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Entrar no Ano Novo a trabalhar

Numa noite de farra generalizada como é a da passagem de ano também há muita gente a trabalhar para garantir que a festa corre sobre rodas. Artistas, técnicos de som, empregados de bares e restaurantes, agentes de segurança e bombeiros, entre outros, estiveram ao serviço dos foliões em Santarém e O MIRANTE esteve com eles.

Edição de 03.01.2018 | Sociedade

A última passagem de ano teve um sabor diferente para Isa Meireles, 52 anos, funcionária de uma empresa de segurança privada. Pela primeira vez trabalhou na noite de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Enquanto uma multidão se divertia no Jardim da Liberdade, em Santarém, a segurança concentrava-se na sua missão. O marido Henrique Veríssimo, é supervisor da mesma empresa na zona do Ribatejo e foi o ‘culpado’ por ela ter enveredado por essa profissão há uns meses.
Os seus cinco filhos, todos maiores, já estavam habituados à ausência do pai em datas festivas e agora passou também a ser da mãe. “Eles sabem que faço isto gosto por isso não se chateiam”, conta a segurança, dizendo que a sua família costuma festejar a passagem de ano antecipadamente de dia 30 para 31 de Dezembro para depois estar de serviço no ano novo.
José Montês, dono do café “102” em Santarém, também se estreou a trabalhar em passagens de ano e brindou a 2018 enquanto ia servindo cafés e bebidas. “Num dia destes não ia deixar de abrir o café e fazer a festa com os meus clientes. Já tenho aqui o espumante para festejar o novo ano”, contava o jovem de 27 anos, dizendo que se ia divertindo à medida que ia trabalhando. Quanto à família, conta que não custa muito até porque a namorada também está a trabalhar nesse dia e quando sair irá juntar-se a ele no café. “Ficamos todos em família”, afirma o jovem.

“O socorro não tira folgas”
Quem já está habituada a passar a passagem de ano com a sua segunda família é Lucília Coimbra, 46 anos, bombeira nos Municipais de Santarém. Quase a completar 30 anos de casa, a bombeira conta que animação é o que não falta no quartel mesmo que estejam de serviço. “Todos os anos costumamos trazer sobremesas para partilharmos nesta noite e depois deixamos para os outros que entrarem”, explica a bombeira, contando que este ano fez arroz doce e coscorões para levar.
A família há muito que se habituou à sua ausência nessa noite, apesar de ainda hoje lhe custar. “Não é fácil porque tenho de deixar os meus filhos com familiares mas tudo se passa. Afinal, esta é uma noite igual às outras. O socorro não tira folgas”, refere enquanto vai colocando as passas no seu bolso. “Não posso beber espumante mas não deixo de comer as passas. Vou ter é dificuldade em comer logo à meia-noite mas se não der como à meia-noite e meia ou às onze e meia, não importa”, confessa.

“O melhor momento é quando chegamos a casa”
Nos serviços que não fecham portas na consoada, é comum trabalhar-se na passagem de ano por obrigação. Mas há quem trabalhe também por sentido de missão. José Conceição, agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), admite que, sendo polícia, não fazia outro sentido senão trabalhar na passagem de ano. “Quem vem para esta profissão já sabe que vai estar sujeito a trabalhar por turnos”, defende o agente de 48 anos, dizendo que a família já está habituada a isto.
“Custa todos os dias, não é só neste em especial. O melhor momento é sempre quando chegamos a casa”, admite o agente que trabalha na Central de Comunicações da PSP há 20 anos. Quanto às passas e ao espumante, ficaram em casa. “Aqui nunca sabemos se vamos receber uma chamada às doze badaladas. Não podemos pensar nisso. Mas quando chegar a casa irei fazer o meu brinde e comer as minhas passas”, conta.

O animador de serviço
Algo que não falta numa passagem de ano do radialista e DJ Paulino Coelho, 50 anos, é o espumante, a festa e a diversão. E foi isso que aconteceu este ano em Santarém, a sua cidade natal, onde animou a festa no Jardim da Liberdade com muita música dos anos 80.
Apaixonado pela profissão, faz questão de passar as passagens de ano a dar música às multidões. “Não há nada melhor que fazer aquilo que se gosta nesta noite mágica, que é o virar de uma página. E ainda por cima pagam-nos por isso”, admite o profissional da Rádio Renascença. Quanto à família, essa está mais que habituada à sua ausência na passagem de ano. “Os filhos cresceram e agora cada um vai para seu lado. Só a minha mulher é que me acompanha sempre”, conta.

Paulino Coelho e a cueca azul

Há quem tenha o espumante preparado para abrir nas doze badadalas mas o DJ Paulino Coelho prefere ter a jeito a sua mala. Nesse “kit de vida”, como gosta de lhe chamar, tem o seu gin, o gelo, a água tónica e a lima cortada para preparar os seus coktails e ir bebendo enquanto trabalha quando está no palco. “Também tenho direito”, diz com humor. Quanto às passas, essas ficaram em casa mas também não liga muito a essa tradição. Em relação à cueca azul, “essa não falha”, ri-se.

Passagem de ano calma

Apesar das pressas, da comoção e dos excessos associados à passagem de ano, a noite foi calma. Dos poucos casos registados por Lucília Coimbra, bombeira dos Municipais de Santarém, foi a queda de um homem das escadas do palco onde ia actuar horas mais tarde o cantor Diogo Piçarra. A bombeira conta que o indivíduo estava a trabalhar quando caiu e ficou com o braço lesionado.
Já José Conceição, da PSP, admite que, de uns anos para cá, as passagens de ano não têm tido tantos problemas pois as pessoas estão mais consciencializadas sobre os efeitos do álcool na condução.
Mas com os serviços públicos fechados, a PSP é a última porta a que muitas recorrem na hora de pedir ajuda. Foi o caso de uma mulher residente na Travessa 15 de Março que, pelas 18h30 de dia 31, telefonou porque tinha havido um abatimento do pavimento e não havia mais ninguém a quem reportar o ocorrido. Na altura, conta José Conceição, “ainda contactámos as Águas de Santarém mas, como dizem que não é com eles, nós tivemos de intervir sinalizando e cortando a rua”.

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