentir o sofrimento e ansiedade deles e aprender a estender a mão e ajudar da melhor forma como uma Madre Teresa de Calcutá”, diz Isabel.
Natural de Vila Franca de Xira, Isabel viveu lá a vida inteira, tirando dois anos passados em Vila Nova de Gaia e outro ano e meio em São Pedro de Rates, na Póvoa de Varzim. Depois de terminar o 9º ano no Liceu Padre António Vieira, e devido ao falecimento de uma irmã mais velha, o que a abalou bastante, decidiu deixar os estudos e ficou a ajudar a mãe, que geria uma pensão. Mais tarde decidiu voltar aos estudos e ainda começou a frequentar o 12º em regime pós-laboral na Escola Secundária Professor Reynaldo dos Santos. O segundo filho nasceu a meio desse ano lectivo, quando Isabel tinha 29 anos e decidiu deixar novamente os estudos para poder dedicar-se à família.
Isabel ficou responsável, juntamente com o ex-marido, pelo escritório de solicitadoria a projectos de construção civil que fundaram. Durante quatro anos foi escriturária e administrativa, até que decidiu procurar outra profissão. Nessa altura os dois filhos, já com oito e quatro anos, estavam na escola e no jardim de infância e Isabel teve disponibilidade para integrar os quadros do antigo Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira. Passou três anos como auxiliar de limpezas e enfermaria até, em 1993, ser convidada a tornar-se secretária de unidade do serviço de Obstetrícia/Ginecologia, onde foi muito feliz. “Adoro bebés e era um serviço muito bonito”, recorda, sorridente, os dois anos que passou nesse serviço.
Transitou de seguida para as Urgências, onde passou os 11 anos que mais gozo lhe deram na vida profissional e onde o contacto constante com os doentes a tornaram conhecida de toda a gente. “Contactei com muito bons profissionais e com as várias corporações de bombeiros que o hospital servia. Às tantas já brincava com as minhas colegas e dizia que éramos as melhores amigas dos bombeiros todos!”.
Isabel era o primeiro contacto e ajuda de quem chegava ao hospital e adorava o trabalho. Só o deixou devido ao AVC que a mãe teve e que a fez necessitar da sua ajuda e acompanhamento permanentes, bem como da irmã mais nova, Mónica, até entrar no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca de Xira.

Já esteve “às portas do céu”
Para poder estar mais tempo com a mãe e prestar-lhe auxílio, Isabel passou para o Serviço de Aprovisionamento do hospital, onde integrava a gestão dos pedidos de todo o material usado na unidade. Porém, como é asmática, o contacto com o pó dos documentos do arquivo e das próprias instalações onde trabalhava degradaram-lhe de tal forma a saúde que provocaram uma paragem respiratória que a deixou “às portas do céu”.
Passou então para o piso de internamento de Medicina II, onde voltou às funções de secretária de unidade. Há 10 anos transitou do antigo hospital para o Centro de Saúde de Vila Franca de Xira, reconvertido desde então em Unidade de Saúde Familiar (USF), onde ainda hoje está.
O trabalho actual é monótono e Isabel, que gosta de mudanças, sente-se aborrecida por não ser confrontada com desafios constantes como antes. Até se reformar quer continuar a trabalhar na USF, uma vez que não lhe é possível voltar às Urgências.

“Aprendi a colocar-me na pele do outro e a estender a mão a quem mais precisa”

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...