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2018 e a seguir

Ao lado deste mundo real há quem está ao leme e que toma as decisões, as mais convenientes ao modelo global vigente, mesmo que seja ao revés de tudo e todos. “Tudo e todos”, menos eles, inclui a Terra e a Humanidade. Esta gestão global do “faz de conta” é riquíssima em acordos, convenções, estudos, objetivos, etc.

Edição de 03.01.2018 | Opinião

Este é o tempo dos balanços e das análises que procuram antecipar os próximos doze meses ou algo mais. O balanço é à medida da nossa conveniência e as previsões serão o que Deus quiser. A semana passada escrevi sobre o meu tema de eleição, o campo, os seus recursos e o valor do local. Acredito convictamente neste futuro, sem escolha. Na verdade, é nesta dimensão que há vida, recursos, pessoas, saberes e cultura. Ao lado deste mundo real há quem está ao leme e que toma as decisões, as mais convenientes ao modelo global vigente, mesmo que seja ao revés de tudo e todos. “Tudo e todos”, menos eles, inclui a Terra e a Humanidade. Esta gestão global do “faz de conta” é riquíssima em acordos, convenções, estudos, objetivos, etc. Vem isto a propósito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. Já aqui escrevi sobre estes ODS, um documento global irrepreensível. O problema é sempre o mesmo, uma brutal distância entre o papel e a realidade e a prática - aos costumes, diz nada. Muitas vezes me pergunto: “será que eles acreditam neles próprios?”. Agora, neste tempo de balanço, o ODS aponta para a grande importância das empresas e parece querer transferir o ónus dos governos para o mercado, apoiando-se num dos objetivos que incentiva as “empresas, especialmente grandes e transnacionais, a adotar práticas sustentáveis e integrar a informação de sustentabilidade em seu ciclo de produção”. Será para levar a sério? Para terminar com um bom, isto é, mau, exemplo cá de casa. Em março de 2016, o Governo criou a Unidade de Missão para a Valorização do Interior, tendo como objetivo “criar, implementar e supervisionar um programa para a coesão territorial promovendo medidas do desenvolvimento do interior”. Em julho de 2017 a sua presidente, Helena Freitas, que chegou a ser apontada para ministra do ambiente do atual executivo, demitiu-se porque ninguém do Governo lhe ligava. Os cães ladram e a caravana passa. Um 2018 com saúde e sucesso para todos.
Carlos Cupeto
Universidade de Évora

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