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Nudez e palavrões em peça de teatro originaram chuva de telefonemas para vereadora
Vereadora Inês Barroso diz que quer imprimir nova dinâmica ao Teatro Sá da Bandeira - foto arquivo O MIRANTE

Nudez e palavrões em peça de teatro originaram chuva de telefonemas para vereadora

Espectáculo do director artístico do Teatro Sá da Bandeira acrescentou polémica e picante ao processo que conduziu à sua dispensa pela Câmara de Santarém.

Edição de 11.01.2018 | Sociedade

A vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara de Santarém, Inês Barroso (PSD), revelou na última reunião do executivo que recebeu um “bombardeamento” de telefonemas por causa de cenas mais ousadas da peça “O Mandarim – Apóstrofe e Paciência” que esteve em cena nos dois primeiros fins-de-semana de Dezembro de 2017 no Teatro Municipal Sá da Bandeira (TSB). Em causa estavam cenas de nudez feminina e palavrões que fariam parte do guião. O espectáculo foi concebido pelo director e programador artístico do TSB, Pedro Barreiro, que no fim do ano deixou essas funções por não ter a sua avença renovada pela autarquia. Uma situação que já tinha sido anunciada antes da exibição da peça.
Inês Barroso revelou esse episódio depois de ter ouvido o vereador do PS João Catela e a actriz e namorada de Pedro Barreiro, Silvana Ivaldi, questionarem a decisão da autarquia de não renovar a avença com Pedro Barreiro. A actriz acusou a gestão PSD de reduzir a actividade do TSB a uma mera operação de aritmética e foi durante a resposta que a vereadora revelou que foi “bombardeada” com telefonemas por causa dos palavrões e cenas de nu feminino na peça adaptada do romance “O Mandarim” de Eça de Queiroz.

Pouco público justifica dispensa
Antes, a vereadora tinha dito que a fraca adesão de público aos espectáculos realizados no TSB e a intenção de dar uma nova dinâmica à programação é que estiveram na origem da dispensa do director artístico e programador desse espaço municipal, Pedro Barreiro.
Na reunião do executivo camarário de 8 de Janeiro Inês Barroso divulgou números para justificar a opção política em não renovar a avença com Pedro Barreiro que esteve como director do teatro durante os últimos três anos. E deu como exemplo precisamente o espectáculo teatral “O Mandarim – Apóstrofe e Paciência”, dirigido por Pedro Barreiro: nas quatro datas em que subiu à cena (1, 2, 8 e 9 de Dezembro de 2017) a peça registou um total de 197 espectadores, soma que por si só não chegaria para lotar a sala, que conta com 201 lugares sentados.
Mas mais: desses 197 espectadores apenas 70 pagaram bilhete. Os restantes entraram por convite. “Quem enviava os convites do TSB e a quem eram enviados isso eu não sei!”, garantiu a vereadora. A receita total de bilheteira referente a esse espectáculo de Pedro Barreiro foi de 300 euros para uma despesa que rondou os três mil euros, ainda segundo Inês Barroso, que deixou claro que os números foram fornecidos pelo director cessante do TSB. A vereadora prometeu que iria trazer os números finais de 2017 quando estivessem todos compilados com descriminação das entradas pagas e convites.
A autarca assumiu que a cultura tem que ser encarada como um investimento mas defendeu que tem que haver alguma contenção entre receitas e despesas. O que, no entendimento do município, não estava a acontecer. A ocupação média da sala em 2017 andou pelos 30 por cento.

PS volta à carga
O PS tem classificado a dispensa de Pedro Barreiro como uma represália pelas críticas que o jovem lançou à gestão PSD da autarquia no Facebook, durante a campanha eleitoral para as autárquicas, onde o artista, filho do cabeça de lista do PS à câmara, Rui Barreiro, chamou medíocre ao presidente da câmara, Ricardo Gonçalves, entre outras considerações. Depois de ter questionado a maioria PSD na última assembleia municipal voltou à carga por João Catela na reunião de câmara.

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