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CDU imita PS e paga mil euros a dois eleitos a meio tempo na Junta de Alverca
POLÉMICA. Carlos Gonçalves reconheceu que sozinho não estava a conseguir dar conta de todas as solicitações

CDU imita PS e paga mil euros a dois eleitos a meio tempo na Junta de Alverca

Comunistas forçados a fazer o que criticaram durante a gestão socialista. Novo presidente diz que na prática os eleitos vão estar ao serviço da junta durante o dia inteiro e reconheceu que sozinho não é fácil dar resposta a todas as solicitações de uma união de freguesias com mais de 36 mil habitantes.

Edição de 03.01.2018 | Política

A Junta de Freguesia da União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, no concelho de Vila Franca de Xira, gerida pela CDU, vai contratar a meio tempo dois eleitos para assegurar serviço na junta, à semelhança do que já tinha feito o socialista Afonso Costa no último mandato.
José Carlos Romão e Carla Rebocho Tavares vão receber cada, em regime de meio tempo, 953.79 euros, valor que está definido por lei. O presidente da junta, Carlos Gonçalves, diz que na prática os eleitos vão estar ao serviço a tempo inteiro na junta apesar de só serem pagos a meio tempo. José Carlos Romão vai abdicar da compensação mensal que recebia por ser tesoureiro da junta. Ao todo a junta vai ter um encargo mensal de 1.907 euros com os vencimentos dos dois eleitos.
A decisão do novo executivo gerou polémica porque, em Novembro de 2016, o PCP condenou a decisão socialista que agora acabou por repetir. O assunto deu discussão na assembleia de freguesia da noite de 28 de Dezembro.

CDU retracta-se de críticas anteriores
“No passado fomos críticos e não tenho dúvida disso. Mas admito que fizemos uma avaliação que não foi a mais real. Não é possível com uma freguesia deste tamanho o presidente sozinho conseguir dar resposta a tudo. Estamos a falar de uma união que em tempos já teve dois presidentes de junta. Estes dois eleitos não vão susbstituir nem controlar os trabalhadores da junta, vão ficar apenas a dirigir e a tomar decisões para dar corpo às necessidades das populações”, explicou Carlos Gonçalves.
O autarca da CDU admitiu que a decisão iria dar azo a críticas duras, como tem acontecido pelas ruas e nas redes sociais. “Na altura pareceu-me ser uma crítica válida a contratação de dois eleitos mas reconheço que afinal as coisas não são tão fáceis como parecem quando estamos na oposição, sobretudo numa autarquia com esta dimensão e estes problemas”, admitiu.
A humildade de Carlos Gonçalves foi reconhecida pela oposição, sobretudo pela bancada socialista. “Ficamos surpreendidos com esta inversão a 180 graus do presidente. Na altura, o PCP quis descredibilizar esta decisão, vendeu uma falsa imagem que teve o seu fruto nas urnas. Num momento tinham uma opinião e agora têm outra. Mas registo a intervenção de humildade do presidente em reconhecer isso”, notou José Chumbo.
João Fernandes, do Bloco de Esquerda, notou que as verbas pagas aos dois eleitos “farão falta” para investir noutras áreas da freguesia e lembrou que a medida é mal recebida na sociedade civil. “Não é abusivo considerar que os últimos resultados eleitorais se deveram a cidadãos que pediram mudança e que agora poderão sentir-se enganados por verem que afinal fazem o mesmo que criticavam”, lamentou.

PCP dá o dito por não dito

Na altura em que o socialista Afonso Costa contratou dois eleitos a meio tempo, em Novembro de 2016, o PCP emitiu um comunicado em que criticava a decisão, acusando a gestão de Afonso Costa de clientelismo e interesse pessoal. “Com a nomeação destes dois eleitos a meio tempo fica claro que a não admissão de novos trabalhadores é uma opção única e exclusivamente política, que responsabiliza todo o executivo da junta, o seu presidente e em particular o Partido Socialista, que à custa de interesses pessoais e clientelismo partidário sacrifica a imagem da freguesia e a qualidade de vida dos seus habitantes”, criticavam os comunistas.

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