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Centro de Apoio Social da Parreira continua sem orçamento aprovado

Associados estão divididos num momento conturbado da instituição do concelho da Chamusca

Edição de 21.12.2017 | Sociedade

À segunda ainda não foi de vez e o Centro de Apoio Social da Parreira, concelho da Chamusca, continua sem orçamento aprovado para 2018, devido a divisões entre associados e entre alguns destes e a direcção. A primeira assembleia, no dia 1 de Dezembro, para votação do orçamento não chegou a realizar-se por falta de condições, uma vez que se instalou uma gritaria entre opositores da direcção, apoiantes desta e associados descontentes. Na segunda, no sábado, dia 16, a assembleia começou, apesar de alguns momentos mais tensos, e chegou-se à votação com a maioria a reprovar o orçamento - 27 pessoas votaram contra e 19 votaram a favor.
Sem orçamento, que já deveria ter sido entregue na Segurança Social em Novembro, é muito provável que seja nomeada uma comissão administrativa para tomar conta da instituição enquanto esta não tiver orçamento aprovado. Fonte da Segurança Social explica a O MIRANTE que, se não for assim, a instituição corre o risco de ver suspensas as comparticipações dos acordos que tem em vigor.
Na assembleia de 1 de Dezembro, um grupo de sócios descontentes colocou em causa as decisões da direcção, que se queixa de estar a ser vítima de uma cabala. “Querem tomar de assalto a instituição, mas agora vão ter de esperar um ano até às próximas eleições”, disse o presidente da direcção, Manuel António.
Os grandes problemas da instituição são financeiros e laborais e começaram quando o Centro de Apoio passou a lar residência, deixando de prestar serviços de centro de dia. Algumas funcionárias não aceitam algumas condições e horários de trabalho. “De noite fica uma funcionária no lar e fica outra funcionária de piquete para o caso de alguma emergência. Um grupo de seis funcionárias não aceitou estas condições”, disse o presidente da direcção que acrescentou que aquelas funcionárias que estão a contrato vão ser despedidas por falta de condições financeiras.
O dirigente contou na assembleia que na instituição já estiveram várias inspecções da Segurança Social, da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que não detectaram irregularidades. “Estas inspecções aconteceram por denúncias de funcionárias e de alguns sócios”, afirmou Manuel António.
A solução para as dificuldades financeiras passa pelo alargamento do lar para poder receber entre 30 a 40 idosos, diz o presidente, que já tem o projecto pronto e aprovado na câmara municipal. Só ainda não avançou porque as candidaturas aos fundos europeus ainda não abriram e isso só deve acontecer lá para o início do próximo Verão. Neste momento estão a residir na instituição dez idosos e oito utentes na valência de centro de dia.
Na assembleia os momentos de maior tensão foram protagonizados pelo presidente da direcção e ex-presidente da freguesia, Manuel António, e pelo actual presidente da junta, Bruno Oliveira, que trocaram acusações. Manuel António pediu apoio à junta de freguesia para construir um muro e fazer arranjos dos espaços exterior. O actual autarca aceitou ajudar, com a condição de a instituição passar os seus terrenos para a junta de freguesia, num contrato de comodato por 50 anos, acordo que a instituição rejeitou.
O associado Manuel de Oliveira tentou serenar os ânimos já no final da assembleia para realçar que quem realmente importa na instituição são os utentes. “As questões laborais são para serem tratadas entre as funcionárias e a direcção em funções”, disse. Outro dos pontos que mereceu uma chamada de atenção foi que as lutas políticas devem ficar fora da instituição. “Devemos fomentar a cooperação entre todas as instituições que servem a terra e não a luta”, concluiu o mesmo sócio.

Confusão devido à presença de O MIRANTE
A assembleia do Centro Social da Parreira decorria com as explicações do presidente da direcção, Manuel António, sobre as contas da instituição e todos já se tinham apercebido da presença de O MIRANTE,
que estava a acompanhar a reunião com autorização da direcção, quando a confusão se instalou. A secretária da mesa da assembleia decidiu não autorizar a publicação de imagens. “Eu não autorizo a minha foto em lado nenhum”, disse.
Um dos elementos da direcção, Juvenal Bernardino, levantou-se do lugar e dirigiu-se em tom ameaçador ao jornalista. O presidente da assembleia, António Júlio Maria, propôs expulsar o jornalista, mas o presidente da junta de freguesia, Bruno Oliveira, disse que se este saísse ele também saíria. Foi então feita uma votação para os associados se pronunciarem sobre a presença de O MIRANTE e a maioria aprovou a reportagem, mas sem fotografias. O presidente da assembleia acabou por pedir desculpas a O MIRANTE no final da assembleia.

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