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Matou a mulher e a seguir suicidou-se
Sandra Cardoso é mais uma mulher vítima dos ciumes do marido

Matou a mulher e a seguir suicidou-se

Luís Cardoso foi ao escritório onde trabalhava a ex-mulher em Salvaterra de Magos e deu-lhe dois tiros

Edição de 28.12.2017 | Sociedade

O empresário de Santarém, Luís Cardoso, cego de raiva, deslocou-se no carro da empresa ao trabalho da mulher de quem se estava a divorciar, entrou pelos escritórios de arma na mão e disparou dois tiros fatais contra Sandra Cardoso. Depois, ao ver que a mulher estava morta, suicidou-se. O crime ocorrido na terça-feira, 26 de Dezembro, surge dias depois da Câmara de Salvaterra, localidade onde ocorreu a situação, ter chamado a atenção para a violência contra as mulheres. Este é mais um episódio trágico numa família que nos últimos anos caiu em desgraça. Luís era filho de Armando Cardoso, o antigo dono da Conforlimpa, a maior empresa de limpezas que nasceu em Almeirim, que foi alvo de um processo de fraude fiscal superior a 42 milhões de euros.
Luís, de 46 anos, chegou a trabalhar com o pai na Conforlimpa e teve um restaurante e um café em Santarém, mas actualmente estava a trabalhar no mesmo ramo, colaborando com a empresa Salimpa. A mulher de quem estava a separar-se, Sandra Cardoso, de 45 anos, trabalhava há anos na empresa Running e Flying Transportes Internacionais, na Estrada Nacional 118, no Vale Queimado, junto aos restaurantes A Grelha e O Volante, em Salvaterra de Magos. O crime, seguido de suicídio. foi efectivado pelas 13h27. Luís esperou que o colega da ex-mulher e um camionista saíssem das instalações, ficando Sandra sozinha, para consumar o homicídio. Os indícios apontam para que a situação tenha sido espoletada por desavenças relacionadas com o divórcio litigioso.
O MIRANTE falou com o proprietário da empresa de transportes internacionais Running e Flying onde ocorreu o crime, Maikel Brands, que não quis fazer declarações. Quanto aos populares presentes, por o casal residir fora de Salvaterra de Magos, sabiam muito pouco sobre eles. Maria Adelaide Silva, uma das residentes perto ao local onde ocorreu o homicídio, conta que Sandra costumava ir todos os dias ao café junto à empresa para beber café ou para comer uma sopa. A última vez foi na sexta-feira, 22 de Dezembro, durante a hora de almoço. “Ela estava bem-disposta como sempre. Nunca imaginei que acontecesse esta tragédia”, confessa.
O homem e a mulher, que já não viviam juntos, deixam dois filhos maiores. As autoridades confirmam que não existiam queixas de violência doméstica relacionadas com o casal. Durante a tarde, uma equipa de psicólogos do INEM esteve no local do crime a dar apoio a um dos funcionários da empresa que assistiu ao homicídio e aos familiares das vítimas que foram chegando nas horas seguintes. A Polícia Judiciária esteve no local a realizar perícias no escritório e também nos veículos das duas vítimas.

Uma história de amor que acabou mal
Sandra e Luís começaram a namorar ainda adolescentes e após muitos anos de namoro acabaram por casar. Trabalharam juntos na Conforlimpa durante muitos anos da sua vida marital. Quando as coisas começaram a correr mal na Conforlimpa Sandra saiu e foi trabalhar noutras empresas na área da contabilidade que era a sua área profissional. Com a crise na Conforlimpa Luís incompatibilizou-se com o pai e saiu da empresa. Tentou várias soluções de emprego até ir trabalhar para uma empresa do Porto, a Salimpa, tendo inclusive viajado para Angola onde esteve emigrado cerca de dois anos.
Segundo contaram a O MIRANTE alguns amigos de Luís, o casal teve vários conflitos ao longo do casamento. Um deles estará relacionado com um namoro que Luís teve há cerca de dez anos com uma mulher, de quem tem alegadamente, um filho que ele nunca reconheceu. Apesar dos desentendimentos e de Luís passar períodos fora de casa, o casal manteve-se sempre junto. Nos últimos tempos, contam ainda os amigos, Luís confessava estar realizado na sua actividade profissional e na vida amorosa. Mas o trágico destino que preparou para Sandra, e para si próprio, não condiz com os desabafos de que estava numa fase boa da vida.

câmara aprova moção sobre violência contra mulheres
A Câmara de Salvaterra de Magos aprovou recentemente uma moção do Bloco de Esquerda (BE) onde se apela à mobilização contra o crime de violência contra as mulheres. O vereador Luís Gomes (BE), referiu na altura que em Portugal, desde 2004 e até final de 2016, foram mortas 454 mulheres e houve ainda 534 tentativas de homicídio. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), só em 2016, dá conta de que em 82% dos casos de violência doméstica as vítimas foram mulheres com mais de 18 anos (5.226 casos).

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