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Jovial Serafim das Neves

Edição de 28.12.2017 | Emails do Outro Mundo

Um dia destes, no Entroncamento, entrei numa loja chamada Farmácia da Terra com o objectivo de comprar um adubo para tratar a anemia da minha horta. Qual não foi o meu espanto quando descobri que ali não vendem adubos nem quaisquer outros tratamentos para a agricultura mas sim medicamentos mesmo a sério para tratar de dores de cabeça, colesterol alto, tosse, ataques de gota, eczema e coisas dessas.
O meu espanto ainda foi maior porque estava lá um jovem de guitarra em punho a tocar umas modinhas que me transportaram imediatamente para talhões de couves e de favas a serem sachados de mansinho num sossego de fim de tarde, com melros em voos rasantes sobre a zona dos rabanetes.
Definitivamente a terra dos fenómenos não deixa de me surpreender e só foi pena haver uma senhora sem sensibilidade nenhuma que pediu para desligarem a música porque estava com uma enxaqueca medonha.
Eu adoro inovações e tenho que reconhecer que tendo a maior parte das farmácias optado por vender mais cremes adelgaçantes e sabonetes, devendo estar para breve a instalação de uma secção de Jogos Santa Casa, talvez não fosse má ideia passarem a comercializar também vestidos e fatos para casamentos saudáveis, por exemplo.
A greve dos CTT fez com que ainda não tenha recebido a edição da semana passada do jornal. Este tipo de serviço que os sindicatos nos prestam é de enaltecer. Numa época de paz e amor, é bonito perceber que há quem nos queira poupar à leitura de notícias de crimes, assaltos e disparates de políticos matarruanos.
As greves dos transportes também são boas porque temos uma desculpa para nos baldarmos ao trabalho e as dos professores então, nem se fala, uma vez que alunos, professores e funcionários das escolas podem ficar a dormir até mais tarde.
Há muitos presidentes de câmara, justamente inchados de orgulho por terem equilibrado as contas municipais e por terem orçamentos de alto coturno para o próximo ano. Os detractores habituais andam a dizer que o endividamento só diminuiu porque foram impostos limites ao mesmo e aplicadas regras de contenção de gastos, e que os orçamentos são maiores porque em 2018 vão finalmente chegar os milhões dos fundos comunitários.
Se ouvires estes dislates não ligues. Como facilmente se percebe se os autarcas quisessem não obedeciam às regras da austeridade e também não candidatavam obras para serem apoiadas pela dinheirama que vem de Bruxelas. Caramba, já é vontade de dizer mal de tudo!
Em Abrantes o ex-presidente da câmara, Nelson Carvalho, está a presidir a uma Associação de Solidariedade Social chamada CRIA e no Entroncamento o ex-presidente da câmara, Jaime Ramos, está a presidir à Fundação Museu Nacional Ferroviário. São dois casos exemplares do que é gerir com dinheiro a rodos para fazer tudo e mais alguma coisa, ou gerir com as unhas rentes e a contar os tostões.
Antes, eram apontados como gestores de sucesso. Agora são um desastre completo e andam ai, tio, ai, tio...a pedinchar ao Governo para ver se aguentam o barco. Mas apesar disso merecem o nosso aplauso. Com os seus exemplos o cidadão comum ficou a saber que qualquer um pode ser autarca de sucesso mesmo que não saiba nada de nada, seja de retretes ou de engenharia aeronáutica.
E quem diz autarca, diz secretário de Estado, ministro, director geral de finanças ou mesmo primeiro-ministro. Aquilo é bola p’rá e já está. Se no fim der buraco não há crise porque o contribuinte aguenta...oh lá se aguenta! E no fim tudo se resolve com mais umas pazadas de massa, para tapar os buracos. E pensar eu que ainda há quem nos ande a recitar o poema, “Que difícil é governar...” do Bertolt Brecht. Uh!Uh!Uh!
Termino dizendo que atingi o objectivo de não engordar mais de cinco quilos no Natal e que estou firmemente determinado a não esperar que o Ano Novo me traga tudo do bom porque no final do ano velho me vou atafulhar de presunto de Mação e de tintos velhos de todo o nosso Ribatejo.
Um abraço com fortes palmadas nas lombeiras.
Manuel Serra D’Aire

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