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Deixou Portugal em busca de novos horizontes e acabou por encontrar o amor

Deixou Portugal em busca de novos horizontes e acabou por encontrar o amor

Renato Azevedo, natural de Almeirim, está emigrado na Alemanha desde 1990. Foi em terras germânicas que conheceu a portuguesa com quem viria a constituir família. O clima e a língua foram as grandes dificuldades que enfrentou de início. Hoje, são as saudades dos pais que mais o afectam.

Edição de 21.12.2017 | Tão longe e aqui tão perto

Foi com espírito aventureiro que, aos 18 anos, Renato Azevedo decidiu emigrar para a Alemanha para alargar horizontes e procurar novas oportunidades. Estava-se em 1990 e o jovem deixava a terra natal, Almeirim, para rumar sozinho para paragens distantes mesmo contra a vontade dos pais, que estavam relutantes em ver o seu único filho partir para tão longe.
Agora, com 45 anos, a viver em Munique, Renato partilha a sua história com O MIRANTE. Conta que os seus primeiros tempos na Alemanha não foram fáceis, pois não estava preparado para as contrariedades que iria enfrentar. O grande choque inicial foi com o clima. Acostumado ao sol de Portugal encontrou 25 graus negativos à chegada.
Relembra que a decisão de emigrar surgiu na sequência de uma conversa com amigos, que lhe falaram de que havia procura de empregados portugueses para a construção civil na Alemanha. Renato nem pensou duas vezes. Confessa que teve uma grande dificuldade em aprender a língua, já que nem uma palavra sabia dizer. “Quando queria pedir carne de galinha no supermercado, tinha de imitar uma galinha”, diz.
A firma para a qual foi trabalhar tinha um tradutor que servia para ajudar os novos trabalhadores estrangeiros a tratar de toda a documentação necessária e se encontrava estava escrita em alemão. Mas nas restantes situações do seu quotidiano, Renato estava por sua conta.
Apesar das dificuldades iniciais, a vida começou a correr-lhe de feição até ao dia em que lhe disseram que a firma onde trabalhava estava a entrar em falência. Viu-se longe de casa, a mais de três mil quilómetros, sem ter o que comer, beber ou viver, e sem dinheiro para poder regressar a Portugal.
Aprender alemão foi o que o ajudou a dar a volta à situação. Na altura começou a frequentar um curso de línguas e foi à procura de novas oportunidades de emprego. Em 2004 tomou a decisão de tirar a carta de veículos pesados de passageiros e o investimento foi certeiro, tendo encontrado emprego como motorista de autocarros. O que hoje lhe possibilita ter uma vida descansada e confortável na Alemanha, onde se sente bem.
Explica que na altura do marco alemão, antes do euro entrar em circulação, ganhava-se muito dinheiro a trabalhar na Alemanha. A chegada do euro alterou a situação: “Quando uma pessoa começa de novo agora, com os novos contratos, só dá para viver, pagar apartamento, comida e bebida. É trabalho-casa e casa-trabalho”.
Apesar de conseguir ganhar mais dinheiro na Alemanha do que aquele que conseguiria ganhar se estivesse em Portugal, confessa que tal só é possível porque faz muitas horas de trabalho, chega a trabalhar mais de 200 horas por mês, incluindo feriados, fins-de-semana, natais e passagens de ano.

Uma história de amor longe do país natal
O tempo livre que tem é raro e foi numa dessas raras ocasiões que a sua vida mudou. Apesar ter saído da sua terra natal em busca de novos horizontes foi com uma portuguesa que encontrou o amor. Conheceu a sua actual esposa, Paula Azevedo, natural do Porto, em Outubro de 2010, quando ela estava na paragem, à espera do mesmo autocarro que ele costumava usar todos os dias. Soube que ela era portuguesa porque ouviu-a a falar com a mãe ao telefone. Não quis perder a oportunidade de se apresentar e essa foi uma das muitas conversas que tiveram depois.
Renato e Paula casaram-se em 2014 e desse relacionamento nasceu um rapaz, que tem agora três anos. Confessa que o que mais lhe custa neste momento é estar longe dos seus pais, “não os abraçar ou ser abraçado e receber um carinho inconfundível que só pode ser oferecido por eles”.
Renato faz questão de visitar os pais pelo menos uma vez por ano com a sua família, mas são muitas as saudades da sua terra natal e sonha com o dia em que possa regressar e trazer a sua família consigo.

Deixou Portugal em busca de novos horizontes e acabou por encontrar o amor

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